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1/30/2026

Vintém - Quem tem?


Quantos de nós já não ouvimos dos nossos avós falar de vinténs, tostões e reis? Hoje em dia, mesmo que com uma dívida pública colossal, tudo é à grande e qualquer pedinte moderno que bata à porta (sim, meio século depois da velha senhora ainda há pobreza) recebe no mínimo 1 euro, que antes da introdução da moeda única europeia, valia 200 escudos. Para avaliar, quando comecei a trabalhar com 12 anos o meu ordenado eram 900 escudos (4,5 euros).

No início do século XX, em Portugal, o sistema monetário baseava-se no real (reis), sendo utilizadas várias moedas de pequeno valor no quotidiano. O vintém correspondia a 20 réis e representava uma unidade muito pequena, usada sobretudo para compras mínimas, como jornais ou um café. Um valor intermédio era o meio tostão, equivalente a 50 réis, ou seja, dois vinténs e meio. 

O tostão, por sua vez, correspondia a 100 réis, isto é, cinco vinténs, sendo uma moeda de valor mais significativo, embora ainda modesto, bastante comum nas transações correntes. Para valores um pouco mais elevados, utilizava-se o meio milréis, equivalente a 500 réis, empregado em pequenas transações diárias de maior monta. Finalmente, o milréis, que correspondia a 1 000 réis, representava um valor considerável, sendo usado em compras mais importantes.

Do ponto de vista histórico, o vintém acabou por ser retirado de circulação por se ter tornado praticamente inútil devido à inflação, enquanto o tostão se manteve em uso durante mais tempo. 

Este sistema monetário vigorou até 1911, ao fim da monarquia, ano em que foi introduzido o escudo, passando esta unidade a equivaler a 1 000 réis, marcando uma profunda reforma na moeda portuguesa.

A partir da base do escudo havia moedas dele, de 50 centavos (meio escudo), 20, 10, 5, 2 1 centavos.

De notas, inicialmente houve de 10 escudos mas depois a mais pequena passou a ser de 20, dela ficando popularizada a verdinha de Santo António.

A de 50, 100, 500, 1000 e depois ainda de 2000, 5000 e até de 10000, estas raras e apenas usadas em grandes negócios. Quase nunca passavam pelas mãos dos pobres.

10/18/2024

Naquele tempo a tinta era de qualidade

 

Fotografia captada no Sábado passado. Não foi, pois, em 1980. Há tinta que teima resistir ao tempo. Até mesmo o anacrónico Avante vai resistindo, até que se apague.

"A Frente Republicana e Socialista (FRS) foi uma coligação de partidos políticos portugueses formada pelo Partido Socialista (PS), União de Esquerda Socialista Democrática (UEDS) e Acção Social Democrata Independente (ASDI), registada em 1 de Agosto de 1980.[1]

A coligação foi formada tendo em vista as eleições de 1980 para a Assembleia da República, tendo obtido 26,65% dos votos.[2] Foi a reacção à esquerda do centro à união de partidos de centro-direita e de direita representada na Aliança Democrática (AD), que fora formada no ano anterior e vencera as eleições de 1979. Mesmo com a união da esquerda moderada na coligação FRS, a AD voltaria a ganhar nas eleições de 1980."

[fonte: wikipedia]

7/07/2024

Fizz de limão - A frescura dos verdes anos 80

 



Quem gosta de gelados, sobretudo dos mais clássicos, terá memórias do Fizz de limão, da Olá.

Apareceu o verdinho na década de 1980, depois saíu de cena e por 2012 era anunciado o seu relançamento um pouco a reboque do programa de memórias do Nuno Markl.

Depois terá voltado novamente a hibernar e agora está aí de novo, pelo menos é o que vai dizendo a propaganda.

Esta coisa dos gelados, marcas e variantes é de modas e tantas vezes por questões de negócio porque na realidade tudo gira em torno do dinheiro.

Seja como for, hoje voltei a saborear o Fizz, com a suas características, forma, cor e sabor. E gostei, porque fresco, bem fresco e com o sabor a limão bem conseguido, muito dentro do natural e já não tanto ao que depressa se percebe que é sintético.

Gostei de recordar e, de facto, por momentos recuei às quentes tardes de Verão da década de 1980. Pena que a viagem seja curta porque gelado no Verão é como manteiga em nariz de cão, pouco dura e não resiste a mais que duas ou três lambidelas.

7/21/2023

O meu ZX Spectrum 128K +2

A malta de agora, os mais novos, claro, não sabem destas coisas porque desde os primeiros momentos em que abriram os olhos e as orelhas ao mundo, ainda antes de se lhes tapar a moleirinha, já viam certamente os seus pais com telemóveis e depois já pela escola começaram a familiarizar-se com os computadores, entre eles os Magalhães, oferecidos às toneladas pelo bondoso do malabarista Sócrates (sendo que não foi por aí que o país escorregou para a bancarrota). Depois pelos aniversários, páscoas e natais, as consolas, as Segas, as Play Stations, os Nitendos, etc, etc., bem como de seguida a procissão com os andores de todas as demais santas tecnologias, que quase num passe de mágica se tornaram comuns e familiares e hoje qualquer um de nós, desde uma imberbe criança a frequentar o Jardim Escola até aos mais velhinhos no Lar, tem pelo menos um computador no bolso, com apps (aplicações) para tudo e mais alguma coisa, só faltando mesmo fazer francesinhas e tirar finos. Mas com tempo...

Ora eu e outros como eu, os cotas, podemos dizer que já fomos a Marte e a Saturno e que regressamos porque de facto o salto, gigantesco, foi quase cósmico, e nunca o aforismo do "ir do 8 ao 80" fez tanto sentido.

Andamos, pois, já acostumados a ter um potente computador no bolso e para além da função básica de fazer e receber chamadas telefónicas há toda uma catrefada de ferramentas tecnológicas para tudo e mais alguma coisa, que o 5G veio exponenciar, e com a AI, Inteligância Artificial, a permitir ao mais burros e iletrados da escola a possibilidade de se fazerem passar por génios, seja lá em que área, tanto a que lhes ensinam a somar 2 + 2,  a plantar alfaces, como a elaborar uma tese de mestrado ou mesmo a contruír um míssel hipersónico. Desde o puro entretenimento e arte de encher chouriços até às engenharias e ciências, tudo cabe ali e está ao alcance da ponta do dedo. E se não cabe, compra-se uma coisa ainda mais potente, com mais gigas, mais memória, mais velocidade nos processadores. E se um Android é coisa de pobretanas, vai-se num iphone xpto que é outra música e sobretudo dá estatuto. Aquela maçã trincada ali na parte de trás da coisa vale agora mais que noutros tempos um livre trânsito para entrar no campo de jogos do clube da aldeia ou na discoteca do bairro com direito a um Highland Clan.

