Mostrar mensagens com a etiqueta Revistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Revistas. Mostrar todas as mensagens

3/05/2026

Pão com Manteiga - Revista de humor


Director: José Duarte

Coordenador- Geral: Bernardo Brito e Cunha

Colaboradores: Alexandre Carvalho, Artur Couto e Santos, Carlos Barradas, Carlos Cruz, Carlos Zíngaro, Fernando Ricardo, José António Pinheiro, José Duarte, José Fanha, Júlio Quirino, Kakrus, Luis Guimarães, Mário Zambujal, Nuno Gomes dos Santos, Rolo Duarte, Sam, Vasco, Zé Manel

A década de 1980 em Portugal foi um período de profunda mutação social e política. Entre a consolidação da democracia e a entrada na CEE, o humor desempenhou um papel vital na interpretação desta nova realidade. No centro dessa revolução satírica esteve a revista Pão com Manteiga, uma publicação que transpôs para o papel a acutilância de um dos programas de rádio mais icónicos da história nacional.

Da Rádio para o Papel: A Génese de um Sucesso

O projeto "Pão com Manteiga" teve a sua origem na Rádio Comercial, onde um grupo de mentes brilhantes — liderado por figuras como Bernardo Brito e Cunha, Carlos Cruz, Mário Zambujal e Orlando Neves — transformava as manhãs de fim de semana num exercício de liberdade criativa. O sucesso foi de tal ordem que a transição para o formato impresso se tornou inevitável, permitindo que o humor visual e a sátira escrita ganhassem uma nova dimensão.

A revista não era apenas um veículo de piadas; era um objeto de análise social. Com um grafismo moderno para a época, a publicação destacou-se por:

Num Portugal que ainda aprendia a rir dos seus governantes, a revista utilizava a ironia para dissecar as contradições do poder.

Contou com o génio de cartoonistas como António, Luís Afonso e Vasco, cujas ilustrações se tornaram tão ou mais lidas do que os textos.

Crónicas assinadas por nomes como Mário Zambujal trouxeram um rigor literário ao humor, provando que o riso não tinha de ser brejeiro para ser popular.

Mais do que uma revista, o "Pão com Manteiga" foi uma escola. Preparou o terreno para o que viria a ser o humor televisivo das décadas seguintes e influenciou gerações de jornalistas e criativos. A sua capacidade de observar os "tiques" da classe média portuguesa e a pompa das instituições nacionais permanece, ainda hoje, um exemplo de excelência editorial.

Recordar a revista "Pão com Manteiga" é visitar um Portugal que descobria a sua própria voz no pós-25 de Abril. Foi um período de ouro onde a inteligência e o riso caminharam de mãos dadas, deixando um espólio que merece ser preservado e estudado por todos os que se interessam pela história da comunicação em Portugal.






1/30/2026

Opção - Revista de esquerda a malhar à direita


As referências online à revista semanal "Opção" são escassas e dispersas. Do que foi possível compilar, esta revista teve o seu início em 29 de Abril de 1976, sendo dirigida pelo jornalista Artur Portela (Filho). Terá sido a primeira revista do género criada após o 25 de Abril de 1974.

Surge num momento decisivo da consolidação da democracia em Portugal, num contexto de profundas transformações políticas, sociais e institucionais após a Revolução de Abril. O lançamento da revista ocorre num período marcado por intensos debates sobre o papel da imprensa e a definição dos novos modelos políticos do país.

Assumidamente ideológica, de esquerda da esquerda, a revista era isso mesmo, um espaço de malhar na Direita e suas figuras. Então como agora, procurava-se diabolizar quem tinha a ousadia de ser diferente da Esquerda.

Logo no número primeiro, o director, Artur Portela (Filho), na foto abaixo, em editorial dizia ao que vinha:  "Opção" pretende ser a voz que a Esquerda pode e deve ser - a voz forte da razão, da competência, do futuro. 

Ora quem tinha um posicionamento ou visão diferentes, era invariavelmente malhado em artigos críticos e mordazes.

Por agora, não conseguimos a informação de quando terá terminado nem quantos números foram publicados. Talvez, pelo sectarismo indisfarçado, estivesse mesmo condenada à extinção. Mas não foi a única.







