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7/29/2016

Casamento (i)real


Passam hoje 35 anos (29 de Julho de 1981) sobre o casamento do Príncipe Carlos com Diana Spencer.
O evento foi transmitido para todo o mundo e decorreu com a tradicional pompa e circunstância do reino de Sua Majestade de Inglaterra.
Infelizmente o casamento foi o que foi, acabando em divórcio e o drama completou-se com a trágica morte de Diana num suspeito acidente automóvel em Paris - França (31 de Agosto de 1997).
Diana, Princesa de Gales, deixou um rasto de simpatia e popularidade pelo mundo inteiro, tanto pela sua própria personalidade como pelas causas que abraçou. Carlos, por sua vez, nunca saíu do cinzentismo, e consumou a traição com a igualmente cinzenta Camila Shand de quem se especula que terá tido um filho ainda durante o casamento com Diana. Também não escapou à suspeita de que terá tido relações gay. Enfim, um príncipe que nunca o foi e que dificilmente chegará a rei.
Este evento matrimonial entre Carlos e Diana marcou de forma indelével toda a década de 80.

2/04/2014

Um país que perdeu referências morais tem as praxes que merece

 

Uma opinião de José Manuel Fernandes, expressa num artigo no Público, que assino por baixo:

 

Este país é assim. Ninguém sabe exactamente o que se passou naquela noite no Meco em que uma onda arrastou para a morte seis jovens estudantes, mas em nome do que talvez se tenha passado discute-se acaloradamente se as praxes académicas devem ou não ser proibidas. É a nossa velha tendência para achar que uma proibição resolve tudo, e que uma lei muda o país e as pessoas. É também a nossa irreprimível tendência para nos indignarmos e nos excitarmos, todos ao mesmo tempo, todos em manada – até quando é para criticar o comportamento de manada que é característico das praxes.

Pessoalmente, detesto as praxes. No meu tempo não havia praxes. O que era bom era que os estudantes formassem grupos de teatro ou, melhor ainda, fossem activistas políticos – afinal, era assim no meu tempo.

 

[fonte e resto do artigo]

10/31/2013

Praxes: Integração ou exercício de idiotas?

 

Porque concordo a 101%, tomo a liberdade de transcrever, do jornal “A Ordem”  um artigo do conhecido Dr. Daniel Serrão acerca do despropósito de certas praxes académicas que envergonham e não dignificam quem as executa e defende.

 

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Tenho 86 anos e não gosto de fazer figura de Velho do Restelo ou de velho caturra. Mas esta questão das praxes académicas tira-me do sério. Vivo próximo de um Instituto Superior e escrevo este texto ouvindo uma gritaria que sai do espaço do Instituto desde há mais de duas horas. Estive a ver o que se passava e vi: um grupo de 30 ou mais jovens, vestidos com uma roupa ridícula, enquadrados por outros jovens de capa e batina que os comandavam como se fossem as ovelhas de um rebanho e os obrigavam a gritar, proferindo frases, elas também ridículas, e, por vezes, obscenas. Nos tempos de modernidade que são os nossos, não consigo deixar de olhar para estas manifestações como verdadeiramente pirosas...

Quero dizer com isto que sou contra o que chamam praxe? De forma nenhuma. Sou absolutamente a favor de que os jovens que chegam pela primeira vez ao Ensino Superior sejam recebidos pelos estudantes mais velhos, com rituais de acolhimento e integração na nova casa onde irão viver e aprender durante 5 ou 6 anos. Acolhidos com brutalidades e boçalidades que até já ocasionaram risco de vida? Com humilhações que põem a nu a falta de carácter dos estudantes mais velhos? Com atitudes ridículas que dão uma imagem falsa do que é a dignidade do Ensino Superior? Com tudo isto a durar meses no início e mais meses próximo do final do ano lectivo? Claramente que não.

A integração só se consegue com atitudes de simpatia, que podem ser espirituosas mas nunca violentas e boçais. E que serão eficazes e intensas durante uma semana; mas que se tornam numa rotina sem qualquer valor quando se arrastam ao longo do ano. O jovem que chega ao Ensino Superior, politécnico ou universitário, traz uma imagem de um espaço e um tempo em que irá ascender a um nível superior de conhecimento e a uma preparação rigorosa para obter capacidades profissionais de grande responsabi1idade — vai ser médico, engenheiro, enfermeiro, economista, etc. E esta imagem que os novos esperam receber dos mais velhos, dos que já estão a meio caminho do seu percurso e que bem os podem ajudar a integrarem-se e a terem sucesso escolar. Uma semana com múltiplas actividades, preparadas com inteligência e sentido de responsabilidade pelos estudantes mais velhos, bastará para que o objectivo da integração amigável dos novos seja bem conseguido.

Não tem que ser formal. Deve ser descontraída, alegre e muito comunicativa, ocupando todo o dia e as noites com programas variados pensados e estruturados apenas pelos estudantes. Mas uma semana é suficiente.

Mas o que é que vejo, aqui, ao redor da minha casa? E que pode ser visto em outras partes da nossa Cidade do Porto: Bandos de jovens dominados e colocados em atitudes de humilhação por uns seres que se ju1gam superiores, por estarem vestidos com uma capa de estudante — que deverá ser vista como um sinal de qualidade e não de poder — que revelam toda a sua falta de carácter e de respeito pela autonomia e liberdade dos novos alunos; como se entrarem para a Universidade fosse uma situação da perda dos direitos de cidadania, às mãos dos ditos estudantes "doutores" que se comportam como energúmenos boçais e ignorantes.