Mas retomando o fio à meada, nos idos da década de 80,  quando os telemóveis eram ficção científica antes de começarem a ser tijolos, e os computadores profissionais coisas tipo sapateiras que ocupavam uma sala e pesavam tanto como um tractor, eu tive um computador portátil, maneirinho. Só não terei sido o primeiro na aldeia porque o comprei ao primeiro, então como agora passados 40 anos, inapto a usar tudo o que tenha teclas. Por isso, posso dizer que o comprei quase virgem, ainda com a caixa a cheirar a novo, e com um custo para o qual dispendi três ordenados e dava para comprar uma motorizada.

Foi, pois, ali por 1986 e uns picos, com o ZX Spectrum 128K +2, também conhecido como Sinclair ZX Spectrum +2, que foi lançado em Setembro desse ano. Então foi uma versão actualizada do ZX Spectrum, um popular computador doméstico lançado pela Sinclair Research Ltd. A versão +2 trouxe algumas melhorias em relação ao modelo anterior, incluindo a capacidade de carregar jogos e programas através de um leitor de cassetes de fita embutido, além de possuir 128KB de memória RAM. Essa actualização fez então do ZX Spectrum +2 um computador ainda mais atractivo para os ainda poucos utilizadores da época.

Convém lembrar que o computador só por si não tinha ecrã pelo que era comprado à parte, sendo que podia ser ligado à televisão e para os jogos poderia ainda ser ligado um joystick. Como se perceberá, com 128K de memória não dava para absolutamente nada de acordo com os actuais padrões, eventualmente para uma imagem de baixa qualidade, mas naquela altura dava para coisas que já pareciam impossíveis. É claro que o ponto forte da sua utilização era os jogos, que podiam ser carregados a partir de uma vulgar cassete do tipo de música, mas cujo carregamento só por si demorava aí uns 5 a 10 minutos e por vezes falhava o carregamento após esse tempo. Era o tempo em que a paciência era uma arte. Por sua vez os jogos nas cassetes podiam ser comprados ou então, como agora, pirateados.

Verdade se diga, então rudimentares como agora sofisticados, nunca me entusiasmaram os jogos de computador, tirando um ou outro, como o popular Chukie Egg, em que alcançar um outro nível era quase como atingir um orgasmo, mas preferia programar outras coias, incluindo músicas cujo som era apenas o monocórdico bip. Mas nesse espírito aprendi a linguagem de programação que o computador usava, o Visual Basic, chegando mesmo a tirar formação e comprando livros. Fiz assim programas de contabilidade e outros na altura inovadores.

A verdade é que não mexendo na coisa há muitos anos, e mesmo que o monitor tenha ido prestar contas ao criador, a verdade é que ainda tenho o computador lá por casa e uma catrefada de cassetes. No fundo são memórias ainda muito vivas e palpáveis e que mais não seja, servem para nos trazer à realidade dos tempos actuais e ter em conta o fosso gigantesco ocorrido em apenas três décadas. 

Nem vale a pena lembrar, mas é claro que desde lá para cá, fomos tomando parte no processo de desenvolvimento e passando por todas as fases, a contar as versões do Windows, a sentir o peso e volume dos computadores e monitores a diminuirem, depois a internet e com ela todo um mundo como a digitalização dos serviços e empresas, as redes sociais, a inteligência artificial, etc. etc, etc.

É o que é, e só quem trilhou essas duas partes do caminho, como nas realidades ou fantasias do país maravilhoso de Alice, dividido pelo espelho, é que pode sentir as diferenças e com elas espantar-se, ou não. Os mais novos, estou certo, nunca as conhecerão nem se espantarão porque entraram e viajarão sempre com o combóio em alto andamento.

Mas fica aqui para os meus seguidores a memória e o testemunho, sobretudo para quem não acredita que foi assim no passado não muito distante.


É BOM SABER:

Ainda a propósito do computador de que falei, na época do lançamento do ZX Spectrum 128K +2 em 1986, havia vários computadores concorrentes no mercado, alguns dos quais competiam directamente com o ZX Spectrum e outros que faziam parte do cenário geral de computadores domésticos da década de 1980. Alguns dos principais concorrentes do ZX Spectrum +2 incluíam:

Commodore 64: Lançado em 1982, o Commodore 64 era um dos concorrentes mais fortes do ZX Spectrum. Ele tinha uma ampla base de utilizadores e uma grande biblioteca de jogos e programas.

Amstrad CPC: A série de computadores Amstrad CPC, lançada em 1984, também era uma concorrente directa do ZX Spectrum. O Amstrad CPC oferecia gráficos e som melhorados e foi uma escolha popular para jogos e aplicações educacionais.

Atari 8-bit: A linha de computadores Atari 8-bit, incluindo modelos como o Atari 800 e o Atari 800XL, também competia com o ZX Spectrum. Foram bastante populares nos EUA e noutros países.

MSX: O padrão MSX foi uma plataforma de computador amplamente adoptada por várias empresas de electrônicos no Japão e noutros lugares. Embora não tenha sido tão popular em algumas regiões, os computadores MSX eram concorrentes do ZX Spectrum em vários mercados.

Apple II: Embora fosse mais comum nos Estados Unidos, o Apple II também foi vendido noutros países  e competia com outros computadores domésticos da época, incluindo o ZX Spectrum.

Esses são apenas alguns exemplos dos computadores concorrentes do ZX Spectrum 128K +2 na década de 1980. O mercado de computadores domésticos já era diversificado e competitivo naquela época, com várias opções disponíveis para os consumidores. Cada um desses computadores tinha as suas próprias vantagens e desvantagens, e a escolha do computador muitas vezes dependia das preferências pessoais e do conteúdo de software disponível para cada plataforma.

De lá para cá o salto foi gigantesco mas em muitos aspectos foram padronizados os sistemas enquanto plataformas, sobretudo no hardware, ficando a diversidade por conta do software e serviços.

7/06/2023

Ano Internacional da Juventude - 1985

 


Está na ordem do dia o evento da Jornada Mundial da Juventude que decorrerá na cidade de Lisboa já na primeira semana do mês de Agosto deste ano de 2023. Espera-se a presença do papa Francisco e a participação de mais de um milhão de jovens peregrinos provenientes de todo o mundo. Antes uma semana decorrerão as pré-jornadas em que largos milhares de jovens serão distribuidos pelas diferentes dioceses  e paróquias, mesmo em contexto de convivência com famílias de acolhimento, num contacto mais próximo com as realidades de cada comunidade. Cá por casa estou igualmente à espera de acolher dois desses jovens.

Nesta onda relacionada à juventude, aos seus desafios e anseios, salta-nos à memória um importante acontecimento também relacionado aos jovens de então, onde me incluia, concretamente o Ano Internacional da Juventude em 1985.  De resto, dentro da sua comemoração, em 31 de Abril realizou-se em Roma - Itália, no Vaticano um Encontro Mundial de Jovens e que de certo modo veio dar lugar às jornadas mundiais da juventude, com a primeira edição a ocorrer no ano seguinte (1986), também em Roma.