1/27/2026

Açucena - Romantismo em pequenas doses


A revista "Açucena", da Agência Portuguesa de Revistas foi lançada no mercado em Maio de 1963. De reduzidas dimensões, 12 x 8,5 cm, cabia no bolso da camisa. O preço era condizento, tendo começado por 1 escudo com aumento ao longo dos anos, até 1987 ano em que terminou o romance com os leitores.

Esta colecção contou durante muitos números com excelentes capas e ilustrações interiores de Carlos Alberto Santos e Baptista Mendes.

O formato foi um de vários títulos da Agência, dedicados ao romance mas também aos populares cow-boys, como o "6 Balas" e "Cow-Boy" e "Fúria dos Bravos". Recorde aqui.



6/30/2025

Cenários

 


E andamos nisto há 50 anos. Mudam os actores e até a força das forças,  mas os cenários são mais ou menos os mesmos.

Revista "Opção" - Abril/Maio 1976.

3/01/2024

Revista "Colecção Cinema" - Uma ilha para dois

 


Capa e contra-capa da revista "Colecção Cinema". N.º 15 - 19.ª Série - Edição da Agência Portugues a de Revistas - Director: Mário de Aguiar.

Filme: "Isla para Dos" (Ilha para Dois), de 1959 com Arturo de Cordova e Yolanda Varela.

1/28/2024

Revista Novela Filme - O homem que fazia chover

 


Novela Filme, revista com texto e imagens sobre um determinado filme. No caso, "O Homem que fazia chover", do original "The Rainmaker", de 1956. Conforme se pode ler acima, o filme foi estreado no Cinema S. Jorge - Lisboa, em 23 de maio de 1957, com escalão de maiores de 17 anos.
N.º 15.

Convenhamos que em tempos de seca lá pelos algarves, um homem que fizesse chover é que dava jeito.

1/09/2024

Gina - A revista com cores da liberdade


Já tivemos a oportunidade de trazer aqui à memória a revista GINA, um dos ícones dos primórdidos da liberdade pós-revolução e da década de 1980.

Esta revista de cariz pornográfico foi na época uma quase novidade e mesmo lida, partilhada e guardada às escondidas, ficou na memória de toda uma geração, sobretudo dos jovens rapazes, sendo que naturalmente, embora de forma mais discreta, por algumas raparigas.

Recorde-se que esta revista teve publicação desde Setembro de 1974 até 2005,com 196 números. O êxito foi, imediato com o preço de capa inicial em 25 escudos mas alterado com frequência de acordo com a inflacção da procura.

A publicação da editora Pirâmide, liderada por Mário Gomes e seu irmão Acácio, fundamentava-se, essencialmente, em conteúdos provenientes do próspero e liberal mercado alemão. Estes eram traduzidos ou adaptados por Mário, sem uma preocupação literária evidente. As capas, concebidas para a exposição nos quiosques, geralmente mantinham uma postura discreta, exibindo rostos de mulheres com uma aparência feliz e recatada, remetendo à inocência virginal, o oposto do que se encontrava no interior das páginas, onde as cenas eram notavelmente mais audaciosas. O papel utilizado era brilhante, apresentando tons vibrantes.

Queira-se ou não, a revista Gina faz parte do imaginário colectivo da geração das décadas de 1970 e 1980.

3/06/2023

25 de Abril - Comunidades Portuguesas





Passados alguns poucos meses e e assente algum pó após a revolução de 25 de Abril de 1974, em 21 de Outubro de 1974 a Secretaria de Estado da Emigração lança a revista "25 de Abril - Comunidades Portuguesas". Tinha definida uma periodicidade mensal mas ao longo dos seus 44 números, até Fevereiro de 1980, várias edições  abarcaram dois meses. Teve como directores Amândio da Conceição Silva, José Cardoso e Manuel Árias. Graficamente a revista teve três diferentes séries.

O objectivo dessa publicação está expressa no editorial que abaixo se transcreve. Percebe-se pela sua leitura e análise que o conteúdo reflectia o momento político e de um modo geral tinha uma orientação muito marcadamente de esquerda. Veja-se, como exemplo, a imagem acima com a capa alusiva a eleições livres em que o símbolo do PCP aparece sobre os demais. Sendo direccionada à comunidade emigrante, era por conseguinte distribuída em alguns países europeus, nomeadamente na França, mas em rigor desconhecemos o alcance da publicação e do seu êxito ou importância. Em rigor, apesar dessas boas intenções e paninhos quentes para com a nossa comunidade, a verdade é que no geral este pouco ou nada pode contar com o Governo central, de resto durante toda essa década, muito instável com sucessivas formações.. Não havia, pois, tempo e condições políticas e de estabilidade para grandes acções incluindo as relacionadas à comunidade emigrante. Sinais dos tempos.

De entre os vários objectivos da Secretaria de Estado da Emigração, um dos mais importantes é, sem dúvida, a correcta informação da realidade portuguesa ao Emigrante afastado do cenário central da evolução sucio-política. Num processo que se pretende de radical transformação. porque democrática tal preocupação afigura-se-nos salutar e indispensável. Salutar, porque nas comprometemos a falar o que é e não o que convém, sem mascarar as deficiências tanto da evolução política em geral como do nosso trabalho em particular. Indispensável, porque se deseja e se garante uma participação efectiva do Emigrante, o principal protagonista. e o mais importante, desta mensagem-diálogo que pretende uma conjugação de esforços, cada mês mais ampla, cada mês  mais mais efectiva. 

«25 de Abril» é o nome da vossa revista. 25 de Abril é o simbolo de tudo o que se fizer de novo em Portugal. Para além do símbolo, o 25 de Abril é uma data E também um movimento. Na data, a esperança de que a revolução democrática estava começando. No movimento, a responsabilidade de que a revolução democrática não pode parar. Mesmo que a esperança não haja sido de todos, foi com certeza do Emigrante. Mesmo que nem todos queiram ou possam assumir a responsabilidade, o Emigrante quer, pode e deve assumi-la para que, pelo menos, o seu filho possa viver em Portugal. O Emigrante merece na sua revista o titulo-símbolo de uma data-movimenta marco importante. e lutemos para que decisivo, da História de Portugal. 

O Emigrante, sofrido, desrespeitado, explorado, tem todo o direito de esperar muito do Governo Provisório, mas não pode esquecer as limitações de sua potencialidade, por contingências de um período de transição, provisório que é no nome, na acção e no tempo. Agora, se o Governo Provisório, por honestidade, é forçado a dizer ao Emigrante «Tens de ficar no estrangeiro. Não te podemos ainda dar emprego em Portugal, deve pelo menos, e já, assegurar que o Emigrante seja menos sofrido e nunca desrespeitado ou explorado. No entanto, o Emigrante tem um papel decisivo para que o Governo Provisório através principalmente da Secretaria de Estado da Emigração e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o ajude a garantir um menor sofrimento, um completo respeito e a morte da exploração. O saneamento dos fascistas, dos corruptos. dos incompetentes. dos exploradores, que grassam no estrangeiro em toda uma máquina repressiva ainda em grande parte por desmantelar. é também obra do Emigrante. Mas por ser obra, tem de ser séria e responsável. justa e eficaz. Não será dada guarida, nem encaminhada, qualquer denúncia que não esteja devidamente caracterizada e assinada, que não seja, pois, compatível com o objectivo fundamental a democratização e, como consequência, a verdade, a dignidade e a liberdade como conquista dos trabalhadores portugueses, unidos dentro e fora do Pais.

[imagens: Hemeroteca de Lisboa] 

7/01/2021

Jornal do Cuto

 



Foi em 1935 que no jornal espanhol "Boliche" apareceu o Cuto, uma criação do artista Jesus Blasco, um rapaz adolescente, impregnado de espírito de aventura. Inicialmente num registo mais humorístico, na companhia dos amigos Gurripato e Camarilla, mas a partir de 1945 apenas acompanhado pela sua namorada Mary, é levado nessas aventuras a vários locais do mundo num envolvimento audaz em situações de guerras, conflitos, mistérios e investigações policiais.

Cá por Portugal a sua aparição deu-se em 12 de Fevereiro de 1949 na revista "Gafanhoto, no número 10.

Em face da crescente popularidade em 7 de Julho de 1971 o personagem deu nome a uma publicação própria, o "Jornal do Cuto", propriedade da Portugal Press, dirigida por Roussado Pinto. Esta revista para além das aventuras do Cuto continha diversas outras histórias de outros autores em regime de continuação.

A revista, indicada como para maiores de 12 anos, durou de 1971 a 1978, com um total de 174 números, com um número irregular de páginas. 

Começou por ser de tiragem semanal (do Nº 1 ao Nº 53, com alterações no dia de saída), passando depois, por dificuldades económicas, a mensal, desde o nº 94 ao 107. 

Depois, a partir do nº 108 passou a quinzenal. Em 1 de Junho de 1974, no nº 109, por alegadas dificuldades no mercado do papel, é anunciada a suspensão da publicação. É retomada a publicação em 10 de Setembro de 1975, com tiragem semanal. Novas dificuldades no preço do papel, ditam que a partir do nº 137 de 15 de Março de 1976 a edição passe a quinzenal. Em 1 de Junho de 1977 volta a passar a mensal e em Fevereiro de 1978 volta a anunciar a suspensão que acabaria por ser definitiva.

Para além das dificuldades que eram comuns ao mercado do papel, a revista nunca conseguiu ultrapassar o prestígio e sucesso de revistas concorrentes como a "Mundo de Aventuras" e "Tintin".

O custo da revista variou ao longo da sua existência desde os 5 aos 15 escudos. Tinha regime de assinaturas, em regra mais caras que as revistas concorrentes.

Nas imagens acima, a capa do Nº 88 de 15 de Março de 1973, com o Príncipe Valente, edição que no seu interior trazia um poster da capa do Nº 1 da revista "O Mosquito".



3/03/2021

Time


A caminho do centenário, passam hoje 98 anos sobre a data (3 de Março de 1923) da primeira publicação da revista norte-americana "Time". Tem sido um longo caminho e de muitas alterações editoriais mas parece que sempre dentro do sucesso e é considerada a revista semanal de notícias mais lida globalmente, com um público regular de 26 milhões de pessoas, sendo que 20 milhões nos Estados Unidos.

8/14/2018

José Mário Branco - Permanente revolução


Aprecie-se, ou não, José Mário Branco é um dos nomes incontornáveis da cultura e música portuguesas e desta da designada popular e de intervenção. Desde um activo na igreja católica até militante do Partido Comunista, este carismático cantautor (cantor e compositor), com a curiosidade de ser filho do professor António Branco, profícuo editor de manuais da escola primária por esses tempos dos anos 60 e 70, é de facto uma figura indelével da nossa sociedade.

Relembramos a sua figura nesta capa da revista Tele Semana de 12 de Julho de 1974, por isso logo a seguir ao 25 de Abril, em que os cantores de intervenção, atá então reprimidos e alguns deles exilados, soltaram toda a sua energia e marcaram musicalmente todo esse período pós-revolucionário.
JMB, regressou do exílio em França e na entrevista então dada à emblemática revista de assuntos televisivos e do espectáculo, disse que "...juntei-me com alguns camaradas, para tentarmos fazer um trabalho colectivo de carácter revolucionário e na base de princípios ideológicos anti-reformistas".  Para além do que isso possa querer dizer, e na altura este tipo de chavões eram moda, José Mário Branco manifestava-se, então, contra os espectáculos no "Canto Livre" no palco do S. Luís, mesmo que com nomes como Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Carlos Paredes, Manuel Freire, Sérgio Godinho e muitos outros, porque, considerava "...são espectáculos que se dirigem a um público priveligiado. Não é para esse público que os os cantores populares devem dirigir os seus esforços, mas sim para junto das massas trabalhadores (...)...para os trabalhadores em greve, nas fábricas, nos bairros e nas agremiações populares, como é o meu caso..."

Certo é que José Mário Branco, um pouco no lado marginal da nossa realidade musical, foi prosseguindo a sua carreira com carisma e nesse aspecto manteve-se fiel ao seu estilo, compondo e cantando como se vivêssemos numa permanente revolução.

3/11/2018

Automóvel Clube de Portugal - Revista ACP


O Automóvel Club de Portugal é uma das importantes instituições portuguesas, com uma rica história de inovação e serviço em favor do fenómeno automóvel em geral e dos seus associados em particular. Fundada em em 1903, como Real Automóvel Club de Portugal e redesignado para Automóvel Club de Portugal em 1910, continua aí para durar.
Ao ACP devem-se muitas das inovações e particularidades promovidas ao longo dos muitos anos de existência, como a organização do 1º Salão Automóvel em 1914, no Palácio de Cristal, na cidade do Porto, a edição do primeiro mapa das estradas portuguesas em 1928, bem como serviços como assistência automóvel aos associados, seguros, escolas de condução, organização do Rali de Portugal - Vinho do Porto, em 1975, etc.
Para além de tudo isto e muito mais, publica com regularidade desde Novembro de 1930 a sua revista "ACP". Esta publicação é o órgão oficial da instituição com estatuto de utilidade pública desde 1931, é distribuída gratuitamente a todos os associados. O seu conteúdo é diverso, mas obviamente com assuntos do interesse da instituição e seus associados e com um amplo destaque à realidade da indústria e desporto automóvel. 






[Primeiras três capas: Blog "Restos de Colecção"]

2/13/2018

Zakarella


Hoje trazemos à memória a revista de banda desenhada "Zakarella", destinada a adultos. O seu primeiro número, de periodicidade quinzenal, saiu à rua no dia 1 de Março de 1976. Infelizmente, para os fãs do estilo, teve um curto reinado e terminou no mês de Março de 1978, com um espólio de 28 edições. Hoje em dia a revista é objecto de culto e de colecção.

Rezam as crónicas que o seu fim deveu-se ao facto de, por decisão do Banco de Portugal, nesse período quente da nossa história política e económica pós-revolução do 25 de Abril de 1974, ter proibido o pagamento de bens não essenciais com divisa estrangeira. Ora como a banda desenhada não se comparava à necessidade do pão, leite ou gasolina, ficou assim a editora com um berbicacho em mãos para pagar os direitos das histórias públicas de origem norte-americana que  enchiam as páginas, pelo que Zakarella chegou ao fim, ainda com muito para dar do seu mundo de fantasia, terror e sexo.

Zakarella era uma voluptuosa mulher, renegada, em fuga de um profundo inferno terreno governado por um cruel Satã, sendo tele transportada directamente para a grande Lisboa. Em cada história saída da imaginação do autor e editor Roussado Pinto, que assinava com o pseudónimo de Ross Pynn, a jovem Zakarella caía nas garras da malvadez e lascívia de toda a espécie de criminosos e senhores do mal, sujeitando-se assim às mais bizarras sevícias sexuais e torturas. Tinha a seu favor a capacidade de se regenerar e curar de todas as feridas e afrontas dos seres maléficos, ficando novinha em folha para em cada conto voltar a ser diabolizada.

Estas histórias de Roussado Pinto, em rigor pouco significativas, ganhavam vida e interesse acrescido com as capas e ilustrações interiores produzidas pela fantástica arte de Carlos Alberto Santos, profícuo artista plástico (já falecido) e que durante várias décadas enriqueceu edições de livros de contos, banda desenhada e colecções de cromos com a chancela da saudosa Agência Portuguesa de Revistas. Tal como Zakarella, também a APR já não faz parte deste mundo, apenas nas colecções que vão existindo em coleccionadores diligentes e saudosistas bem como nas velhas prateleiras de alfarrabistas.
Zakarella não fugiu ao epíteto de Vampirella portuguesa, numa comparação à heroína da banda desenhada norte-americana, de facto com semelhanças na voluptuosidade e na na pouca roupinha e no estilo de fantasia e terror, embora com diferenças de enredo.

Seja como for, Zakarella enquanto durou foi devorada não só pelos seres maléficos que povoavam a suas histórias, como também pelos leitores entusiastas da banda desenhada ou contos fantásticos com uma boa dose de erotismo. Faz, por isso, com toda a justiça, parte do imaginário desses tempos recuados da década de 70 do séc. passado.




Pesquisar no Blog

Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

Populares