Assisti, em plena rua, a um desses ditos "doutores" forçar uma jovem "caloira" a repetir frases com palavrões abjectos de cariz sexual. Ao fazê-lo o dito "doutor" apenas exprimia os seus complexos freudianos em relação à sexualidade pessoal mal assumida. Era digno de pena, embora o seu comportamento fosse de grande indignidade.

Tem de se encontrar uma solução boa. Que deverá partir dos próprios estudantes que, em vez de se vingarem, no ano seguinte, sobre os mais novos, do que sofreram, compreendam que há que romper com esta má tradição e encontrar práticas de acolhimento e integração que sejam dignas e exaltantes.

Não é cobrindo uma jovem com bosta de vaca que se acolhe uma colega que tem todo o direito a ser respeitada como pessoa humana.

 

Daniel Serrão

4/19/2011

Hoje como há 40 anos


O assunto do pedido de ajuda económica à Europa é tema que tem dominado a actualidade. Escusado será repetir aqui os contornos e as consequências, os quês e os porquês.
Todavia, tendo em conta a capa da revista "Gaiola Aberta", de 15 de Outubro de 1975, publicada pouco mais de um ano depois da revolução do 25 de Abril de 1974, não deixa de ser irónico que, decorridos quase quarenta anos após uma revolução que entre outros predicados pretendia acabar com o atraso do desenvolvimento relativamente aos demais países ocidentais, Portugal chega a esta ante-câmara da falência, após um percurso em que sempre gastou mais do que devia e podia, em que viveu sempre acima das reais possibilidades.

Ontem, há 40 anos, como hoje, Portugal continua na cauda da corrida e a precisar constantemente das tetas generosas da velha Europa, mas com a agravante de que, mal habituados a um bem-estar suportado por dinheiro que nunca tivemos, desde o Estado às famílias, as dificuldades e os sacrifícios são bem maiores do que aqueles que passamos no final dos anos 70 e princípios de 80. Então as famílias não estavam endividadas como agora nem o consumo e a sua dependência tinham os níveis actuais. A uma geração à rasca mas com um alto consumo de tecnologias, internet, televisão por cabo, automóvel, etc, e que mesmo em plena crise ainda teima em viver acima das possibilidades, os cortes e os sacrifícios que aí vêem vão causar verdadeiros estragos.
Nunca tanto como agora Portugal foi uma autêntica gaiola aberta, só que agora os passarões são em maior número e quando vemos estampados os indecorosos altos ordenados e reformas que auferem nas e das empresas públicas, ficamos a perceber um pouco dos motivos que nos trouxeram até aqui, até a este estado de pedintes.

gaiola aberta 15101975

- Sobre José Vilhena e a “Gaiola Aberta”

3/21/2011

Casa, descasa

 

No último Domingo, como habitualmente, segui mais um episódio da série documental "Universo", transmitido pelo canal História, na grelha da ZON.
Não quero aqui abordar qualquer questão relacionada com os mistérios e belezas do universo, muito menos sobre pulsares e quasares - tema do episódio - mas sobre algo que retive num dos spots publicitários no intervalo (já agora, aqui está uma coisa que nunca compreendi, a existência de publicidade em canais pagos).
Apesar do espanhol, retive um trocadilho, que grosso modo fazia-nos ver que num passado mais ou menos recente um casamento era uma coisa que se procurava para a vida, enquanto que na actualidade o conceito é passar a vida a procurar o casamento. Creio que todos compreendemos isto e sobretudo a mudança.


Sem alinhar pelo exagero de ambas as situações, a verdade é que hoje em dia a segunda ideia é a que melhor retrata a situação.
Pessoalmente conheço alguém próximo que já vai no terceiro divórcio e no quarto casamento e tem filhos das três mulheres e a procissão ainda irá no adro. Convenhamos que, para todos os intervenientes não será uma situação que seja lá muito exemplar sob um ponto de vista da estabilidade, daí não surpreender que a pessoa em questão passe mais tempo em tribunal do que com os filhos.
Decorre ainda que, face à incapacidade e, já agora, irresponsabilidade, em manter os compromissos de paternidade determinados pelo tribunal, uma parte substancial desses encargos estão a ser suportados pelos pais deste profissional do divórcio.


Chegamos assim a um ponto da sociedade em que se preza e exalta a liberdade de cada um em decidir o seu destino em cada momento, e muito bem, pelo que não surpreende que os divórcios sejam cada vez em maior número, e consequentemente o tão novelístico casa-descasa, mesmo que as razões subjacentes na maior parte dos casos decorram de uma incapacidade de diálogo e de compreensão, a ponto de à mínima tempestade, ao ínfimo obstáculo da vida conjunta, o barco, já por si de débil construção, afundar-se inapelavelmente.


De um modo geral, respeitando as devidas diferenças, distâncias e excepções, a actual sociedade mostra-se prática e objectiva no uso dos seus direitos, liberdades e garantias. Somos neste campo uns artistas da bola, uns chicos-espertalhões; Mas no que toca ao outro lado da moeda, aquele em que se reflectem as responsabilidades e os deveres, aí a coisa já descarrila e descamba para o torto. Aliás, se há matriz que define a sociedade actual, de novo com as ressalvas da praxe, é precisamente a aversão ao cumprimento desta componente, a das responsabilidades e dos deveres, seja para com o Estado seja para com as pessoas. Aí já somos uns molengões, uns arrastados, uns deixa-andar, em que mesmo na pior das hipóteses não tememos sequer as multas, coimas, juros ou mesmo decisões de tribunal, no que decorre de um Estado sem sentido de rigor e justiça, até porque os maus exemplos chegam quase sempre de cima.