O Ano Internacional da Juventude (AIJ), ou Internation Youth Year (IYY), decorreu em 1985 e teve como objetivo central abordar questões e problemas relacionados com os jovens a nível internacional. Esta iniciativa foi proclamada pela Assembleia Geral da ONU e assinada a 1 de Janeiro desse mesmo ano pelo então Secretário-Geral, o peruano Javier Pérez de Cuéllar.

Durante todo o ano de 1985, ocorreram várias actividades em todo o mundo, sob a coordenação do Secretariado da Juventude do Centro para Desenvolvimento Social e Negócios Humanitários, com sede em Viena, Áustria. Mohammad Sharif dirigia esse Secretariado e também ocupava o cargo de Secretário Executivo do Ano Internacional. O evento foi presidido por Nicu Ceauşescu, filho do ditador romeno, Nicolau Ceauşescu.

Embora não tenha organizado eventos específicos sobre este tema, o Secretariado para o Ano Internacional da Juventude contribuiu para o sucesso deste acontecimento, através da colaboração na realização de diversos encontros, tendo como lema "Participação, Desenvolvimento e Paz".

O principal evento da ONU durante o Ano Internacional da Juventude foi o Congresso Mundial da Juventude, organizado pela UNESCO, realizado em Barcelona de 8 a 15 de julho de 1985. Neste congresso, foi emitida a Declaração de Barcelona, um importante documento que resultou desse encontro.

Por cá, recordo-me de participar em vários eventos promovidos a nível vicarial e diocesano, incluindo a realização de um festival da canção de temática a propósito, onde também fiz parte do grupo de jovens da minha paróquia, tendo então vencido a nível vicarial e depois com direito a participar na final a nível diocesano num encontro memorável para os largos milhares de participantes.

Boas memórias, desde logo porque também eu era jovem, mas apesar de decorridos quase 40 anos os jovens, embora com realidades e contextos diferentes, continuam a ter desafios pela frente, sociais, culturais, religiosos mas também existenciais. Enfim, é uma luta que não termina e que dará sempre pano para mangas para anos internacionais, jornadas da juventude e outros eventos que tais sem que algum dia sejam atingidos todos os desafios que se colocam permanentemente e a cada instante aos jovens. Estes, como eu e muitos, acabamos por envelhecer e em rigor, talvez pela natureza das coisas, parece que nada mudou.

Mas fica a memória de um ano e acontecimentos marcantes.




3/15/2023

O ovo estrelado - Dístico de 90 Km

 



Hoje trago à memória o dístico autocolante com a indicação de 90, em caracteres a preto sobre fundo alaranjado, que durante vários anos e até final da década de 1980 era obrigatório afixar na traseira dos automóveis ligeiros conduzidos por quem tinha menos de 1 ano de carta de condução e que na prática limitava a velocidade máxima a 90 km.

Pela sua configuração, ficou conhecido popularmente como "ovo estrelado". Escusado será dizer que de um modo geral era algo que ninguém gostava de utilizar, pois revelava a todos que era um carro conduzido por um "maçarico", termo de calão para quem não tinha experiência, mas na verdade tinha a sua utilidade prática pois de algum modo, para além de servir de contenção para o próprio condutor, alertava os demais  para terem algum cuidado e mesmo compreensão para com o novato na condução.

Ora nos últimos tempos têm circulado nas redes sociais e replicadas por jornais online, a quem se exige algum cuidado, publicações a sugerir quo o regresso do propósito deste dístico, mesmo que com outra configuração, seria novamente implementado, a partir do final do ano anterior, por via de alterações ao Código da Estrada, sendo mesmo invocado o seu art.º 122.º. Em contrapartida tal divulgação tem sido dado como falsa, nomeadamente verificada pelo fact-chech do Observador, e de facto o referido artigo do Código da Estrada  nada fala sobre isso. Prova-se assim que uma mentira replicada muitas vezes parece tornar-se uma verdade. Mas não!

Eis a actual redacção do referido artigo:

1 - A carta de condução emitida a favor de quem ainda não se encontrava legalmente habilitado a conduzir qualquer categoria de veículos fica sujeita a regime probatório durante os três primeiros anos da sua validade.

2 - Se, no período referido no número anterior, for instaurado contra o titular da carta de condução procedimento do qual possa resultar a condenação pela prática de crime por violação de regras de circulação rodoviária, contraordenação muito grave ou segunda contraordenação grave, o regime probatório é prorrogado até que a respetiva decisão transite em julgado ou se torne definitiva.

3 - O regime probatório não se aplica às cartas de condução emitidas por troca por documento equivalente que habilite o seu titular a conduzir há mais de três anos, salvo se contra ele pender procedimento nos termos do número anterior.

4 - Os titulares de carta de condução das categorias T, AM e A1 ou B1 ficam sujeitos ao regime probatório quando obtenham habilitação para conduzir outra categoria de veículos, ainda que o título inicial tenha mais de três anos de validade.

5 - O regime probatório cessa uma vez findos os prazos previstos nos n.os 1 ou 2 sem que o titular seja condenado pela prática de crime, contraordenação muito grave ou por duas contraordenações graves.

Todos os anteriores pontos foram revogados com a mais recente actualização do Código.

Apesar disso e da suposta falsidade das publicações, há quem não concorde com estes limites pois no caso do "ovo estrelado" fez algum sentido quando foi implementado, numa época em que havia uma alta sinistralidade nas nossas estradas, os carros eram menos seguros e as estradas de pior qualidade, mas na actualidade, nesses aspectos as coisas melhoraram. Por outro lado também há quem considere, pelos mesmos motivos,  que já não faz sentido que a velocidade máxima nas auto-estradas seja de 120 Km, limite que foi implementado em 1973. 

Seja como for, sendo pretextos com algum sentido, a verdade é que na actualidade há muitos mais veículos a circular e o que não falta por aí é pilotos de Fórmula 1 a excederem bem acima dos limites de velocidade, tanto nas auto-estradas como dentro das localidades. De resto a maior parte dos acidentes rodoviários resultam de excesso de velocidade e incumprimento dos respectivos limites. Por isso tudo o que possa contribuir para o cumprimento dos limites, mesmo que com algum sinal que ningém gosta de estampar na traseira, será melhor. Caldos de galinha e água benta...

Já agora, algumas curiosidades e evolução de regras ao longo do tempo:

1901 - limite de velocidade nas localidades: 10 km/h.

1928 – é estabelecida a circulação e cedência de passagem à direita

1931 - obrigatoriedade de equipamento dos veículos com pneumáticos

1973 - fixação do limite de 120 km/h nas autoestradas

1977 – utilização do cinto de segurança

1983 – definição do limite de taxa de alcoolemia

1992 – estipuladas as inspeções periódicas aos veículos

1994 – passa a ser obrigatória a utilização de sistemas de retenção para crianças, as “cadeirinhas”.

12/05/2022

RTP Memória - Traz prá Frente


Aos Domingos, à noite, a RTP Memória tem-nos oferecido o "Traz prá Frente", um delicioso programa em que os intervenientes falam sobretudo sobre memórias, pessoas e factos de outros tempos e que povoaram a nossa RTP. Júlio Isidro é o mestre das memórias, ou não fosse a idade um posto, seguido de Álvaro Costa, mas os demais, bem mais novos, como a Inês Gonçalves, a moderadora, o Fernando Alvim e o Nuno Markl, mostram estar com a memória ainda fresca e assim naquelas diferentes gerações a conversa flui informalmente num registo de agradável tertúlia em que todos recordamos e aprendemos.

Leia-se a apresentação oficial do programa:

"Reciclamos o Cartaz TV e trazemos para a frente um debate divertido, mas doutorado, sobre o imaginário da televisão. Inês Lopes Gonçalves modera um debate com um painel de luxo: Fernando Alvim, Nuno Markl, Álvaro Costa, Júlio Isidro e um convidado especial. Numa conversa desempoeirada, lança-se a semana da RTP Memória à mesa, com os melhores conteúdos e surpresas em destaque".

No episódio de ontem, 4 de Dezembro, o 36º da 7ª temporada, foi com agrado que o nosso blogue, "Santa Nostalgia" foi citado pelo Álvaro Costa, a propósito de pesquisa sobre um dos assuntos falados no programa, no caso a dupla cómica "Olho Vivo e Zé de Olhão", interpretada por Herman José e Joel Branco, no saudoso programa de entretenimento "A Feira", isto na segunda metade da década de 1970.

De resto já Nuno Markl, aqui há uns anos, se tinha referido ao blogue numa das suas rubricas na Rádio Comercial a "Caderneta de Cromos", a propósito do cromo "carrinhos de rolamentos".

É sempre gratificante saber que as memórias que partilhamos, pessoais mas simultaneamente colectivas, continuam ainda a mexer e a interessar a gente de várias gerações. De resto, com frequência somos contactados e solicitados a colaborar numa ou noutra situação, como já também aconteceu, de forma mutuamente enriquecedora, com o popular jornalista da RTP, Mário Augusto, aquando da publicação dos seus dois livros "A Sebenta do Tempo" e ainda o "Caderno Diário da Memória", dois tesouros de ricas memórias, que são dele, do Mário, mas seguramente de todos os da sua geração e à volta dela.

12/01/2022

Regina - Chocolates





Já aqui tivemos oportunidade de falar da Regina. emblemática e tradicional marca de chocolates, com memórias e sabores que fazem parte de várias gerações de portugueses.

Hoje, a reboque de um pedido de uma nossa leitora, deixamos aqui mais algumas imagens desses saborosos produtos da Regina, nomeadamente as pequenas e deliciosas tablets com os amorosos gatinhos ron-ron.

[fonte: Regina]

7/29/2019

O Duplicador - Porque duplicar é preciso

Hoje em dia damos como fácil e certo o processo de reprodução e cópia de documentos, seja num ambiente doméstico, com recurso a uma simples impressora ligada ao computador, com ou sem fios, seja no escritório, na empresa ou escola. Para quantidades e outras exigências de formato e de tipo de suporte, existem de forma generalizada os centros de cópias,  com modernas fotocopiadoras a laser, plotters e mesmo outros equipamentos, versáteis e hoje em dia já com custos baixos.

Noutros tempos, porém, e nem será necessário recuar aos tempos da reprodução pela escrita ou os imediatamente posteriores à invenção da impressão por Gutemberg o processo de replicação de documentos era um empreendimento complexo, moroso e relativamente dispendioso.

Mas recuando apenas quarenta ou cinquenta anos, e pondo de lado a particularidade da impressão relacionada às gráficas, editoras livreiras e imprensa, mas ainda antes da generalização das fotocopiadoras e mais tarde às impressores térmicas, de jacto de tinta e a laser, as necessidades de impressão em série e em grandes quantidades em ambiente de empresa, de escola ou de qualquer organização, encontravasolução nos duplicadores, inicialmente apenas mecânicos e mais tarde com rotação eléctrica.
Estes duplicadores, também designados de mimeógrafos, sobretudo os populares da marca Gestetner, permitiam de facto a reprodução de cópias em quantidade a um custo de produção acessível.

Um duplicador ou mimeógrafo, embora com o mesmo objectivo de uma fotocopiadora, na realidade era um elemento de impressão, com um sistema rotativo, já que obrigava à utilização de uma matriz ou molde como original, em concreto uma película chamada stencil. Este stencil era constituído por um papel especial o qual introduzido na máquina de escrever permitia ser parcialmente perfurado pelos caracteres metálicos, o que depois de encaixado no duplicador permitia passar a tinta pelos orifícios e assim obter uma cópia. Para além do texto, com algum cuidado e engenho, utilizando estiletes metálicos era possível também gravar alguns desenhos, mesmo que pouco elaborados, sob pena de danificar o stencil.



A tinta, com base de álcool, para ajudar a secar rapidamente, era adquirida em grossos tubos dos quais se injectava num cilindro rotativo de base porosa que absorvia a tinta. Depois era girar a manivela manualmente com uma velocidade adequada. A força centrífuga e a pressão do rolo com o papel impelia a tinta através da matriz e assim obtinha-se cada cópia. Para imprimir no lado oposto, era necessário deixar secar as folhas impressas num dos lados e voltar a introduzir a nova matriz e voltar a repetir o processo.
Por conseguinte, era um processo de cópia relativamente barato mas de baixa qualidade e a exigir algum esforço e habilidade em todo o processo.

Este tipo de equipamento de reprodução de cópias tornou-se muito popular e acessível nos anos 70, nomeadamente no período pós revolução do 25 de Abril de 1974 permitindo aos partidos e organizações sindicais e políticas imprimir em grandes quantidades e a baixo custo os seus panfletos de propaganda (abaixo, ver imagens das impressões típicas deste sistema). Também eram muito utilizados em escolas, empresas e outras organizações que necessitavam de formulários e outros documentos.




Cá pela minha aldeia, pertencia eu a uma associação cultural e recreativa que durante várias anos, toda a década de 80 e parte da de 90, publicou um jornal mensal, que durante uma boa parte desse tempo foi impresso com recurso ao duplicador. Inicialmente mecânico, depois eléctrico e mais tarde substituído por uma máquina de impressão offset, embora esta de formato ligeiramente inferior ao A3, mas que permitia, em diferentes etapas, introduzir cor, o que em edições especiais usávamos para distinguir o título do jornal e de notícias. Ora a vermelho, ora a azul.

Especiais tempos esses, que contados agora à nova rapaziada ser-lhes-á difícil acreditar face à facilidade e generalização das impressoras e modernas fotocopiadoras.

Assim, de modo especial o Duplicador, foi de uma importância fulcral no desenvolvimento e acesso à cultura e à informação, pelo que tem um papel e um lugar especiais nas nossas memórias colectivas.

