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3/10/2010

Provérbios de Março

 O nosso país é muito rico em cultura popular e os provérbios, ditados ou rifões são disso um bom exemplo. Felizmente, apesar da sua génese na tradição oral, estas sentenças da sabedoria do nosso povo estão relativamente bem documentadas e acessíveis. Deste modo, juntando os que sabemos de cor, até porque são correntes na nossa região, na nossa aldeia, uma pesquisa rápida pela Web e facilmente passamos a dispor de uma lista bem representativa dos mais populares provérbios alusivos a este mês de Março.

Com as reconhecidas alterações climáticas, nos nossos tempos os respectivos meses do ano e as estações em que se dividem não se apresentam já com as suas características tão vincadas, mas ainda assim há aspectos e sinais que se mantêm inalteráveis. Quanto ao mês de Março, e falo pela minha aldeia, em plena Beira Litoral, encravada entre a serra e o mar, esses sinais são dados pela floração das árvores. Principia, ainda em Fevereiro, pelas mimosas (acácias), com as suas belas colorações amarelas, num êxtase de alegria primaveril. No meu caso, porque no terreiro junto à minha escola primária existiam várias destes árvores, já de grande porte, nesta altura do ano, em dias de calor, sentia-se a cor, o perfume e o zumbido permanente das abelhas que ali se embriagavam de pólem. Infelizmente, umas derrubadas pelos fortes ventos e outras pelo machado, hoje em dia não resta qualquer uma dessas árvores.

Segue-se a floração das ameixoeiras, dos pessegueiros, das cerejeiras, pereiras e macieiras. As ervas e as relvas enverdecem e despontam do seu adormecimento. Em breve será preciso aparar os relvados semanalmente. Apesar das geadas tardias, que ainda hoje se sentiram, nas hortas e locais abrigados são plantadas batatas, favas, ervilhas e disposto o cebolo mudado dos alforbes abrigados. O povo do campo anseia por uns dias de sol para que a terra fique mais enxuta e se possa proceder à sacha das hortas, preparando-as para outras plantações que se seguirão, como tomate, feijão verde, couves, pepinos, pimentos, etc, bem como para lavrar os campos de maior dimensão preparando-os para as plantações da batata (por aqui em meados de Abril) e logo de seguida o milho (Maio).
Quanto à religião, está-se em plena Quaresma, um tempo de reflexão e preparação para uma nova vida, uma nova etapa simbolizada pela celebração da Páscoa (passagem).
É esta a beleza dos dias, das estações, dos anos e dos seus ciclos e da cultura popular e religiosa do nosso povo, numa simbiose já não tão profunda e harmoniosa, mas ainda com fortes marcas e tradições.
A ilustrar o artigo, deixo uma bela página do meu livro de leitura da segunda classe, que nos lança um anseio, um apelo à chegada da Primavera, que, já não está longe.

primavera_sn

Bodas em Março é ser madraço.
Em Março, chove cada dia um pedaço.
Em Março, esperam-se as rocas e sacham-se as hortas.
Em Março, o que dormes, o que eu faço.
Em Março, rebenta a erva nem que lhe dês com um maço.
Em Março, tanto durmo como faço.
Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
Março duvidoso, S. João farinhoso.
Março marçagão, de manhã chove, de tarde está bom.
Março marçagão, de manhã Inverno de tarde Verão.
Março virado de rabo, é pior que o diabo.
Março, marçagão, manhãs de Inverno e tardes de Verão.
Nasce erva em Março, ainda que lhe dêem com um maço.
O sol de Março queima a menina no palácio
Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.
Poda em Março, vindima no regaço.
Poda-me em Janeiro, empa-me em Março e verás o que te faço.
Podar em Março é ser madraço.
Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.
Quando o Março sai ventoso, sai o Abril chuvoso.
Quando Outubro for erveiro, Guarda para Março o palheiro.
Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.
Quem em Março come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.
Quem poda em Março, vindima no regaço.
Sáveis por S. Marcos, enchem-se os barcos.
Se queres bom cabaço, semeia em Março.
Temporã é a castanha que em Março arreganha.
Temporã é a castanha que por Março arrebenta.