Depois, se por um crime de homicídio, bárbaro e premeditado, se pode apanhar apenas 10 ou 15 anos, e destes cumprindo-se metade da pena, pervalecendo para os demais crimes um sistema penal quase incentivador à criminalidade, pela ineficácia das medidas e da brandura das penas, porque é que alguém haveria de temer ser responsabilizado por coisas menores, como ter que cumprir as suas obrigações sociais, compromissos, manter os filhos, pagar dívidas aos bancos, empresas, particulares ou indemnizações?


É o que temos e não falta quem se congratule por isso, porque, acima de tudo, nada de beliscar as nossas liberdadezinhas custosamente conquistadas.

1/18/2011

A insegurança dos nossos dias

 

Desde há vários meses que o programa da RTP1, "Praça da Alegria", no ar diariamente entre as 10:00 e as 13:00 horas, com apresentação de Jorge Gabriel e Sónia Araújo, dedica sensivelmente os últimos 40 minutos da emissão a analisar e a reflectir sobre vários casos vindos a público, com impacto social e frequentemente decorrentes de situações de criminalidade, quase sempre ligados à segurança, ou falta dela.


Ontem, por exemplo, abordou-se o caso recente de uma senhora idosa, que vivendo só, foi assaltada com alguma violência, atada, amordaçada e abandonada no chão frio da casa, tendo-lhe sido roubada uma elevada quantia, a maior parte pertencente a um filho da vítima.


Habitualmente estes casos são superiormente analisados por especialistas convidados, como o médico-legista Dr. Pinto da Costa, o advogado Dr. Paulo Santos, o Juiz Rui Rangel e o médico psicólogo e sexólogo Júlio Machado Vaz.
Uma grande parte das intervenções estão disponíveis no YouTube pelo que facilmente se pode apanhar os fios às meadas de muitas das situações dissecadas.


Tudo isto para se constatar que não raras vezes, principalmente pela análise experiente do Dr. Pinto da Costa, todos estes casos, nomeadamente ligados à criminalidade, revelam um forte desprezo pela vida e pessoa humana, nomeadamente os ocorridos contra pessoas idosas, fragilizadas na incapacidade física e na solidão, bem como a uma falta de valores e princípios cívicos que afecta o grosso da nossa actual sociedade.


Louva-se, evidentemente, a análise destes casos na televisão pública, mas não temos dúvidas que a insistência neste conceito de rubrica, que põe a nu a insegurança, a criminalidade e muitas vezes a ineficácia da autoridade e a lentidão e benevolência da Justiça, formatada legalmente num quadro favorável ao criminoso e pouco ou nada protector quanto à vítima, deve sobremaneira desagradar a muitos, incluindo a sectores do Governo e sobretudo a sectores de uma certa sociedade liberal e progressista que em nome de supostos critérios de defesa contra preconceitos, liberdades e garantias,  vêem na classe criminosa um grupo de coitadinhos a quem se deve relevar as suas acções e conceder-lhes todas as oportunidades de recuperação.

Todos esses sectores têm conduzido o país a um crescente clima de insegurança e criminalidade, cada vez mais organizada e violenta bem como a um código penal onde a morte premeditada e agressiva de alguém, independentemente da quantidade de vítimas, é, quando é, penalizada com pouco mais de uma dúzia de anos de prisão.


Quando viramos as atenções para o recente e mediatizado caso da morte do jornalista do jetset, Carlos Castro, e quando se constata que pela lei do Estado de Nova Iorque, o assassino confesso, no mínimo, salvo inimputabilidade do foro psiquiátrico, não se livrará de 25 anos de cadeia, correndo até o risco de apanhar perpétua, é que chegamos à conclusão que neste capítulo Portugal ainda é uma república das bananas onde compensa e vale a pena ser-se criminoso, porque o risco é reduzido e o castigo é lento e benévolo.


A este respeito, dizia há dias o Dr. Pinto da Costa, para a maior parte dos crimes, mesmo que apanhado em flagrante, o criminoso que actua em Portugal fica com a ridícula obrigatoriedade de se apresentar semanalmente às autoridades, por exemplo, à Quinta-Feira, ficando com o resto do tempo livre para se dedicar ao que melhor sabe fazer, ou seja, atentar contra os elementares direitos dos cidadãos, seja quanto ao património seja, o que é mais grave e frequente, contra a integridade física e a vida de treceiros, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos. Não surpreende, pois, que recorrentemente cheguem notícias sobre indivíduos que num mesmo dia são apanhados diversas vezes na sua actividade ilícita, alguns dos quais em liberdade condicional ou já sujeitos à medida de coação de termo de identidade e residência. Banaliza-se assim o sentido de justiça e da sua aplicação.

Pode-se, pois, invocar mil motivos, pretextos e razões sociais ou culturais  para se defender ou relativizar o papel dos criminosos, mas não se pode ignorar que na maior parte dos casos, este tipo de gente só compreende a linguagem da violência gratuita pelo que, para boa compreensão, tem que se dialogar em consonância, com justiça implacável, dura e efectiva, mesmo que isso possa custar investimento em mais autoridade, meios de segurança e prisões. A liberdade e a sua garantia só deve fazer sentido se a ela na justa proporção corresponder o direito, o dever e a disciplina. A política dos paninhos quentes e do politicamente correcto tem conduzido aos resultados que se vêem e só não não se apercebe disso quem não lê, não vê e não ouve os seus ecos diários nos diferentes suportes da comunicação social, mesmo sabendo-se que esta só dá conta de uma ínfima parte.

