Ilustração do "Livro de Leitura da 3.ª Classe", 1958 - 4.ª edição
O saudoso Professor Dr. José Hermano Saraiva, [Leiria, 3 de Outubro de 1919 – Palmela, 20 de Julho de 2012] dispensa apresentações tal foi a importância do seu nome e acção em várias vertentes da vida cultural no nosso país, tanto quanto na sua vida profissional de advogado e professor como também na sua passagem pelo Governo do Estado Novo enquanto Ministro da Educação e depois diplomata como embaixador português no Brasil, mas sobretudo pelo legado que deixou como especialista, investigador, autor e divulgador da nossa História, tanto pelos muitos livros que publicou mas sobretudo pelas várias séries televisivas de sua autoria que apresentou sempre na RTP ao longo de vários anos e praticamente até ao ano da sua morte (2012).
Foi autor do livro "História Concisa de Portugal", um best-seller, actualmente na sua 26.ª edição e com mais de 180 mil exemplares vendidos que de forma económica e acessével levou o conhecimento e gosto pela nossa História à generalidade dos portugueses.
Concerteza que foi uma figura algo controversa, nomeadamente por ter feito parte do antigo regime, e alvo da ira reaccionária e inflamada, mas sempre e desde os seus tempos de estudante, mostrou-se como um notável comunicador e que por essa via e clareza do seu discurso se tornou popular em todo o país e de um modo geral apreciado e considerado pelos portugueses que durante décadas seguiram com interesse os seus programas documentários. Sobre muitos dos momentos da nossa História, tinha uma visão muito própria, o que nem sempre agradou aos académicos, avançando tantas vezes com versões e possibilidades, mas sem nunca as garantir como verdadeiras mas como meras hipóteses.
Não considero que o professor tenha reescrito a História de Portugal, mas soube dá-la a conhecer de uma forma simplificada e entendível à generalidade dos portugueses mas sem nunca a desvirtuar, antes pelo contrário.
Segue-se a lista das várias séries e documentários de televisão, iniciadas no início da década de 1970, todos exibidos na RTP:
1971 - O Tempo e a Alma, com 13 episódios;
1978-1979 - Gente de Paz, com 16 episódios;
1980 - O Acto e o Destino;
1986 - Histórias de Cidades, com 18 episódios;
1988 - Coisas do Mundo, com 12 episódios;
1989 - A Grande Aventura, com 15 apisódios;
1993 - A Bruma da Memória, com 13 episódios;
1993 - Se a Gente Nova Soubesse
1994 - Histórias que o Tempo Apagou, com 45 apisódios;
1995 - Lendas e Narrativas - com 45 episódios
1996-2003 - Horizontes da Memória, com 315 episódios;
1997 - Lisboa Sobre Carris, com 6 episódios;
2000 - Mitos Eternos, com 9 episódios;
2003-2011 - A Alma e a Gente, com 455 episódios;
2012 - História Essencial de Portugal.
De todos estes documentáriios, pelo número de episódios e sua duração temporal, merecem destaque as séries "A Alma e a Gente" e "Horizontes da Memória", que facilmente podem ser revistos porque disponíveis no Youtube ou nos arquivos da RTP. São, sem dúvidas, duas das séries mais emblemáticas da nossa televisão pública e que em muito ajudaram os portugueses a ter um melhor conhecimento tanto histórico como geográfico e social das nossas regiões, vilas e cidades e sua principais figuras.
Para além da componente da divulgação, foi sempre um acérrimo defensor do nosso património, deixando críticas a entidades e ao próprio Estado, denunciando inúmeras situações de atentados, desmazelo e abandono de tantos elementos do nossos elementos históricos e na sua maioria classificados como património nacional. Castelos, mosteiros, conventos, igrejas, capelas, solares, etc, etc, foram tantas vezes mostrados na sua pobreza e ruína. Dessas muitas denúncias algumas colheram frutos e houve obras de conservação e requalificação, mas certamente muitas mais cairam em saco roto porque este país, as suas autoridades e municípios, nem sempre souberam estar à altura das responsabilidades.
Por todas estas razões e mais algumas, o Professor José Hermano Saraiva merece justamente ser considerado uma das figuras maiores do nosso país e a ele somos devedores pela forma como nos ensinou a nossa História e a ter orgulho nela, com todos os seus perídos de glória ou inglória, altos e baixos, progressos e recuos, guerra e paz, miséria e progresso.
A 10 de Março de 1496 Cristóvão Colombo parte da Ilha Hispaniola com destino à Espanha, encerrando sua segunda visita ao hemisfério ocidental.