11/11/2009

S. Martinho – Tempo de lendas e tradições


s martinho santa nostalgia 01

Hojé é dia de S. Martinho. Um santo e uma data de fortes tradições, associadas ao tempo de Outono, às castanhas e ao vinho novo.
Um pouco por todo o país são realizadas festas ou romarias de invocação ao santo, das quais destaco o S. Martinho em Penafiel, também conhecida por romaria dos burros, sendo feriado municipal naquele concelho.
O nosso povo ao longo dos tempo adoptou vários provérbios ou rifões populares à volta deste tempo de S. Martinho: Eis alguns que consegui reunir:

- Pelo S. Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho;
- Em dia de S. Martinho, desce à adega e prova o vinho;
- Pelo S. Martinho, lume, castanhas e vinho;
- Pelo S. Martinho, sobra a água no moinho;
- Pelo S. Martinho, sai o porco, entre o bacorinho;
- Pelo S. Martinho, todo o mosto dá bom vinho;
- Queres pasmar o vizinho? Esterca e lavra pelo S. Martinho;
- Virá o Verão de S. Martinho, nem que dure um bocadinho;
- Pelo S. Martinho, na horta alho e cebolinho;
- Pelo S. Martinho, fura o teu pipinho;
- Mesmo que perdido no caminho, chega o Inverno pelo S. Martinho.
- Na horta pelo S. Martinho, favas, alhos e cebolinho.

s martinho santa nostalgia 03

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(clicar nas imagens para ampliar)

A lenda de S. Martinho é por demais conhecida e popularizada, pelo que que não a vamos aqui repetir de forma exaustiva, mas sempre resumiremos que está associada ao facto de Martinho, então um soldado do exército romano, numa das suas saídas a cavalo, ter avistado na rua um pobre mendigo, semi-despido a tiritar de frio. A bondade de Martinho fez com que pegasse na sua espada e com ela cortasse um pedaço da sua vistosa capa púrpura, que ofereceu ao mendigo que assim com ela se agasalhou. Simultanemante, o tempo frio e chuvoso, mudou, como por milagre, para um dia quente e com sol, semelhante a um dia de Verão. Daí a lenda do chamado “Verão de S. Martinho”. Todavia, esta é a mais conhecida, mas a S. Martinho são atribuídas outras interessantes lendas que giram à volta da sua santidade.
Por cá, na minha aldeia, muitos dos ditados populares referentes a S. Martinho são levados à letra pois ainda se mata o porco preferencialmente nesta época, bem como as castanhas e o vinho novo são já companhia à noite depois do jantar, junto ao aconchego da lareira. Neste ano o “Verão de S. Martinho” ainda não fez juz à tradição, mas isso nem é o mais importante. O melhor calor é o que nos chega da alma.

7/27/2009

Lua - Quarto-Crescente

 lua quarto crescente santa nostalgia

(clicar nas imagens para ampliar)

Hoje fotografei a Lua. Neste momento está quase na fase de Quarto-Crescente, portanto a caminho de Lua Cheia, o que acontecerá no dia 5 de Agosto. Se o tempo o permitir, espero então fazer a fotografia da sua luminosidade plena, tanto mais que o luar de Agosto, a par do de Janeiro, é considerado dos mais luminosos.

A Lua sempre esteve muito presente na cultura e tradições populares, desde tempos imemoriais, já para não falar na sua influência religiosa em antigas civilizações.

Ainda hoje as pessoas ligadas à terra têm muito em conta as fases da Lua, determinando estas os períodos ideais para as sementeiras e colheitas e até para a matança de alguns animais, como o porco. Por outro lado, determinam as condições climatéricas em função do estado da Lua num determinado momento, caso onde se aplica, por exemplo, o ditado: Lua Nova trovejada, 30 dias é molhada.

A verdade é que, apesar de haver quem não veja nisso mais do que meras superstições e crenças,  estes ditados, usos e costumes resultam de uma sabedoria transmitida ao longo de gerações, fruto de testemunhos e observações do tempo.

noite de luar santa nostalgia

Neste contexto de tradição e sabedoria secular, deixo aqui uma breve lista de alguns ditados populares relacionados com a Lua. Alguns são conhecidos meus e usuais na minha região, outros foram "pescados" na Web. Certamente muitos mais haverá.

 

Luar deitado, marinheiro de pé.

Lua Nova trovejada, 30 dias é molhada.

Não há luar como o de Janeiro nem sol como o de Agosto.

Luar de Janeiro não tem parceiro.

Luar de Janeiro não tem parceiro mas o de Agosto sabe-lhe o gosto.

Ao luar de Janeiro se conta o dinheiro.

Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro.

Luar de Janeiro ilumina o terreiro.

Luar de Janeiro poupa vela no telheiro.

Ao luar de Janeiro, descansa o candeeiro.

Luar de Janeiro no caminho é companheiro.

Luar de Janeiro é o sol depois de posto.

Não há entrudo sem Lua Nova nem Páscoa sem Lua Cheia.

Em Janeiro o luar não é bom p´ra namorar.

Lua Nova de Agosto tapada, Lua Lua Nova de Outubro será trovejada.

Luar de Janeiro à porta, vê-se o carreiro p´ra horta.

No luar de Janeiro a galhinha tarda ao poleiro.

Luar de Janeiro é claro como o carneiro mas lá vem o de  Agosto que dá-lhe no rosto.

A Lua é uma desavergonhada: Quando nova, anda de quarto em quarto e depois aparece cheia.

6/06/2009

Provérbios, rifões ou ditados populares - 1

 

Fazem parte da minha memória desde criança, os provérbios, ditados ou rifões populares. Cada um deles, na sua simplicidade, carrega importantes ensinamentos adquiridos por gerações com base na experiência de um quotidiano quase sempre ligado à vida do campo. Um provérbio dito no contexto certo diz mais que muitos considerandos.

Vou deixar por aqui, às prestações, alguns muito característicos da minha terra. Naturalmente, alguns serão também comuns a outras regiões, com maior ou menor aproximação, quer na construção quer no significado, que, creio, será perceptível à maioria dos meus leitores.

 

burro com livros burro carregado de livros burro doutor santa nostalgia

- Um burro carregado de livros é doutor.

- A pensar morreu um burro.

- Porque um burro dá um coice, não se lhe há-de cortar a perna.

- Quem não pode aluga um burro.

- Uma sardinha ao longe carrega um burro.

- Abundante a chuva, gorda a uva.

- A gado que roe nunca faltaram farrapos.

- À custa dos tolos riem-se os assisados.

- Alegrai-vos tripas, que aí vai vinho!

- Antes ser martelo que bigorna.

- A lã nunca pesou ao carneiro.

- A fome é sombra da miséria.

- Barriga vazia nem força nem ideia.

- Barriga vazia não padece de azia.

- Bem se canta na Sé, mas é quem é.

- Bem fala o são ao doente.

- Bem fala Frei Tomás. Olhai p´ró que ele diz e não p´ró que faz.

- Com cunhas é que se racham pedras.

- Deus é bom e o diabo não é mau.

- Depois que foge o coelho todos dão bom conselho.

- Deus dá o pão mas não amassa a farinha.

- Devagar que tenho pressa.

- Duas mós ásperas não fazem farinha.

- Enquanto o pau vai e vem folgam as costas.

- Falai no Mendes, à porta o tendes.

- Gente nova e burros velhos botam o mundo a perder.

- Macaco velho não põe pé em galho seco.

- Graças a Deus muitas, graças com Deus, poucas.

- Grilo cantador sinal de calor.

- Mulheres, mulas e muletas, tudo se escreve com as mesmas letras.

- Nem sempre galinha e nem sempre sardinha.

- Melro que pia o poiso denuncia.

- Nunca faltou casa ao vivo e cova ao morto.

- O sino chama para a missa mas não vai a ela.

- O que é doce nunca amargou.

- Pai galego, filho fidalgo, neto ladrão.

- Pelo sim pelo não, levar o chapéu na mão.

- Por falta de um alho não se há-de perder o molho.

- Onde vires o corpo bota carga.

- Quem engorda os bóis são os olhos do dono.

- Quando a raposa anda aos grilos, mal da mãe pior dos filhos.

- Quem cabritos vende e cabras não tem, dalgures lhe vem.

- O que tem telha é telhado e quem tem telha é telhudo.

- Vaca magra dá leite de cabra.

 

*****SN*****

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