Até quando?


1/14/2011

Bom dia! Como passou vossa excelência?

 

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Hoje em dia vivemos numa sociedade chamada global e para isso têm contribuído sobremaneira as tecnologias de informação e comunicação, como a internet e suas ferramentas. Agimos e interagimos e a blogosfera e as redes sociais, pelas suas características, têm neste particular uma importância relevante. Resumindo, aparentemente nunca estivemos tão próximos, tão em contacto uns com os outros, e todavia, para lá do biombo, do monitor ou ecrã que nos divide desse mundo global mas virtual, nunca estivemos tão afastados, tão solitários e simultaneamente expostos e vulneráveis.

Neste mundo de relações sociais mas virtuais, alguns conceitos e valores estão completamente subvertidos. Veja-se, no caso da rede social do momento, o Facebook, onde o conceito de amigo ou amizade anda pelas ruas da amargura. Ali os amigos contam-se aos milhares e os pedidos chegam como a sardinha na canastra, compacta e uniforme, descaracterizada e sabe-se lá por que motivos. Ali os gestos de amizade medem-se pelas banalidades e trivialidades e poucos são os que realmente cultivam a verdadeira amizade ou interagem com algo que se aproveite. O Facebook é assim uma espécie de laranja mecânica, de casca grossa e sem qualquer sumo por mais que se esprema.

Para justificar e compreender a banalidade a que hoje chegou o valor da amizade, temos que olhar ao nosso redor, na nossa casa, na nossa família, aldeia, bairro ou cidade. Mesmo considerando as escassas excepções que sempre hão-de existir para confirmar a regra, hoje em dia não nos conhecemos. Podemos até ver com regularidade o nosso vizinho da frente, do lado, de cima ou de baixo, mas muitas vezes não passa disso. Saímos à rua, cruzámo-nos com pessoas, conhecidas ou desconhecidas, mas não os olhamos de frente, olhos nos olhos, não lhes fazemos um simples gesto de saudação, não lhes sorrimos nem balbuciamos um simples olá, ou um viva. Quando muito, olhamos para o lado ou para o chão ou até atalhamos caminho ou fingimo-nos distraídos a olhar para o infinito ou com o nariz na montra. Esta indiferença vale tanto para crianças como para adultos ou idosos. Pelo contrário, e relativamente aos idosos, a nossa tendência será até num sentido de repulsa e escárnio, principalmente se para além dos aspectos de decadência física, revelarem um aspecto de desmazelo e abandono.

Frequentemente, mesmo na minha pequena aldeia, reparo que durante a celebração de uma Missa, as crianças ocupam os lugares, sozinhas ou ao lado dos pais, mas mesmo tendo uma pessoa idosa ao lado e em pé, não têm a cultura e a educação para lhes oferecer e ceder o lugar. É claro que a culpa não é das crianças, mas dos pais e da educação e valores que lhes transmitiram.

Não deixo, pois, de evocar os meus tempos de criança, em que na mesma situação, sabíamos oferecer e ceder o lugar aos mais velhos, mesmo que não fossem propriamente doentes. E quando o fazíamos, ficava no peito e no coração um sentimento de dever cumprido.

Diariamente, ao levantar e ao deitar, havendo oportunidade, pedia-se a bênção dos pais. - Dê-me a sua bênção, meu pai! - Deus te abençoe!

Este procedimento aplicava-se para com os padrinhos de baptismo ou para com os avós.

Sempre que se passava por alguém na rua, havia lugar para um "Bom dia", "Boa tarde" ou Boa noite". Também um "Até amanhã, se Deus quiser", ou "Vá com Deus". Já nem falo noutros procedimentos mais formais ou sociais, como o subalterno tirar o chapéu na presença de alguém com estatuto social ou profissional mais elevado. Nesses tempos havia essa distinção, é verdade que por alguma cultura de subalternidade mas também por educação e reconhecimento próprio para quem de facto exercia cargos e profissões importantes.

É claro que se pode relacionar estes hábitos com uma certa cultura religiosa ou cívica, ou mesmo cultural, mas mais do que isso revelavam quase sempre uma base de respeito pelos pais, pelos mais velhos e por todos em geral, mesmo desconhecidos. Actualmente, porém, tudo isso foi abandonado e hoje pautamo-nos pela indiferença de tratamento, respeitamo-nos muito pouco e tratámo-nos como estranhos, como desconhecidos. Por isso, a forma de nos dirigirmos a um simples mas digno operário é exactamente a mesma do tratamento dado a um professor, um médico, um sacerdote, um ministro ou um magistrado. A pretexto de princípios de suposta igualdade e contra supostos preconceitos, nivelamos tudo, mas por baixo. Como costumo dizer, de algum exagero do 8, passamos para o exagero do 80.

Com toda essa igualdade, essa indiferenciação de estatuto e condição, perdemos o respeito pelos outros e até por nós próprios. Ao ensinamento velhinho de que devemos saber ocupar o nosso lugar, não deixamos de classificar essa máxima como desajustada e fora de prazo porque considerámo-nos todos ao mesmo nível, não porque o não sejamos na essência humana, mas porque perdemos os valores e os parâmetros que balizavam alguma diferenciação de tratamento. Exemplificando com o caso da escola, dos alunos e professores, estes, outrora considerados mestres e por quem se nutria respeito mas também admiração tanto pela pessoa como pela dignidada da função,  hoje tornaram-se vulgares funcionários, desprezados e desconsiderados, impedidos de exercer a autoridade e disciplina e por conseguinte expostos à má educação e desaforo do sistema, dos pais e alunos de toda a espécie, pepinos crescidos sem quaisquer torcimentos.

Chegamos assim a um ponto onde qualquer laivo de boa educação cívica e moral, mesmo a que bem herdada de nossos pais e avós, tornou-se obsoleto, desnecessário e até motivo de risada, de escárnio ou de espanto.

Tenha, pois, cuidado, ao passar na rua e saudar alguém com um jovial "Bom dia!" pois, mesmo que o conheça, poderá olhar para si de forma espantada e intrigada.

Para o bem e para o mal, as coisas chegaram a este ponto de caramelo e em grande parte justificam a fonte de muita da actual violência gratuita e o desprezo pela vida e condição humanas.


12/28/2009

Figuras & Figurões - 4

 Continuamos com a colagem virtual de mais alguns cromos da colecção Figuras & Figurões, que, recorde-se, representa em caricatura, um grupo de influentes figuras, políticos e militares, de todo o período pós 25 de Abril de 1974.

Anteriores artigos:

melo antunes_figuras e figuroes_santa nostalgia_13

acacio barreiros_figuras e figuroes_santa nostalgia_14

pereira de moura_figuras e figuroes_santa nostalgia_15

10/23/2009

Figuras & Figurões - 3

 Damos continuidade à publicação dos cromos da caderneta FIGURAS & FIGURÕES, colando hoje mais três, correspondentes a outras tantas figuras importantes da cena política nacional de um passado relativamente recente.

alvaro cunhal figuras e figuroes santa nostalgia 10

vasco lourenco figuras e figuroes santa nostalgia 11

salgado zenha figuras e figuroes santa nostalgia 12

9/23/2009

Crónica Feminina Nº 397 – Romy Schneider


Romy Schneider_cronica feminina_sn_19092009

A capa da revista Crónica Feminina, edição Nº 397 de 2 de Julho de 1964 trazia a público a bela Romy Schneider, actriz austríaca, um dos belos rostos da sétima arte, então com 24 anos, já que nasceu em 23 de Setembro de 1938 (passam hoje 71 anos).
Romy, que ficou popular pelo seu romance com o actor francês Alain Delon, teve uma vida de fama e tragédia, morrendo muito nova, com 43 anos (Paris, 29 de Maio de 1982), vítima de paragem cardíaca, num quadro de depressão depois do suicídio do seu primeiro marido (Harry Meyen) e da trágica morte de David, de 14 anos, filho de ambos.
Romy Schneider participou num bom leque de filmes e por diversas vezes foi premiada e indicada como melhor actriz. Indissociável a sua participação como Sissi, com apenas 17 anos no papel da imperatriz adolescente da Áustria, Mulheres de Uniforme, que provocou algum escândalo na época por abordar o lesbianismo, Bocaccio 70, ao lado de outras belas mulheres como Anita Ekberg e Sophia Loren, e muitas outras películas.
Fica aqui a recordação desta bela mulher de olhos verdes quando passam 71 anos sobre o seu nascimento.

Figuras & Figurões - 2

Dando continuidade à publicação dos cromos da caderneta FIGURAS & FIGURÕES, colámos hoje mais cinco, correspondentes a outras tantas figuras importantes da cena política nacional de um passado relativamente recente.

francisco sa carneiro figuras e figuroes santa nostalgia 5

pires veloso figuras e figuroes santa nostalgia 6

galvao de melo figuras e figuroes santa nostalgia 7

freitas do amaral figuras e figuroes santa nostalgia 8

otelo saraiva de carvalho figuras e figuroes santa nostalgia 9

9/21/2009

Roja Plix – Loção plixante para a sua mise-en-plis

 

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Confesso que não percebo nada de termos e conceitos ligados ao tratamento ou corte de cabelos, principalmente das senhoras. Para mim, corte de cabelo é à máquina zero, pente dois ou três, risco ao meio (tipo Paulo Bento), risco ao lado, e pouco mais. Por mim o barbeiro é visitado dus ou três vezes ao ano e chega. Já quanto às senhoras, sempre ao ritmo das modas, são um poço de despesas e à custa delas os cabeleireiros ou salões de beleza são bons negócios, desde há muito.

Neste contexto achei piada a este duplo cartaz publicitário publicado algures em Setembro de 1969, ou seja, há precisamente 40 anos.

O produto em causa, o ROJA-PLIX,  é uma loção para o tratamento mis-en-plis (termo francês) e parece que servia para “disciplinar” os cabelos e fazer uns belos e ondulados caracóis, passe a quase redundância, e outros feitios curiosos que marcavam a moda nos anos 60. Achei interessante a banda desenhada, com a menina que visitou a praia das Maçãs, bem como o termo “plixante”, pelos vistos exclusivo do mundo dos cabeleireiros já que o dicionário português não tem a definição.

7/29/2009

O casamento real e outras Histórias

casamento de carlos e diana

Passam hoje 28 anos (29 de Julho de 1981) sobre a data do casamento real entre Carlos, o Príncipe de Gales, o eterno herdeiro do trono de Inglaterra e Lady Diana Frances Spencer.
A história dessa cerimónia, então televisionada para uma plateia superior a 750 milhoes de pessoas de todo o mundo, é por demais conhecida. Igualmente conhecida, popularizada e explorada, foram todos os momentos da vida do casal até ao divórcio real e depois até ao trágico acidente que vitimou mortalmente Diana.

Recordo-me bem da transmissão televisiva do casamento, que vi a espaços, mas realmente foi um assunto que nunca me absorveu a não ser o questionar do porquê de um tipo tão feio e com aspecto de poder ser o pai da noiva, ter casado com uma princesa bonita e de olhos tão profundos quanto o desmesurado comprimento do véu do seu vestido.

reis e rainhas de portugal

Da monarquia, apenas me interessava a portuguesa, devidamente aprendida na escola primária, num desfile de personagens carismáticos, desde o D. Afonso Henriques até ao D. Manuel II. Pelo meio e à mistura de todos os nomes, era imperioso decorar os cognomes, as dinastias a que pertenciam, os seus principais feitos na História, os nomes da filharada e seus sucessores. Talvez por isso, hoje tenho um bom espólio de livros de História do ensino primário, que frequentemente revejo.
Interessava-me, assim, mais pelas espadeiradas do D. Afonso IV, o Bravo e a justiça de D.Pedro, do que pelas batalhas entre os paparazzi e o casal-real de terras de Sua Majestade. Habituado a decorar datas e motivos das eternas batalhas entre portugueses e castelhanos, tenho para mim que nestes tempos modernos as grandes batalhas das poucas monarquias europeias são contra os exércitos dos tais paparazzi, uma versão moderna dos flecheiros ou seteiros da Idade Média, que por sua vez alimentam um sacro-império de senhores feudais que controlam as catapultas modernas, os media.

Outros tempos, outras Histórias, outras batalhas.

7/28/2009

Dia dos avós

 

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No Domingo passado, dia 26 de Julho, dia de S. Joaquim e Santa Ana, pais de Nossa Senhora, mãe de Jesus, foi o dia do calendário consagrado aos avós. Os da minha aldeia, a meio da manhã, deslocaram-se em autocarro à cidade da Maia para um encontro designado de "Dia Metropolitano dos Avós", juntando-se a quase 8 mil outros oriundos dos diversos concelhos que integram a área metropolitana do Porto.
Segundo a organização, pretendia-se “celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas o convívio com as pessoas e a própria natureza”.


Viu-os regressar, já quase ao final do dia, cansados mas felizes, vestindo ainda a T´Shirt oficial do concelho que representavam.
Evidentemente nem todos participaram, e a minha mãe, viúva de meia-dúzia de meses, avó dos meus dois filhos e de mais 14 netos, preferiu a calma da casa e o aconchego da sua horta, entre o chilreio dos pássaros e o cuidado dos tomateiros, feijão-verde, alface e outras novidades próprias do tempo.


Foi, de facto, um dia merecido para os avós, não só pelo seu passado, pelo reconhecimento comum da  experiência e sabedoria de vida acumuladas mas também pela cada vez maior importância que nos nossos dias representam na valorização da família, uma espécie de âncora dos valores cívicos e morais que uma grande parte dos pais já não conseguem transmitir.
Numa época em que o sentido convencional da família tende a ser menosprezado ou mesmo dissolvido, a favor de relações de facto, e convivências ao sabor de experiências ocasionais, como quem testa no período regulamentar um electrodoméstico ou um aparelho electrónico, com direito a devolver ou trocar se não ficar satisfeito, os avós voltam de novo a ser pais, assumindo tantas vezes a responsabilidade da educação e da guarda dos seus netos, "abandonados" pela excessiva ocupação dos modernos progenitores, logo num período fundamental do seu crescimento, a infância, onde os afectos e a presença constante são modeladores da estabilidade e da definição da personalidade futura.


Por tudo isso, os avós devem ser devidamente reconhecidos cada vez mais, a começar pelos familiares directos e também pela sociedade em geral bem como o próprio Estado. Infelizmente, apesar da sua importância, pelos motivos referidos, não se esperam grandes melhorias já que, cada vez mais, os idosos são abandonados pelos próprios filhos, entregues ao esquecimento, à solidão e quantas vezes à miséria ou então depositados num lar, entregues aos cuidados de terceiros e num desejo de que tudo acabe rápido, sem grandes despesas, canseiras e incómodos para as suas vidinhas pessoais, com lugar para carinhos para um cão ou um gato mas não para um velho incómodo e inconveniente.

Importa reflectir sobre esta questão, social, sem dúvida, mas humana, principalmente. Por outro lado, o que é que se pode esperar de uma sociedade desprendida dos tais valores cívicos e morais de referência, de que constantemente aqui temos falado? Pouco. Muito pouco.

Quanto a mim, já não tenho avós. Os meus avós paternos faleceram com oitenta e tal anos cada, num intrevalo de 2 ou 3 anos, quando eu ainda nem tinha 6 anitos. A minha avó materna faleceu muito cedo, deixando a minha mãe com apenas 3 ou 4 anos. Por isso nem a conheci. O meu avô materno, que depois de viúvo casou em segundas núpcias, faleceu há cerca de oito anos, já com cerca de 85. Neste cenário, de quem guardo mais recordações é do meu avô materno bem como da sua mãe, minha bisavó, da qual já tenho citado am anteriores artigos. Pode-se dizer que a minha bisavó foi a minha segunda mãe já que nos primeiros anos da infância era ela quem muitas vezes substituia os cuidados de minha mãe, ocupada no amanho das terras. É claro que guardo muitas recordações do meu avô materno, até porque foi ele o meu padrinho de baptismo, mas era um homem de humor inconstante e de preferências no trato a alguns dos muitos netos e, na parte que me toca, deixou por cumprir algumas promessas, incluindo a compra de uma bicicleta, a ajuda nos estudos e outras mais triviais. Apesar disso, não lhe guardo qualquer rancor, antes pelo contrário. Nos fins da sua vida, depois de ter encamado devido a uma queda, durante quase dois anos, todos os Domingos cuidava de parte da sua higiene pessoal, fazendo-lhe a barba e aparando-lhe o cabelo, tarefa que tive que fazer pela derradeira vez logo depois de dizer adeus a esta vida terrena. Deixou viúva a sua segunda esposa, madrasta de minha mãe e minha madrinha.
Cada pessoa tem as suas próprias histórias relacionadas com os seus avós e creio que na maior parte dos casos são histórias repletas de boas memórias e nostalgias polvilhades de doces afectos. Mesmo quando algumas das recordações têm um travo de amargura, acredito que as relacionadas aos afectos conseguem ser superiores, afinal, que mais não seja, os avós são uma das bases da nossa existência. Só por isso merecem o maior respeito do mundo.

Oxalá que os netos, que cada vez mais recebem carinho e afecto de tantos avós, saibam e sejam capazes, um dia, de transmitir e retribuir na justa medida esse amor a seus pais, mesmo que estes pouco ou nada fizessem por o merecer. Só por essa via as coisas podem melhorar num futuro que realmente não se prevê optimista, ao nível dos afectos familiares e do respeito pelos mais velhos.

 

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7/24/2009

Chegada do Homem à Lua

tintin na lua 03 santa nostalgia

A propósito dos 40 anos sobre a chegada do Homem à Lua, ressuscitaram algumas teorias de conspiração quanto ao facto de tudo ter sido uma encenação, filmada secretamente algures no deserto do Nevada.
Tenho para mim que as teorias de conspiração são sempre bons exercícios da imaginação e servem para espicaçar as célulazinhas cinzentas, como diria Poirot. É verdade também que conseguem sempre lançar dúvidas nos mais cépticos e dados a estas teorias.

No caso da chegada do homem à Lua, pessoalmente entendo que realmente não faz sentido, desde logo porque a União Soviética também estava na corrida e certamente que tinha meios para comprovar e desmascarar qualquer ocorrência falseada promovida pelos americanos.

Por outro lado normalmente estas teorias, quase todas baseadas nas análises das fotografias disponibilizadas pela NASA, e que exploram algumas situações relacionadas com a projecção das sombras,  da luz, da gravidade, entre outras desconfianças, reportam-se no geral à primeira alunagem esquecendo-se que existiram posteriormente mais algumas missões com êxito. Efectivamente depois da Apollo 11, seguiram-se mais 6 missões sendo que 5 delas pousaram na lua. Por isso foram já 12 os astronautas que caminharam em solo lunar.

tintin na lua 02

Pessoalmente, recordo-me  razoavelmente de assistir à transmissão do acontecimento pela RTP, a preto-e-branco. Fascinavam-me todas aquelas imagens do Centro Espacial, com vários cientistas rodeados de tecnologias a comunicarem com os astronautas.

Na minha inocência de criança recordo-me de à noite vir para o exterior olhar para a lua a tentar ver os astronautas e o módulo lunar. Talvez influências do Tintin, que já lia nessa altura. O seu autor, Hergé, notavelmente, conseguiu antecipar esse velho sonho do Homem. É verdade que a imaginação é uma verdadeira máquina do tempo mas em muitos aspectos a viagem de Tintin não foi muito diferente da Apollo 11. Mesmo ao nível das tão polémicas sombras, um dos argumentos dos cépticos, repare-se que Hergé fez esse trabalho quase rigoroso, tendo em conta a baixa posição do sol relativamente à Lua, desenhando umas sombras extraordinariamente longas, mesmo as resultantes das pequenas saliências do Mar da Tranquilidade.

Não duvido que a famosa frase  Neil Armstrong foi previamente decorada e ensaiada mas corresponde à descrição real do acontecimento. Efectivamente foi um pequeno passo para o Homem mas um grande salto para a Humanidade. Nessa altura, porém, eu não tinha a percepção de tal importância. Essa aventura espacial continuava a ser tangível sobretudo nas páginas da banda desenhada em heróis como o Tintin,  Flash Gordon e Buck Rogers.

7/20/2009

Férias grandes

ferias grandes santa nostalgia

As escolas já estão de férias, nomeadamente para a comunidade de alunos. Para estes, são as tão esperadas férias de Verão, noutros tempos conhecidas como "férias grandes". Depois das férias do Natal e da Páscoa, chegam as mais longas e as mais ansiadas.

Noutros tempos eram quase três meses de tempo livre, destinado às brincadeiras mas sem se descurar a ajuda aos pais nas tarefas domésticas e até nos trabalhos do campo.
Hoje em dia os alunos, tanto os da escola primária como os mais velhos, já quase nada fazem de útil a não ser mesmo comer, dormir, brincar e preguiçar. Vejo isso pelos meus filhos e meus sobrinhos e de um modo geral por todos os outros. São uns autênticos inúteis. Diria até que as férias grandes representam para os pais responsabilidades e trabalhos acrescidos.

No meu tempo de criança, era frequente os rapazes que frequentavam a quarta classe ou Ciclo Preparatório irem trabalhar durante as férias ou parte delas, umas vezes como moços de trolha, ou até em fábricas e oficinas.  Era assim uma forma de ocuparem o excessivo tempo livre e de também ajudarem os pais, ou então ganharem alguns trocados para a compra de algumas coisas necessárias ou desejadas. Dessa forma ganhei parte do dinheiro com que comprei a minha primeira bicicleta. Sim, eu tive que ganhar o dinheiro para a minha bicicleta.

É certo que a questão do trabalho infantil é ainda hoje assunto de discussões. Se é consensual e não há grandes dúvidas quanto à proibição do trabalho em detrimento do percurso escolar, já no que diz respeito a trabalho sazonal num determinado contexto e com tarefas adequadas à idade e ao físico, há quem entenda ser uma forma positiva servindo como ambientação ou preparação para a vida activa anos depois. Eu também penso mais ou menos dessa forma. Mas há, no entanto, quem conteste mesmo esta posição mais soft e entenda que as crianças, por mais crescidas que sejam, não devem efectuar tarefas que consubstanciem trabalho.

Apesar disso, há muita hipocrisia e demagogia na interpretação do conceito do trabalho infantil. Considera-se como tal o trabalho no campo, na fábrica, na oficina ou até na construção civil, mas já não se constesta o trabalho infantil ao nível da indústria de audiovisual e produção de conteúdos de entretenimento. Veja-se a quantidade de crianças que trabalham actualmente em telenovelas, em televisão, cinema, etc. Não será isso trabalho infantil? Qual a diferença substancial? A quem importa esta dualidade?

Esta é de facto uma questão que dará "pano para mangas" e já foge ao objectivo do artigo. Para o caso, importa apenas deixar as comparações entre tempos diferentes como ponto de reflexão.
É certo que desde os meus tempos de criança até à actualidade as coisas melhoraram muito mas certamente com exageros nalguns aspectos. Com o alargamento da idade escolar obrigatória, pretende-se logicamente educar uma sociedade mais culta e torná-la supostamente mais qualificada. Infelizmente, outras medidas que deveriam ser paralelas e convergentes, ficaram para trás criando desequilíbrios sociais. Os filhos, deixaram assim de ser uma fonte de rendimento para as famílias, porque se empregavam cedo, e passaram a ser fontes de despesas e responsabilidades até idades tardias, muitas vezes para além dos recursos dos pais.

Não admira, pois, que tenhamos cada vez mais uma sociedade de gente jovem e adulta ociosa e que contacta cada vez mais tarde com o mundo do trabalho e das responsabilidades inerentes. São largos milhares os tais qualificados e licenciados desempregados ou em empregos precários e nada condizentes com as suas qualificações. Estaremos apenas a qualificar desempregados? Será caso para nos sentirmos orgulhosos de termos uma população desempregada mas qualificada e dependente ad aeternum da ajuda dos pais, com necessidades de cama, mesa e roupa-lavada?
O que mudou, o que falta mudar? Importa reflectir.

- Imagem retirada do Livro de leitura da primeira classe (clicar para ampliar).

7/19/2009

Produtos de higiene para bébé - Johnsons

johnsons bebe santa nostalgia

Num dos últimos artigos, falava aqui dos produtos de higiene de bébé da marca Ralay Baby. Hoje trago à memória um cartaz publicitário de outra marca, provavelmente uma das mais conhecidas neste sector de produtos, exactamente a Johnson´s.
Esta marca e os seus produtos são por demais conhecidos a nível mundial, fazendo parte do dia-a-dia da higiene diária dos bebés e não só.

O cartaz é de 1975 e refere-se às virtudes do óle de bebé Johnsons, apontado como o ideal para a protecção da pele delicada do bébé, tanto perante os rigores do tempo de Inverno, como o vento e o frio, como do Verão, com o calor e transpiração. Por conseguinte, creio que quase todos os portugueses tiveram nos seus primeiros meses de vida o seu rabinho e o corpo em geral hidratado com o óleo Johnsons. Já agora, não esquecer o pó-talco indispensável nas zonas íntimas.

Veja a história da Johnson&Johnson, neste excelente artigo.

7/14/2009

As Casas do Povo

 

As casas do Povo, desde a sua criação no início dos anos 30, foram cumprindo a missão e os objectivos inerentes à sua actividade, nomeadamente a cooperação social e melhoria das condições sociais, principalmente vocacionadas para as classes baixas, profundamente ligadas a actividades de subsistência como a agricultura. Outros objectivos eram marcadamente doutrinários como alguns aspectos ligados à defesa das terras e valores morais ligados ao espírito do mundo rural, que sempre foram uma marca do Estado Novo.


Com o 25 de Abril de 1974, registaram-se profundas mudanças mas no essencial mantiveram-se os pressupostos de cooperação social.
Actualmente, com as consecutivas alterações legais e com a Segurança Social implementada e generalizada, as Casas do Povo perderam muita da sua importância mas mesmo assim continuam a ser entidades que nalgumas terras desenvolvem notáveis actividades nas áreas social, cultural e desportiva. Ainda hoje, ao fim-de-semana, costumo praticar futebol de salão num pavilhão gimnodesportivo pertencente a uma Casa do Povo.


Na minha aldeia recordo-me de muitas pessoas que trabalhavam na terra fazerem os descontos mensais para a casa do Povo. Hoje usufruem de pensões de reforma com base nessas contribuições. Também tinham alguma assistência médica, nomeadamente ao nível de consultas de clínica geral.

Nas imagens abaixo, extraídas de um livro escolar de educação de adultos, sensivelmente da época do arranque desses organismos, percebe-se muito bem as ideias chave subjacentes à instituição das Casas do Povo.

 

(entretanto, saiba a história das Casas do Povo, num excelente artigo de Amorim da Cruz Carvalho)

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casa do povo santa nostalgia 02

casa do povo santa nostalgia 03

(clicar nas imagens para ampliar)

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