6/04/2019

Motorizadas e motorizadeiros



Tecnicamente a coisa designa-se de ciclomotor, que em regra corresponde a um veículo de duas ou três rodas, equipado  com um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda 50 cm3 e com velocidade máxima de fabrico programada para os 50 km hora. 
Mas entre nós, este bicho na versão de duas rodas, equipado com o tal motor de 50 cm3, mas com velocidades máximas que podem perfeitamente atingir 100 Km/hora, popularmente designa-se de motorizada. A única diferenciação para um motociclo ou mota é fundamentalmente a cilindrada e obviamente a estrutura e tecnologia adequada à potência e velocidade. 

As motorizadas existem, pois, há bastantes anos, mas entre nós generalizaram-se na década de 70 e 80. Depois disso entraram na moda as práticas scooters, menos barulhentas e poluentes  e mais económicas. Com o aumento do poder de compra, depressa os automóveis e motociclos de maior potência e capacidade tecnológica, sobretudo das marcas japoneses, vieram quase de forma definitiva encostar as velhinhas motorizadas ou mesmo remetê-las para a sucata. Em face dessa realidade, pelo final dos anos 80 e seguintes algumas das nossas mais emblemáticas empresas fabricantes de motorizadas acabaram por fechar portas e na falência.

Há poucos anos, porém, entrou na moda o mercado dos artigos clássicos ou chamados vintage. Tal como muitos outros produtos, incluindo os coleccionáveis, como cromos, brinquedos, revistas, livros, relógios, etc, as motorizadas tornaram-se também objectos apetecíveis para tal mercado, em muito impulsionado pela saudade de outros tempos. Assim, quem pelos anos 70 e 80 comprou a sua motorizada logo que completou os 18 anos de idade, agora já quarentões e cinquentões, estão a recuperá-las e a dar-lhes nova vida, juntando-se em grupos ou em clubes, designados de motorizadeiros, que aos fins-de-semana, nomeadamente quando o tempo o permite, se reúnem, dando umas voltinhas e convivem dando a conhecer as suas "meninas" ou "princesas", trocando experiências e aspectos técnicos ligados às peças e ao restauro e partilhando memórias de outros tempos.

É certo que para trás ficaram os verdes anos de adolescentes montados nas suas motorizadas, percorrendo velozes os sítios e festas à procura de raparigas, e agora as pobres motorizadas, também elas com o peso dos anos, mesmo que renovadas no aspecto e mesmo em algumas peças, vêem-se montadas por homens de meia idade, invariavelmente gordos e barrigudos, numa imagem de nostalgia mas com uma boa dose de caricatura. Mas as coisas são como são.

Com toda esta moda, estão abertos mercados de venda de peças e de restauro das velhinhas motorizadas e há modelos para todos os gostos, mas quase sempre ligados aos clássicos motores e modelos de marcas como Sachs, Casal, Zundapp, KTM, Famel, EFS, SIS, Macal, Florett, Kreidler, etc. Os mecânicos de motorizadas encontraram um nicho de marcado e não têm mãos a medir. O que dá para restaurar restaura-se, e o que não, vende-se em peças. Uma qualquer motorizada que pelos anos 70 ou 80 custava 50 ou 60 contos vende-se agora, devidamente restaurada, a 1000, 1500, 2000 euros e até mais, dependendo da idade e raridade do modelo ou do estado de conservação base.

Pela minha parte, logo no início de 1980 comprei também uma motorizada, que ainda possuo, um modelo da EFS Fórmula 1 com motor alemão da Sachs, de 5 velocidades, cor preta. O mesmo modelo mas com variantes, também foi comercializado com o motor Kreidler, tipicamente da Florett, mas também com  Zundapp e Casal, bem como noutras cores, nomeadamente um dourado/cobreado e mesmo vermelho. Se a memória me não atraiçoa, esta Fórmula 1 era dos modelos mais caros disponíveis no stand e custou-me cerca de 60 contos, pagos a prestações garantidas por letras de câmbio. Deu muitas voltas em tempos de solteiro e mesmo já depois de casado, e dessas muitas voltas sobram muitas histórias à sua volta.

Depois de comprado o primeiro carro, tem estado encostada e apenas muito ocasionalmente  a ponho a trabalhar para que não "adormeça" definitivamente. Por estes dias, tirei-lhe o pó, e depois de alguns empurrões lá pegou e até permitiu dar uma pequena volta. Até uma nova oportunidade, vai voltar a ficar encostada.
Por um lado há a tentação de a restaurar, com pintura e cromados novos e reposição de uma ou outra peça já desaparecida ou avariada e uma afinadela no motor. Mas por outro lado não sou adepto de restauros profundos porque acho que as coisas têm que demonstrar o peso e o efeito dos anos e do uso. Daí que muitos as queiram afinadas mas com a patine ou marcas próprias do tempo. Mas são opções e até há muitos motorizadeiros que à falta das suas motorizadas originais, que venderam ou mandaram para a sucata, acabam agora por comprar semelhantes às que tiveram ou desejaram ter. Sentimental e afectivamente não é a mesma coisa, mas remedeia.

Seja como for, mania, moda, saudade ou mais do que isso, não deixa de ser interessante e positivo que se recuperem velhas máquinas que tiveram um papel importante na vida de muitas pessoas, num tempo em que os meios eram poucos e os automóveis um luxo reservado a ricos.

Pessoalmente, confesso, não ligo patavina às motos (com excepção das verdadeiras clássicas) e o conceito de motard não me diz absolutamente nada e acho tanta piada a uma concentração de motas e motards como estar parado numa fila de trânsito em plena auto-estrada num dia de calor tórrido. Em contrapartida, quanto às motorizadas, estas têm de facto alguma magia pela sua simplicidade mecânica e estrutural e pelo contributo que deram a uma certa classe operária, traduzindo-se num meio de transporte prático e económico, ajudando assim ao desenvolvimento de uma grande parte da população portuguesa, de modo notório nesses idos anos de 60, 70 e 80. Por outro lado, muito ao contrário das motos, as motorizadas tiveram em Portugal, sobretudo na região da Bairrada, uma importante implementação industrial que em muito contribuiu para o desenvolvimento não só da região como do país. Foi um sector com história e tradição.

É certo que os tempos actuais são outros, e continuam a vender-se motas e motociclos, incluindo chinesas, até em resposta ao crescente aumento dos combustíveis, mas já num contexto social muito diferente, sendo que, todavia, o automóvel veio definitivamente sufocar a importância dos concorrentes de duas rodas. Mas com os combustíveis a subirem a preços quase criminosos, porque altamente afectados por impostos, não tardará o tempo em que os  carros, pelo menos nas urbes, darão a lugar aos bichos de duas rodas e até mesmo a bicicletas, de resto como já sucede em muitas cidades e muitos países.

Vejamos, entretanto, se esta moda das motorizadas e dos motorizadeiros será sol de pouca dura ou se veio para ficar, sendo certo que as velhinhas máquinas nunca perderão a sua magia e o seu peso histórico.

Quanto à EFS, a ter em conta alguns dados publicados pela web,  a marca nasceu em 1911, fundada por Eurico Ferreira de Sucena, com estabelecimento na Borralha, em Àgueda,  então como fabricante de de acessórios para bicicletas e para o ciclismo. Anos depois, em 1939, a EFS fabricou as primeiras bicicletas a pedais e posteriormente em 1952 iniciou a produção de bicicletas equipadas com motor.
A década de 1960 foi muito positiva para a marca de Eurico Ferreira de Sucena, com um incremento das encomendas para o mercado interno mas também com o início das exportações dos seus veículos para alguns países europeus, americanos e mesmo asiáticos.

A empresa continuou a crescer nos anos seguintes e em 1974 entrou em laboração uma segunda unidade industrial, localizada em Avelãs de Caminho - Anadia, dando-se simultaneamente a mudança da sede e administração da EFS.
O grosso da produção centrava-se então nos ciclomotores mas em 1978 a empresa dá corpo aos motociclos com a fabricação de uma moto de 125 cm3 equipada com motor Puch, de dois tempos. De resto a empresa não tinha motor de fabrico próprio e os seus modelos eram equipados sobretudo com motores Sachs, Zundapp, Casal, Puch e Kreidler, Cucciolo, Derbi, Minarelli e até mesmo da japonesa Yamaha.

Já na década de 1980, embora ainda com muita venda de ciclomotores, a EFS deparou-se com forte concorrência, nomeadamente de outros países e acabou por entrar em decadência e veio mesmo a encerrar as portas.  De resto esta mexida no mercado por essa época afectou muitas empresas do ramo, como a Macal, Casal, Famel e muitas outras que caíram inapelavelmente deixando um rasto de história.

Por sua vez, a metalurgia Casal foi fundada em 1964 por João Francisco do Casal. Foi a maior fábrica de motores nacionais, produzindo motores de diversas cilindradas para diversos fins, incluindo motociclos. A Casal foi a marca portuguesa que atingiu maior notoriedade e chegou a exportou para diversos países.
A Famel, Fábrica de Produtos Metálicos, foi fundada em 1949 na Mourisca, em Águeda, por João Simões Cunha, Augusto Valente de Almeida e Agnelo Simões.

12/02/2017

Programação da RTP de 12 de Fevereiro de 1966

Na programação da então jovem RTP para o dia 12 de Fevereiro de 1966, um sábado, não deixa de ser curioso que a mesma fosse dividida em dois períodos, um deles dedicado ao Curso Unificado da Telescola e um segundo com a programação normal. Por conseguinte, esta particularidade, de por esse tempo a Telescola ter aulas ao sábado de tarde, é deveras curiosa e de algum modo ilustrativa das especificidades de outros tempos.

1º Período:
15:00 H - Canto Coral
15:30 H - Religião e Moral
15:50 H - Trabalhos Manuais
16:20 H - Educação Física
16:45 H - Orientações C.U.T. (Curso Unificado da Telescola)
17:00 H - Ginástica Infantil

2º Perído:
17:30 H - Abertura e Telejornal - Edição da tarde
17:45 H - Thunderbirds


18:30 H - TV Educativa - Educação Musical
19:00 H - Programa Juvenil
19:30 H - Vida Sã em Corpo São - Pelo Dr. Ramiro da Fonseca
19:45 H - Diário de Bordo
20:15 H - Naquele Tempo
20:30 H - Teledesporto
21:00 H - Telejornal - Edição da Noite


21:25 H - Informação sobre o Tempo
21:35 H - Cartaz TV - Por Jorge Alves


21:45 H - Folclore - Transmissão dos estúdios do Porto com apresentação de Pedro Homem de Melo


22:15 H - Reportagem do Exterior
23:15 H - Uma História por Semana - Texto e interpretação de Henrique Santana - Realização de Fernando Frazão
23:40 H - Telejornal - Últimas Notícias
23:45 H - Meditação e Fecho

10/31/2017

Mário Augusto - Caderno Diário da Memória



O conhecido jornalista e autor, Mário Augusto, vai lançar novo livro o qual de algum modo é uma continuação ou complemento do livro "A Sebenta do Tempo" lançado no ano passado. 

Sinopse:
O baú das memórias não tem fundo. E quando se começa a vasculhar lá dentro, é difícil parar. Se pensou que ficou tudo dito (e recordado) na Sebenta do Tempo, desengane-se. Mário Augusto tem uma memória prodigiosa e promete fazê-lo recordar-se até do cheiro do dinheiro antigo. Ainda se lembra quanto custava um bitoque? A festa que se podia fazer com 20 escudos? Como é que se construía um papagaio de papel? Então e o depilatório Taky? Ainda há muito que recordar, e vai ver que gosta da viagem! «Há um ano, chegava-lhes às mãos "A Sebenta do Tempo". Fui surpreendido pela excelente receção que teve e, por isso, decidi continuar a vasculhar no baú das recordações, tirando notas para passar a limpo as folhas do nosso "caderno diário da memória". 

A convite pessoal do autor, procurarei estar presente na apresentação, que terá lugar no próximo sábado pelas 17:00 horas no Centro Multimeios em Espinho.

2/19/2017

O papel químico

 O "papel-químico", também conhecido por papel de carbono, faz parte da nossa história e memória colectivas. Durante muitas décadas foi um elemento imprescindível em tudo quanto era gabinete, agência, escritório ou repartição onde se tratasse de papelada, cartas, ofícios, facturas e muitos outros documentos e fosse necessária a sua duplicação ou reprodução. Também usado para reproduzir documentos escritos manualmente, mas também e sobretudo com uso na máquina de escrever, sendo colocado entre duas folhas e por vezes até mais.

Os tempos mudaram, vieram as reproduções por álcool, os duplicadores rotativos com stencil, os computadores e com eles as impressoras a laser e jacto de tinta que se tornaram acessíveis, porque baratas, e hoje o papel químico, ainda produzido e comercializado, serve apenas para uns trabalhos específicos, desenrascanços e sobretudo para utilizadores avessos às novas tecnologias e que vão resistindo a trabalhar ainda à moda antiga. Apesar disso, embora com tecnologia diferente, o princípio do papel químico está ainda amplamente  incorporado em muitos documentos, formulários e impressos burocráticos.

O papel-químico, do inglês carbon-paper, terá sido patenteado no longínquo ano de 1806, em Inglaterra por Ralph Wedgwood, pioneiro na reprodução e cópias em escritórios, a que chamou de “noctograph” uma vez que o seu propósito inicial era ajudar a escrita no escuro, ou seja, para os invisuais, com a ajuda de um estilete. Há, porém, fontes que referem a sua invenção ter ocorrido uns anos antes, em 1801, em Itália, pelo inventor Pellegrino Turri que o concebeu como suporte de tinta para a sua primeira máquina de digitação mecânica, vulgo máquina de escrever, fazendo impregnar  as folhas de papel com tinta preta a que baptizou de  “carbonated paper”. Nessa altura ainda não havia sido inventado o sistema de fita.  A ideia, embora inovadora numa época em que quase todos os documentos eram escritos à mão, não se popularizou e por questões de segurança  e receio de falsificação de documentos, os tribunais não aceitaram a sua utilização quase até ao final do séc. XIX. No entanto, nos Estados Unidos, com a crescente generalização das máquinas de escrever, o papel-químico tornou-se popular e depressa o seu uso e importância alargaram-se à escala global.
Em cor base azul ultramarino ou preto, mas também em vermelho e verde, este emblemático papel foi sendo comercializado entre nós por várias marcas mas sobretudo pela Pelikan ou a Kores, esta fundada em Viena – Áustria, fabricante de papel químico desde 1887 e que em  1912 lançou o sistema de fita para as máquinas de escrever.

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11/26/2016

Caderneta de cromos de futebol - 261120161

 

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História e Figuras do campeonato Nacional de Futebol da 1ª Divisão – 1955-1956

Uma das interessantes cadernetas de cromos de futebol da década de 50, editada pela APR – Agência Portuguesa de Revistas. Foi pena que esta editora não tivesse dado muita atenção às cadernetas de cromos no tema futebol pois as que editou tiveram sempre uma qualidade acima da média do que era corrente na época. Mesmo assim deixou para a História cerca de uma dezena de títulos dos quais este terá sido o primeiro.

Uma das razões para tão escassa produção neste sector específico do coleccionismo, poderá estar no facto das suas colecções fugirem da norma da altura, com cadernetas associadas a casas de confeitarias com preços de venda muito baixos o que as tornava acessíveis aos consumidores da época, no geral pouco ou nada endinheirados, em que todos os tostões eram contados. Por conseguinte, para além da guloseima, sempre apetecível por mais modesta que fosse, a rapaziada coleccionava os seus ídolos da bola com poucos tostões e ainda com a sempre desejada possibilidade de calhar em rifa um brinquedo ou mesmo uma bola. A qualidade gráfica na época não era de todo tido em conta na hora de investir no quiosque na cidade ou na tasca e mercearia da aldeia.

11/07/2016

A Sebenta do Tempo - Mário Augusto

Conforme previsto, neste sábado passado, dia 5 de Novembro, pelas 18:00 horas, no auditório do Centro Multimeios da cidade de  Espinho, decorreu o evento da apresentação do mais recente livro do conhecido jornalista da RTP, Mário Augusto.  "A Sebenta do Tempo", uma autêntica viagem pelas memórias e nostalgias de um espaço temporal centrado entre 1965 e 1985. São as memórias e a visão do Mário Augusto, mas comuns às gerações de 50, 60 e 70, seguramente. Como não podia deixar de ser, o Santa Nostalgia marcou presença.

Pela popularidade do autor, a sala António Gaio do Multimeios de Espinho esteve repleta de gente interessada e que pode assistir a uma viagem no tempo já que Mário Augusto preparou para o efeito uns vídeos que nos transportaram a esses deliciosos tempos de infância e adolescência.

Pela nossa parte, apesar do humilde contributo para este livro do Mário Augusto, ficamos lisonjeados pela referência que fez ao Santa Nostalgia. 

Certamente que o livro vai ser um sucesso editorial da Bertrand e o Mário Augusto merece, porque tem qualidade, humildade e um grande coração cheio de calor "com propriedades turbo-eléctricas", como as saudosas camisolas interiores  Thermotebe.

10/06/2016

A Sebenta do Tempo - Mário Augusto


Noticia fresquinha em antestreia... terminei um livro que vai divertir a malta. Partilhem se assim entenderem. Eu agradeço.
Memorizem esta capa de livro porque em Novembro, logo na primeira semana, quando chegar ás as livrarias, ele será para a malta que cresceu nos anos 60, 70 e 80 como que um divertido elixir da memória. Andei meses a pesquisar, a perguntar a amigos da minha geração, desempoeirar as recordações. Nem vos conto o prazer que deu....
A SEBENTA DO TEMPO é para os que viram “Os Pequenos Vagabundos” e desejava, ao crescer, ser como o Jean-Loup…
Os que na escola, sabiam toda a lengalenga dos caminhos-de-ferro de Angola ou por onde passava o rio Zambeze em Moçambique – com a mesma certeza e convicção com que aprendiam que o Mondego nascia na Serra da Estrela – e era tudo dito naquele sincopado musical com que cantarolávamos a tabuada, de cor e salteado…
Para quem levou umas reguadas da professora ou chorou com a Heidi na televisão...
Ou para os que se lembram que beijou ou foi beijado(a), agarradinho(a), ao som do “Hotel Califórnia” dos Eagles ou do “We’re all alone” da Rita Coolidge...
Talvez encontre utilidade nesta “Sebenta do Tempo –manual da memória para esquecidos”. Porque há um tempo na vida que nunca se pode deixar de evocar. E de recordar.
Alguém me explica por que será que, quando tínhamos 15 anos, o verão parecia mais azul? Os nossos verões eram mesmo mais azuis e quentes, as férias grandes eram mesmo grandes, até outubro, já depois da chegada do Outono.
O mundo da nossa infância era gigante e a nossa rua interminável para as brincadeiras.
Os heróis da BD custavam vinte e cinco tostões em desenhos a preto e branco.
A simplesmente Maria arrasava corações.
As laranjadas faziam piquinhos refrescantes na boca.
Os beijos dados na adolescência jamais foram repetidos com sabor a chiclete.
Como sempre aconteceu com todas as gerações, acelerávamos os dias a pensar na idade adulta e hoje travamos o tempo a recordar os nossos melhores anos.
Até ao lançamento deste livro de doces recordações de uma geração que ainda se lembra onde estava no 25 de abril...(talvez na escola ou a jogar á bola!), eu vou desvendado bocadinhos do seu conteúdo que vai apanhar distraída a memória de muita gente. Peço-lhes que partilhem a informação, vou dando pormenores de lançamento e aceito sugestões para essas sessões de lançamento.

Obrigado Mário Augusto

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O Blogue Santa Nostalgia fica obviamente satisfeito com esta notícia, expressa pelo conhecido jornalista da RTP, Mário Augusto, na sua página no Facebook. Desde logo porque neste livro são trazidas à memória muitas das recordações que ao longo de 10 anos temos aqui publicado. Neste sentido, o Santa Nostalgia é também uma sebenta do tempo, não em papel mas online.
Para além disso, foi com humildade e satisfação que a pedido do Mário Augusto fomos colaborando neste seu projecto, avivando uma ou outra memória ou facultando esta ou aquela imagem ou fotografia. Para nós foi um privilégio. Esperemos que esta Sebenta do Tempo seja um sucesso. Certamente que será porque tem todos os ingredientes para isso, desde logo a qualidade do autor.

9/21/2016

A Família Prudêncio





Pelos primeiros anos da década de 1970, a RTP, a preto-e-branco, pois claro, passava com frequência a pequena animação "A Família Prudêncio", a qual, encomendada por entidade estatal, num registo ligeiro e divertido informava e instruía o Portugal rural dos procedimentos de higiene e segurança a ter com os pesticidas.

Em resumo, numa época em que se generalizava o uso de pesticidas pela gente da lavoura, o filmezinho era um importante aviso à prudência e ao cuidado. É certo que decorrido quase meio século, à luz dos actuais conhecimentos sobre os pesticidas, concluímos que os Prudêncios até tinham procedimentos incorrectos e imprudentes, como o enterrar e queimar das embalagens, mas na altura era uma prática considerada adequada. Mas é assim a evolução dos tempos e certamente que muitos dos procedimentos de hoje parecerão retrógados daqui a mais algumas décadas.

Esta curta animação foi realizada por Artur Correia para os estúdios Top Filme. De resto, para além de em 1970 realizar "Eu Quero a Lua",  considerada a primeira animação portuguesa, são dele outras emblemáticas animações da época, porventura a mais conhecida a ""Vamos Dormir/Meninos Rabinos", de 1971 e que durante algum tempo, com a família Pituxa dava sinal aos mais pequenos para recolherem às caminhas.




O Valorfito, sistema integrado de gestão de embalagens e resíduo em agricultura, aproveitando o conceito, deu uma nova vida à família Prudêncio, com outro grafismo e com as modernas tecnologias mas, não, não é a mesma coisa. 


Sobre o Valorfito
O sistema Valorfito surgiu em 2005 após a aprovação do licenciamento por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com o objectivo de proceder à recolha dos resíduos de embalagens primárias de produtos fitomarcêuticos e sua gestão final, encaminhando-as para as estações de tratamento e valorização energética.
O sistema permite que os produtores agrícolas possam dar o destino correcto aos resíduos dos produtos fitofarmacêuticos que geram nas suas explorações, cumprindo a legislação em vigor nesta matéria.
O sistema Valorfito é gerido pela Sigeru, Lda., uma empresa participada pela Anipla – Associação Nacional da Indústria para a Protecção das Plantas – e pela Groquifar – Associação de Grossistas de Produtos Químicos e Farmacêuticos.

7/26/2016

Revista GINA



Quem das gerações das décadas de 1970 e 1980, sobretudo rapazes, não leu, mesmo que às escondidas, a revista GINA, com o sub-título Histórias Sexy Internacionais? Na realidade, convenhamos, a leitura e as histórias eram o menos interessante da coisa, antes as fotos coloridas e brilhantes, mas esta revista quando entrou no mercado mexeu com o até aí quase inexistente ou clandestino panorama da pornografia em Portugal e aproveitou-se com êxito desse vazio, num momento oportuno, no período pós revolução do 25 de Abril de 1974, em que o povo andava sedento de liberdade mas também de outras coisas mais carnais.

Esta revista, publicada desde Setembro de 1974 até 2005, ao que dizem com um historial de 196 números, foi de imediato um estrondoso êxito e o preço inicial de 25 escudos (fica a dúvida se 25 ou 30) ia sendo alterado ao ritmo da crescente procura, galgando por aí fora até pelo menos aos 600 escudos. As tiragens de largos milhares suplantaram muitas das revistas sérias e populares da época.

A revista produzida pela editora Pirâmide, de Mário Gomes e o seu irmão Acácio, tinham na essência conteúdos adquiridos ao já libertino e abundante mercado alemão e traduzidos ou adaptados com textos do próprio Mário, obviamente sem qualquer preocupação literária. As capas, de modo a poderem ser expostas no estendal dos quiosques, regra geral eram púdicas, com rostos de mulheres larocas, com ares de virgens inocentes, o oposto das cenas interiores, bem mais ousadas. O papel era brilhante, com tons coloridos e algo resistente a humidades, como convinha.

Como tantos títulos, do fulgor e novidade iniciais, a coisa tornou-se vulgar e mais uma entre muitas outras, ou seja mais do mesmo, pelo que a GINA foi perdendo gás e a estocada final veio com a popularidade e facilidade do acesso grátis à pornografia tanto na TV por cabo como sobretudo na Internet que se começava a generalizar. Nos últimos tempos era vendida a preço de saldo em sacos com outras revistas da editora, tipo pague uma e leve meia-dúzia, mas o destino estava traçado e acabou mesmo por terminar. 

Hoje, passados quase quatro décadas, a revista GINA é recordada como um produto emblemático de um tempo pós revolução e que na justa medida ajudou à descoberta da sexualidade mesmo que num registo de pornografia ordinária. É pois neste contexto que a GINA ainda mexe nalguns alfarrabistas e quem compra é por por pura saudade. 
No resto, perdida a inocência,  e tendo em conta os padrões actuais de performances das meninas da indústria do Hardcore, as meninas da GINA hoje ficariam coradas de vergonha.

Bons tempos e por tudo e mais alguma coisa a GINA merece um lugarzinho especial nas nossas memórias.

5/04/2016

A minha comunhão solene - Pagela

Um dos nossos tópicos mais populares é "A Comunhão Solene ou Profissão de Fé". Não sabemos se pela importância da memória e evocação se por encaminhamento de quem procura estampas ou "santinhos" sobre este marcante celebração no culto da religião católica.

Um pouco dentro desse contexto, rabiscamos nós próprios uma dessas estampas, também conhecidas por pagelas ou "santinhos". Aqui fica, com as naturais reservas de autor.




Nota de 500 escudos



Saudosa nota portuguesa de 500$00 (quinhentos escudos). Apresenta a efígie de D. João II e circulou pelas carteiras dos portugueses entre 04 de Novembro de 1966 e 29 de Janeiro de 1988.O prazo legal para trocar esta nota por euros terminou  vinte anos depois, ou seja, em 29 de Janeiro de 2008.

Alguns dados sobre esta bela nota, recolhidos no Banco de Portugal:

Chapa de elevada qualidade técnica, tem como motivos salientes a efígie do Rei D. João II, o Príncipe Perfeito (1455-1495), e um pormenor dos grupos escultóricos que decoram o Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, de autoria do Mestre Leopoldo de Almeida. O retrato patente nas notas é cópia de uma pintura existente no Kunsthistorisches Museum, de Viena, da colecção do Arquiduque Fernando do Tirol, e identificado como sendo do décimo terceiro rei de Portugal. Na altura do aparecimento desta nota gerou-se certa controvérsia na atribuição dada, sustentando alguns entendidos que o referido retrato, devido a determinados elementos iconográficos (chapéu, camisa, barba e corte de cabelo), era mais susceptível de representar D. João III ou até D. Manuel I. Estas opiniões, também refutáveis, motivaram novas contestações, não se chegando, porém, a uma conclusão definitiva de consenso geral.

Emissões: 111 073 000 notas com as datas de 25 de Janeiro de 1966 e 6 de Setembro de 1979; primeira emissão: 17 de Outubro de 1966; última emissão: 6 de Abril de 1982.

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Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

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