Das muitas séries de TV que passaram nos idos anos de 70 - tão caros à nossa infância de quarentões - não resisto a trazer à memória “Os Pequenos Vagabundos” (Les Galapiats, no original). A série foi repetida pela RTP no início dos anos 80.
Como série, até foi pouco extensa (apenas 8 episódios de cerca de 30 minutos cada), mas deixou marcas indeléveis no espírito aventureiro das crianças da altura, até porque cada episódio era a continuação do anterior, pelo que o suspense deixava marcas durante toda a semana.
A forte memória sobre Os Pequenos Vagabundos prevalece desde logo porque os heróis eram um grupo de crianças e jovens adolescentes, com os quais cada um de nós se identificava e personalizava de acordo com os seus sonhos, mas também pela envolvência e cenário da história. Como sinopse, importa lembrar aos mais esquecidos, que a aventura decorreu num campo de férias, onde um grupo de amigos partiu à aventura da busca de um tesouro perdido da antiga ordem dos Templários. O Castelo Sem Nome, imponente e deslumbrante na sua silhueta medieval, emprestou a toda a série um ambiente de mistério, segredos, perigos e coragem. Para apimentar a aventura, o grupo de amigos teve que lidar com um perigoso grupo de bandidos que haviam realizado um assalto a uma carrinha carregada de ouro, raptando a filha do condutor. Como convém, no final os criminosos foram derrotados e os jovens heróis foram os vencedores.
Quem não se lembra das fantásticas cenas da integração de Lean Loup no grupo, a escalada à torre do castelo, o percurso na gruta, o esconderijo dentro de uma armadura de cavaleiro, em plena reunião da quadrilha de ladrões e outras incríveis passagens, repletas de acção e suspense? A abertura da série e a sua inconfundível música, ainda prevalecem nas nossas profundas memórias, mas simultaneamente tão à superfície da alma e próximas como se tudo acontecesse ontem.
Apesar da série ter passado na RTP a preto e branco, tornou deveras coloridos os sonhos e fantasias de muitas crianças do nosso tempo.
Recordo-me que toda a rapaziada ficou apaixonada pela doce Marion-des-Neiges e nas diversas brincadeiras fingiam ser o Jean Loup ou Bruno, o Cowboy.
Hoje sabemos que a série foi uma co-produção da RTB da Bélgica, com outras televisões de outros países, ORTF-França, SSR-Suiça, SRC-Canadá, tendo sido rodada em 1969, com a novidade de então, ser já produzida a cores. Para além de Portugal, a aventura dos Pequenos Vagabundos foi um êxito de popularidade em muitos países.
A série foi captada em Stavelot, na Bélgica e as inolvidáveis cenas foram rodadas no castelo de Beersel e as interiores no castelo de Velves.
O principal elenco: Philippe Normand (Jean-Loup), Marc di Napoli (Bruno, o "Cow-Boy"), Beatrice Marcillac (Marion-des-Neiges), Thierry Bourdon (Patrick), Jean-Louis Blum (Byloke), François Mel (Lustucru), Realizou Pierre Gaspard-Huit. Curiosamente, apesar de algumas experiências posteriores noutros filmes de alguns dos intérpretes, nomeadamente Marc di Napoli (que também participou na série igualmente popular, "Dois Anos de Férias") e Philipe Normand, a verdade é que todos tiveram carreiras discretas e pouco popularizadas. A loura Marion des Neiges, até há pouco tempo era uma discreta agente imobiliária. No entanto, para a geração dos da minha infância, prevalecem quase imortalmente como os famosos e aventureiros Pequenos Vagabundos.