Apesar da sua importância na História, nomeadamente na epopeia dos Descobrimentos, continua a ser uma figura tão controversa quanto misteriosa e continuam por esclarecer ou confirmar muitos dos seus dados biográficos. Mesmo quanto à sua figura, parece não haver nenhum retrato pintado devidamente confirmado. A figura acima, por nós reproduzida, com base na pintura de Michele Di Ridolfo Del Ghirlandaio (Michele Tosini) - 1525 - (Museo Navale - Genoa, Italy) é uma das que frequentemente são referenciadas à sua pessoa.
Passam hoje, 18 de Novembro de 2020, 296 anos sobre a data da morte de Bartolomeu de Gusmão (18 de Novembro de 1724).
Popularizado como o "padre voador", é uma daquelas figuras da nossa História que têm um lugar especial, que mais não seja, pela sua ligação à mítica "passarola voadora".
Passam hoje 630 anos sobre o falecimento do rei D. Fernando de Portugal (Coimbra, 31 de Outubro de 1345 — Lisboa, 22 de Outubro de 1383). Por não ter deixado filho varão, mas apenas D. Beatriz, casada com o rei D. João I de Castela, este reclama o direito ao trono português e assim é despoletada a crise de 1383-1385, um interregno que dilacerou o país, com convulsões sociais políticas e militares que vieram a culminar com a escolha do Mestre de Aviz para rei de Portugal com o nome de D. João I.
A garantia da independência face a Castela só veio a ser assegurada após a resistência ao cerco de Lisboa, em 1384 e depois de várias batalhas entre as quais a de Aljubarrota em 14 de Agosto de 1385.
Com a morte de D. Fernando terminava a I Dinastia, a Afonsina, iniciada com D. Afonso Henriques e com D. João I iniciava-se a II Dinastia, da Casa de Aviz.
Passam hoje 834 anos (23 de Maio de 1179) sobre a bula papal Manifestis Probatum passada pelo Papa Alexandre III pela qual reconhece Portugal como reino independente e D. Afonso Henriques como seu legítimo rei.
A bula papal Manifestis Probatum
Passam hoje 95 anos (23 de Janeiro de 1918) sobre a beatificação de D. Nuno Álvares Pereira, uma das mais emblemáticas figuras da História de Portugal, imortalizada sobretudo pelo seu papel na Batalha de Aljubarrota - 14 de Agosto de 1385 - e no então processo de independência face a Castela.
A beatificação foi concedida pelo Papa Bento XV. A canonização ocorreu em 2009 pelo Papa Bento XVI, no que não deixa de ser uma situação curiosa quanto ao nome do Papa e sua numeração.
A relembrar esta ímpar figura da nossa memória colectiva, duas páginas do meu livro de História de Portugal, da 4ª classe.
A 4 de Março de 1394 (passam hoje 616 anos) nascia Henrique, o quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre.
Com seus irmãos formou a chamada "Ínclita Geração" (1).
Diz-se que nasceu na cidade do Porto, embora há quem diga que não ou que essa ideia carece de provas ou fundamentos.
Para a História ficou conhecido como o Infante D. Henrique, grande impulsionador da ciência das navegações, das viagens marítimas e descobertas de novos mundos.
Por tudo isso, tornou-se num dos principais vultos da História de Portugal e desde sempre foi uma figura a merecer destaque nas lições dos nossos livros escolares, tanto nos livros de leitura como nos livros de História.
Como exemplo disso, publico abaixo duas páginas sobre o Infante D. Henrique,inclusas no meu Livro de Leitura da Terceira Classe e duas outras páginas do meu Livro de História da Quarta Classe.
(clicar nas imagens para ampliar)
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(1)
Filhos de D. João I:
Do casamento de D. João I com Filipa de Lencastre (1359-1415) nasceram nove filhos. Destes, os seis que chegaram à idade adulta seriam lembrados como a ínclita geração:
* Branca de Portugal (1388-1389), morreu jovem
* Afonso de Portugal (1390-1400), morreu jovem
* Duarte I de Portugal (1391-1438), sucessor do pai no trono português, poeta e escritor
* Pedro, Duque de Coimbra (1392-1449), foi um dos príncipes mais esclarecidos do seu tempo. Foi regente durante a minoridade do seu sobrinho, o futuro rei D. Afonso V e morreu na Batalha de Alfarrobeira
* Henrique, Duque de Viseu, O Navegador (1394-1460), investiu a sua fortuna em investigação relacionada com navegação, náutica e cartografia
* Isabel (1397-1471) casou com Filipe III, Duque da Borgonha e entreteve uma corte refinada e erudita nas suas terras
* Branca de Portugal (1398), morreu jovem
* João, Infante de Portugal (1400-1442), condestável de Portugal e avô de Isabel de Castela
* Fernando, o Infante Santo (1402-1443), morreu no cativeiro em FezD. João teve ainda dois filhos naturais de Inês Pires:
* Afonso (1377-1461), primeiro Duque de Bragança
* Beatriz (ca. 1386-1447), casada com Thomas Fitzalan, 12.º Conde de Arundel
(fonte: Wikipedia)
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Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto