11/07/2016
A Sebenta do Tempo - Mário Augusto
7/26/2016
Revista GINA
Esta revista, publicada desde Setembro de 1974 até 2005, ao que dizem com um historial de 196 números, foi de imediato um estrondoso êxito e o preço inicial de 25 escudos (fica a dúvida se 25 ou 30) ia sendo alterado ao ritmo da crescente procura, galgando por aí fora até pelo menos aos 600 escudos. As tiragens de largos milhares suplantaram muitas das revistas sérias e populares da época.
Hoje, passados quase quatro décadas, a revista GINA é recordada como um produto emblemático de um tempo pós revolução e que na justa medida ajudou à descoberta da sexualidade mesmo que num registo de pornografia ordinária. É pois neste contexto que a GINA ainda mexe nalguns alfarrabistas e quem compra é por por pura saudade.
7/25/2016
10 anos de nostalgias
8/04/2010
Broa de milho
Faz habitualmente parte das nossas refeições, mas é consumido de forma automática, sem sequer percebermos toda a lida que esteve por trás da sua confecção, ainda que em padarias modernas e automatizadas.
Mas nem sempre foi assim. Noutros tempos, principalmente em ambientes de aldeia, o pão para consumo durante a semana era confeccionado e cozido na própria casa.
Reavivando as memórias do meu tempo de criança, recordo que em casa dos meus pais, a exemplo de muitas outras famílias, existia o tradicional forno onde semanalmente, todas as quartas-feiras, a minha mãe reservava a parte da manhã para cozer o pão.
Para isso existia um móvel em madeira, designado de masseira, onde a farinha misturada com a água era amassada à força de braços e mãos.
O processo principiava na véspera, com a moagem de um saco de farinha no moinho de água, propriedade da família. Depois a farinha deveria ser bem peneirada.
À mistura de farinha e água quente era acrescentado o fermento, chamado de crescente, que era um pouco de massa guardada da anterior amassadura. Este fermento era indispensável à levedura da massa.
Depois de preparada a massa, esta era aconchegada num dos cantos da masseira. Era feita uma cruz em baixo relevo, com o topo inferior da mão e no meio da cruz era espetada uma cebola crua, que permitia acelerar a levedura.
Depois era feita a tradicional benção. A minha mão rezava assim:
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede e
S. João de te faça pão.
Amem.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente e
S. João de te faça pão.Deus de acrescente
Dento de forno,
E fora do forno
E a quem te comer.São Vicente te acrescente
São Romão te faça pão
O Senhor te ponha a virtude
De mim fiz eu o que pude.S. Vicente te acrescente,
S. Humberto te levede,
S. João te faça pão,
Para comer e p'ra dar.
Deus te queira acrescentar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Reza-se então um Padre Nosso e Avé Maria.S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede,
S. João te faça pão,
E Deus Nosso Senhor te deite
Sua divina benção.
O Senhor te acrescente,
E te queira acrescentar,
Para comer e mais para dar.
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amén.S. João levede o pão
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé MariaS. Vicente te acrescente,
S. Sebastião te faça bom pão e
Deus te cubra de divina bênção.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.São Vicente te acrescente,
Sã Mamede te levede,
E todas as almas santas
Te ponham a sua virtude.
São João te faça pão,
Com a graça de Deus e da Virgem Maria.
Cresça ó pão no forno
E o bem pelo mundo todo.
Nós a comer e ele a crescer,
Que não possamos vencer,
P’rá minha alma quando for
O eterno descanso, Senhor.Para a massa levedar
S. Vicente te acrescente
S. João te faça pão.
Em louvor da Virgem Maria
Um Padre-nosso e uma Avé Maria.
Quando a massa se mete no forno
(com a pá faz-se uma cruz)
Cresce o pão no forno.
Ele a crescer
Nós a comer
Nunca o poderemos vencer.Deus que te levede
Deus que t’acrescente
Com a graça de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
S. Mamede te levede
S. Vicente t’acrescente,
S. João de ti faça bom pão,
Deus te ponha a virtude
Que da minha parte fiz tudo que pude.
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
O Senhor te levede
S. Pedro te acrescente
E o Senhor te faça pão
Com o poder da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
IV
S. Vicente t’acrescente,
S. Mamede te faça pão,
Em louvor de Santiago
Não fiques nem insosso nem salgado
São João te faça pão,
S. Mamede te levede,
S. Vicente t’acrescente
Em louvor de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
S. Crescente t’acrescente
S. Mamede t’alevede
S. João te faça pão
E Deus te cubra de benção
VII
S. João te levede
S. João t’acrescente
S. João te faça pão
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
Quando a massa estivesse preparada, o forno era limpo dos resíduos da fogueira e varrida a cinza.
Depois, em cima de uma pá de madeira, era colocada uma camada de farinha fina e sobre ela era colocada uma porção de massa, entretanto preparada em forma de bola. Uma vez na pá era ligeiramente moldada de forma a ficar com uma base plana. Depois de assim preparada era introduzida no forno. Este processo era repetido de acordo com a quantidade de broas. Normalmente a minha mão cozia quatro a cinco broas.
Importa dizer que, antes da entrada no forno da broas, eram cozidos de forma rápida os bolos, um pão em forma circular, achatados, com uma espessura de cerca de 2 a 3 centímetros a que algumas vezes eram revestidos superiormente com sardinhas ou carne. Para mim e para os meus irmãos, a minha mão habitualmente preparava uns bolos de tamanho pequeno (os bolinhos), talvez com cerca de 10 centímetros de diâmetro e também os chamados picões, que eram redondos e pontiagudos nas pontas.
Depois destas cozeduras rápidas, então eram colocadas as broas, cobertas com uma camada de farinha, para melhor formar a côdea (parte dura da superfície superior da broa) e fechado o forno. A maior parte dos fornos não tinham porta com sistema de fecho pelo que era necessário vedar a porta, sendo para isso utilizado o resto da massa. Isto em minha casa, pelo que em tempos de maior crise, para não se desperdiçar a massa, era utilizado barro. Havia até quem utilizasse uma mistura de terra com bosta de vaca que pela quantidade de fibras era adequada à consistência da massa de vedar.
Uma vez fechada e vedada a porta do forno, esta era benzida com o Sinal da Cruz, feito com a pá. Estava terminada a tarefa pelo que restava aguardar uma a duas horas, conforme o tamanho do forno, a sua capacidade de aquecimento e da quantidade de broas.
Um dos momentos mais apetecidos era o da abertura do forno, pelo qual saía uma bafarada quente com aroma a pão quente. Só isso confortava a alma pelo que a barriga só depois de arrancado um naco de broa. Era conveniente, contudo, deixar arrefecer um pouco pois o ditado popular dizia que "Pão quente, diabo no ventre", o que significa que é perigoso comer pão muito quente.
As broas já cozidas eram retiradas com uma outra pá, esta em chapa de ferro, própria para se introduzir debaixo da broa para facilitar a sua remoção.
O pão então era colocado numa caixa de madeira e coberto e assim serviria para a companhar as refeições durante toda a semana. Claro que também servia de petisco fora das refeições, acompanhando uma mão-cheia de azeitonas, também da casa ou um pouco de salpicão de lavrador.
Com o avançar dos anos, estas práticas deixaram de ter lugar na maioria das famílias e já mesmo na aldeia são raros os exemplos deste tipo de confecção caseira. Claro que ainda subsistem, principalmente em aldeias do interior, ainda muito dependentes de uma agricultura de subsistência, mas são uma espécie em vias de extinção. Na minha aldeia ainda há pelo menos duas casas que produzem semanalmente a broa de milho caseira, seguindo praticamente os métodos artesanais de tempos antigos, mas já com uma vertente comercial. Mesmo assim, fazem com que ainda se coma broa de milho à moda dos nossos avós, dando um melhor acompanhamento a certas comidas, nomeadamente uma sardinha assada ou uns bons rojões caseiros.
7/11/2010
Velhos caminhos
Ontem, Sábado, já ao declinar da longa tarde mas ainda com o sol teimoso na descida, fui dar uma caminhada por velhos lugares e sítios percorridos em criança. Nessa altura, eram um palco misto de brincadeira e trabalho. Nas canseiras das lides do campo, ajudando os pais, havia sempre tarefas a cumprir, desde o tempo da preparação das leiras para receber as sementeiras até às colheitas, já por meados de Outubro, passando pelas mondas e regas, não faltavam motivos de cuidados e mil canseiras. A plantação da batata, do milho, feijão, centeio, aveia, até às podas e vindimas, ou mesmo no cuidado e guarda de algumas cabeças de gado, era sempre um pão-nosso-de-cada-dia, trabalhado, suado mas abençoado. Mas é claro que havia também tempo e lugar às brincadeiras, vestidas de aventuras de índios e cow-boys, Robin dos Bosques, Tarzan ou Pequenos Vagabundos.
Passados todos estes anos, quase tudo mudou: Essas generosas leiras, de onde se arrancava parte da subsistência diária, estão agora transformadas em extensões de pinhais bravios onde apesar da beleza das amoras silvestres, que já começam a engordar e a pintar, os silvados são reis e senhores. Os carreiros, ainda vincados de outros tempos, são mais estreitos e submersos pela vegetação que cresce a seu belo prazer. Os regos sinuosos por onde passavam ligeiras as águas cantantes a caminho das regas, como veias caudalosas levando vida aos grossos e verdes milheirais, estão quase impraticáveis porque já ninguém os usa. As represas, esses regaços límpidos de águas de nascentes e minas, são uma pálida imagem de outros tempos e outras necessidades mas nelas ainda moram as rãs e sapos e à sombras da densa vegetação que as adornam, ainda namoram piscos, rouxinóis, pintassilgos, melros, gaios e pegas. Os moinhos, tocados pela força dessas abundantes águas, estão já em ruínas, sem telhados e esventrados na sua inutilidade e dá pena ver os rodízios podres pelo tempo, evocando outros dias e noites em que incansáveis giravam afogados no infinito corropio da moagem dos consortes.
Mesmo assim, mesmo com toda esta dor de alma e de coração, faz-nos bem este regresso aos palcos da nossa meninice porque apesar desse entorpecimento e abandono das coisas e lugares, ainda é possível absorver muitas marcas de coisas imutáveis, como um velho muro, um velho carvalho, um aqueduto de água, a represa, o moinho, etç. Não é difícil adivinhar as mulheres a cantar pelos campos, alegres e distraídas; Ainda é possível sentir o cheiro morno da leiva da terra rasgada pela charrua puxada a bois nas frescas manhãs da Primavera na companhia das irrequietas alvéolas; Quase que sentimos o cheiro maduro das uvas e um mosto doce como banquete de abelhas e pássaros ou, mais cedo, uma aguarela de flores que hão-de brotar frutos.
Num desses sítios, um autêntico paraíso na terra, palco verde e fresco de uma sinfonia matinal de chilreios e de águas cantantes, estão já a decorrer obras de mais uma auto estrada, a A32 e tudo está já de pantanas e mesmo ao lado do velho moinho, onde tanta farinha vi nevar, mas agora em tristes ruínas, estão já a nascer pilares para um longo viaduto. É verdade que já não tem as frescas vides e sombras dos frondosos carvalhos e castanheiros como companhia, mas parace que vai descansar o resto dos dias á sombra do viaduto. Felizmente, mesmo à passagem do pogresso e dos caminhos de betão e asfalto, ainda há umas résteas de alguma sensibilidade e, sempre que se pode, preservam-se essas marcas de um tempo, de um povo e de um viver.
Já com o sol a brincar às escondidas por detrás dos pinhais do monte, volto costas e subo de regresso a casa, não muito longe, o que permite outros e constantes regressos, mas não deixo de pensar: – Meu Deus, o que te fizeram, vellhos sítios, o tempo e os homens!
(clicar nas imagens para ampliar)
1/01/2010
Livros de leitura da Escola Primária
11/05/2009
À lareira
Cá em casa já se acendeu a lareira. Os primeiros frios deste mês de Novembro, que começou chuvoso e cinzento, trouxeram a nostalgia própria deste tempo avançado de Outono.
Nasci em Novembro e talvez por isso se compreenda a forma quase poética como consigo interpretar no cinzentismo dos seus dias uma espécie de aura mágica.
Fosse o ano um dia, e Outubro e Novembro seriam a noite; A noite do descanso, do retempero, dos sonhos. Acho, por isso, que este tempo é necessário, como um interregno, como um poupar de forças para o princípio do ciclo que depois começará com os alvores da Primavera e continuará até ao apogeu do Verão.
Novembro é um mês muito espiritual porque, pela tradição cristã, é o tempo em que trazemos à memória os nossos antepassados e ente-queridos que a morte já levou. Podemos andar o resto do ano esquecidos, mas em Novembro vamos mais vezes ao cemitério onde repousam aqueles que nos foram próximos. Há assim um pensamento e reflexão mais próximos da realidade da morte.
Dizia, no princípio, que cá por casa já se acendeu a lareira, e mesmo que o frio no corpo nem seja muito, a fogueira tem o dom de nos aquecer a alma. Tenho para mim que a fogueira é uma presença viva e dinâmica pelo que, mesmo sozinhos em casa, estamos sempre acompanhados. Estar sentado à lareira, é também um pretexto para recordar outros tempos, como os longos serões passados na casa de meus avôs, entre lendas e histórias contadas num aconchego de braseiro e fumo enquanto se assavam umas castanhas acompanhadas pelo vinho novo ou água-pé.
Por estas memórias, deixo aqui uma das páginas do meu livro de leitura da primeira classe, com uma bela ilustração de Maria Keil.
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10/17/2009
Dia de parar o tempo
Vale o que vale, mas o interessante sítio “Viver hoje e sempre”, escolheu o Santa Nostalgia como o Blog do dia, no tema “Dia de parar o tempo”.
Este sítio, do Brasil, tem em cada dia do mês um tema diferente que é abordado em diferentes áreas, nomeadamente o cinema, a gastronomia, a música, etc.
Fica aqui o agradecimento pela escolha e deferência do nosso simples Blog.
Quanto ao tema em si, “Dia de parar o tempo”, não deixa de ser interessante. De facto todos nós, que já vamos avançados e avançando na idade e no tempo, temos uma necessidade emocional de voltar aos nossos tempos passados, nomeadamente aqueles momentos que por um ou outro motivo nos marcaram na nossa infância, e juventude. É claro que não se pretende parar o tempo porque essa é uma impossibilidade nossa, física e temporal, mas podemos, isso sim, viajar a qualquer momento às nossas mais ricas recordações e nostalgias, bastando, para isso, sonhar, mesmo que acordados.
Nós somos presente, e almejamos ser futuro, mas somos sobretudo o passado. É verdade que o passado é uma parte temporal que se perde a cada momento, mas também é ele que nos acompanha e estrutura. Quem ignorar o seu passado não estará em condições de compreender e valorizar o presente, porque este, amanhã já será novamente passado.
Ainda quanto à escolha do blog Santa Nostalgia, não deixa de ser sintomático ter sido feita por um sítio do Brasil, onde temos muitos visitantes. Neste aspecto sabemos que na nossa hortinha chamada Portugal o reconhecimento é uma colheita quase sempre tardia porque na nossa génese lusitana somos quase sempre ingratos e invejosos. Está-nos no sangue.
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9/24/2009
Air France – Os anos afinal passam para todos
9/10/2009
Tempo de vindimas
6/23/2009
Santa Nostalgia
O blogue SANTA NOSTALGIA, temo-lo já dito aqui, não tem quaisquer outros pretenciosismos senão os de partilhar memórias e recordações que certamente são comuns a muitos portugueses, fundamentalmente localizadas no tempo entres os anos 1960 e 1980.
O SANTA NOSTALGIA está quase a completar 3 anos, (apenas em 25 de Julho) embora com um início pouco regular. Apesar disso, tem vindo a crescer dia-após-dia em número de visitas e comentários, o que nos dá alento à sua continuidade. Por email também temos recebido inúmeros contactos de incentivo.
É certo que existem alguns blogues com conceitos algo idênticos, o da partilha de memórias e recordações passadas, com destaque temporal para os anos 80 e 90, mas nem por isso os consideramos como concorrentes e como tal considera-se que cada um tem justamente o seu espaço próprio.
Sem particularizar, com uma análise mais ou menos atenta, verifica-se, contudo, que a maioria desses espaços usam e abusam dos vídeos do Youtube, como sendo “pau para toda a colher”. Faz-se apenas essa inclusão e, pronto, já está! Um post pronto a publicar, sem quaisquer outros considerandos pessoais ou gerais sobre o tópico ou assunto, que digam qualquer coisa mais aos visitantes. Ou seja, um produto com muita casca mas com pouco ou nenhum sumo.
Cada qual faz como quer e como pode, é certo. Por nós, dentro do possível, procuramos quase sempre dizer algo mais sobre o tema publicado, quer numa abordagem de vivência pessoal, quer referindo alguns aspectos contextuais, mais ou menos técnicos. Esta vertente, no entanto, pode por vezes não ser tão rigorosa ou extensiva como desejaríamos e isto porque a maior parte dos casos recorremos apenas à memória, pura e dura, já que nem sempre existe a informação pretendida. Por isso, são sempre bem vindas correcções e informações adicionais por parte dos nossos visitantes.
A este propósito, e porque aqui recordamos várias séries de TV, temos solicitado por diversas vezes informações aos serviços de arquivo da RTP mas, infelizmente, as ínúmeras questões colocadas, principalmente relacionadas com aspectos técnicos, nunca conheceram resposta. Uma ou outra foi respondida meses depois e com um sintomático esclarecimento do género: "desculpe mas não dispomos de elementos que possam ajudar!". São estes os serviços públicos que temos.
Face a esta situação, torna-se uma missão quase impossível prestar muitos detalhes técnicos sobre determinadas séries, já que por vezes, na própria Internet essas informações são escassas ou até inexistentes o que obriga a um trabalho suplementar de pesquisa.
Apesar desta simplicidade dos artigos resultantes das nossas simples recordações e memórias, há quem nos honre com a cópia de alguns artigos e imagens. Uns fazem-no dentro das boas regras, citando e ligando a fonte, outros porém, fazem-no de forma abusiva, reproduzindo artigos na íntegra, como sendo de sua autoria, portanto sem qualquer referência ao autor e origem. Mesmo depois de contactados, mantêm a mesma atitude. Lamentável. Poderia aqui deixar os links de alguns espaços onde isso foi detectado, mas, talvez noutra altura. Por ora, pensamos que seria dar publicidade a quem a não merece, já que por vezes essa postura tem precisamente esse objectivo oportunista.
Portanto, se andar por aí a matar saudades e reviver memórias passadas não se surpreenda se encontrar, sem qualquer referência à fonte, imagens e artigos reproduzidos do SANTA NOSTALGIA.
4/27/2009
Código Morse - Marinha de Guerra Portuguesa
4/09/2009
Viagens pelos livros escolares - 4 - A vocação da cerejeira
No meu pomar, no logradouro da minha habitação, tenho, entre outras espécies de árvores frutículas, duas cerejeiras, uma delas de médio porte, com pelo menos 6 metros de altura. Nesta altura do ano está completamente florida, como uma enorme nuvem branca, mas já com o verde das folhas a querer substituir as flores.
Se as condições do tempo não prejudicarem esta fase do desenvolvimento do fruto no seu estado inicial, creio que lá para meados de Junho devo ter boas cerejas. Isto é, a maior parte, como de costume, será para a passarada (pardais, pegas, gaios, melros, piscos e verdelhões) que habitualmente frequenta o quintal.
Neste sentido, recordo mais uma página do meu livro de leitura da terceira classe, do qual já aqui temos falado, intitulada "A vocação da cerejeira". A lição que dela se extrai é sobretudo a da abundância e da correspondente partilha. De facto, de que nos serve ser egoístas em muitas situações de vida? Esta lição do livro de leitura da terceira classe é assim um bom exemplo que pode ser compreendido à luz das nossas vivências e convivências.
Ainda quanto às cerejeiras, recordo-me dos meus tempos de criança, quando, na quinta de meus avôs paternos existiam três enormes cerejeiras, de boa qualidade, sempre generosas na sua abundante produção. Toda a gente da casa, incluindo a vizinhança, comia cerejas de borla e até fartar. Tantas vezes trepei àquelas cerejeiras para, encavalitado num qualquer ramo, me deliciar a colher e a comer, refrescando assim as saborosas tardes de Junho.
Bons tempos.
*****SN*****
4/08/2009
Páscoa - Tradições, usos e costumes
Seja como for, a Páscoa é uma celebração que comporta em si mesma dois estádios de vivência antagónicos: A morte e o triunfo da vida sobre a mesma pelo que nela prevalece sobretudo a alegria.
Tal como o Natal, a celebração da Páscoa está repleta de tradições, desde as religiosas até às pagãs, bem como a inseparável culinária e gastronomia a ela associadas.
Na parte religiosa, toda a quadra é iniciada no Domingo de Ramos, uma semana antes da Páscoa, relembrando a entrada triunfal de Jesus na cidade santa de Jerusalém, entre aclamações num ambiente de júbilo e louvor, num simbolismo contraditório do que iria suceder nos dias precedentes.
Há terras onde estas faixas são colocadas, durante a Semana Santa, numa das janelas ou porta de cada casa, sendo, depois da Ressurreição, já no Domingo de Páscoa, substituídas por cruzes floridas.
Já no dia de Páscoa, ainda sobrevive a tradição da Visita Pascal, também conhecida por compasso.
Ainda quanto à minha aldeia, as entradas de casa, junto ao portão da rua, são pavimentadas com alecrim, verdura e flores, como sinal de que se pretende receber a vista da Cruz, grinaldada, simbolizando Cristo Ressuscitado.
Finalmente, há a tradição do Juiz da Cruz, no nosso caso, eleito quatro anos antes, durante a Missa de Dia de Reis. Para além de outras incumbências e encargos, o Juiz é o portador da Cruz e no dia seguinte, segunda-feira, organiza o chamado Jantar do Juiz da Cruz, que por acaso até é almoço. Os convidados são apenas homens casados. Noutros tempos, este banquete era oferecido na própria casa do Juiz, contribuindo os convidados com géneros alimentares, como arroz, açúcar, ovos, galinhas, etç, mas nos tempos actuais, para comodismo de todos, esse serviço é feito num restaurante da zona e a contribuição para ajuda das despesas é feita em dinheiro.
Pelo meio, há a salientar todo o leque de doçaria caseira, desde a regueifa doce, até ao pão-de-ló, doces de coco, doce de amêndoa, biscoitos, etc. Não podem faltar as amêndoas revestidas a açúcar e, claro, o bom espumante português.
Na minha família subsiste ainda a tradição de, logo após a passagem do compasso, o que no caso sucede a meio da manhã, comer-se carne de porco caseira (orelheira e queixada), fumada e acompanhada de pão-de-ló e regada com espumante.
3/27/2009
Viagens pelos livros escolares - 1
Uma das nossas rubricas refere-se à recordação de alguns dos livros escolares do ensino primário que ainda povoam a nossa memória. Com eles aprendemos e por isso foram uma marca indelével na nossa infância e no nosso percurso de homens e mulheres de hoje.
Neste sentido, para além da continuação dessa rubrica, é nosso propósito trazer à memória, de quando em vez, algumas das páginas desses livros, folheadas ao caso, mas que certamente poderão reavivar memórias.
Principio com uma página de um livro de leitura da quarta classe, dos anos 70 (já aqui falado) com um belo poema, de Guerra Junqueiro, dedicado à figura da Mãe.
(clicar na imagem para ampliar)
*****SN*****
3/23/2009
História de Portugal para a 4ª classe
Como não podia deixar de ser, trata-se de um livro que deixou fortes recordações de factos ligados à nossa História, de modo especial os quadros designados como Figuras Exemplares da História Nacional, retratando, entre outros, Egas Moniz, Infante D.Henrique, Luis de Camões, D. Filipa de Vilhena, Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Na capa é reproduzida uma fotografia do castelo de Almourol e na contra-capa uma fotografia da Anta de Tourais - Montemor-o-Novo.
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