Mostrar mensagens com a etiqueta Trava-Línguas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trava-Línguas. Mostrar todas as mensagens

8/04/2009

A Mafamaguifa e os mafamagafinhos

 

a mafamaguifa santa nostalgia 01

Quem não se recorda deste trava-línguas? É uma espécie de  lengalenga deveras curiosa, relativamente popular, que certamente muitos recordarão de alguns livros escolares, como este da primeira classe onde "pesquei" a página.

Qual será a origem do termo mafamaguifa? Será o nome popular de alguma ave ou será apenas uma invenção adequada à dificuldade própria de uma lengalenga ou trava-línguas? Sei que em muitas regiões os pássaros são muitas vezes conhecidos por nomes muito particulares e fora do uso comum, sendo por isso característicos de determinados lugares. Poderá ser o caso. Não o sabemos.

Seja como for, são conhecidas outras variantes. Por exemplo:

Eu sei de um  ninho de mafamagafas,
Com cinco mafamagafinhos,
Quando a mafamaguifa
Vai dar de comer aos mafamaguifinhos,
Há tanta mafamaguifada,
Que se ouve na serra da Arada.

Outra:

Tenho uma mafagafa,
Com cinco mafagafinhos,
Quando a mafagafa guifa,
Fazem tal mafagafaria
Que a pobre da mafagafa,
Prefere ficar calada,
Do que ter que mafamaguifar.

 

barra2_santa nostalgia

10/16/2008

Cantilenas e lengalengas - A chover e a dar sol na casa do rouxinol...

 

image

No Inverno, principalmente em dias de geada, o intervalo do recreio era aproveitado pelas crianças da escola primária para apanharem um pouco do sol saboroso desses dias bem frios.
Para o efeito, encostavam-se à fachada nascente da escola e ali mantinham-se como gatos ao borralho, soturnos e com as mãos no bolso.
Então sempre que alguém se colocava defronte, roubando assim o sol morno ao colega, era frequente este dizer a seguinte cantilena:

Quem está à frente do meu sol
É o diabo de Vila Maior,
Com o sangue a escorrer
E o gato a lamber.

Normalmente ninguém queria assumir o papel de Diabo, pelo que quase de imediato quem estivesse a provocar sombra mudava logo de posição.

 

Outra cantilena: Sempre que estava a chover mas em simultâneo, por entre o céu nublado, lá apareciam uns risonhos raios de sol, era comum dizer-se a seguinte cantilena:

A chover e a dar sol,
Na casa do rouxinol,
A velhinha atrás da porta
A remendar o lençol.

Esta cantilena, popular na minha aldeia, é, no entanto, conhecida noutras regiões com outras variantes. Por exemplo:

A chover e a dar sol
Na cama do rouxinol;
Rouxinol está doente
Com uma pinga de aguardente.

A chover e a dar sol
Na casa do rouxinol;
Rouxinol está no ninho,
A comer o seu caldinho.

A chover e a dar sol
À porta do rouxinol;
Rouxinol veio à janela,
Logo dar a espreitadela.

Como curiosidade, esta lengalenga, tem em comum o verso A chover e a dar sol e ainda a palavra rouxinol, daí que normalmente é conhecida pela cantilena do Rouxinol

9/03/2008

Una, duna, tena, catena...

 


image

Há cantilenas ou lengalengas que servem para contar. Desde pequeno que aprendi uma versão que se usava na minha aldeia e na minha escola primária e que servia para contar até dez. Era assim:


Una,
Duna,
Tena,
Catena,
Cigalha,
Migalha,
Carapim,
Carapés,
Conta bem,
Que são dez.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei outras versões, que em alguns casos são ligeiras variantes e apenas em parte dos termos usados. Por exemplo:

 

Una,
Duna,
Tena,
Catena,
Cigalha,
Migalha,
Cupida,
Dos pés,
Conto bem,
Que são dez.
Una,
Duna,
Tena,
Catena,
Forreca,
Chirreca,
Vira,
Virão,
Conta bem,
Que dez são.
   
Una,
Duna,
Tena,
Catena,
S. Paulo,
S. Maulo,
Em bico,
De pés,
São nove,
São dez.

Una,
Dulha,
Tilha,
Candilha,
Samaca,
Marraca,
Vila,
Vilão,
Diz dez,
Aqui estão.

   
Una,
Duna,
Tena,
Catena,
Migalha,
Borralha,
Lambida,
Dos pés,
Conta bem,
Que são dez.

Una,
Duna,
Tena,
Catena,
Corripim,
Corripão,
Toleirão,
cabanão,,
conta bem
Que dez são.

   

Estas e muitas outras cantilenas, lengalengas e trava-línguas, tão recorrentes noutros tempos,  estão-se a perder e já ninguém as usa, pelo menos de forma espontânea, quando muito em jogos promovidos pelos adultos ou por algumas professoras de infância.

A este propósito recordo-me de um episódio na segunda classe em que um colega tão habituado a esta lengalenga, chamado a um exercício no quadro preto, espontaneamente começou a contar usando-a. Claro que levou logo um puxão-de-orelhas.

8/30/2008

Rei, capitão, soldado, ladrão...

rei capitao_santa nostalgia_cantilena

Hoje trago à memória uma lengalenga muito popular, mas que também me foi ensinada pela minha bisavó, à qual já aludi num anterior post.

Esta lengalenga está relacionada com os botões de uma peça de vestuário, principalmente em vestidos, casacos ou camisas. Conforme a ilustração, a contagem era feita de baixo para cima. Quando os botões eram sete, e a lengalenga era dita completa, dizia-se que o dono da peça teria sorte  no amor. Um botão em falta pelo meio era pronúncio de má sorte ou azar no amor.

Como não podia deixar de ser, é natural que esta lengalenga, dependendo da região, tenha variantes e sentidos diversos.

8/26/2008

Cantilenas - Brincadeiras com os dedos

mao_santa nostalgia_cantilenas

Recordo-me de minha mãe ir para as lides do cultivo do campo e nessas ocasiões deixava-nos (a mim e a dois irmãos mais chegados) entregues aos cuidados da minha bisavó materna, a quem chamávamos mãe Guida. Esta dócil criatura, morreu há mais de vinte anos, e já contava com quase 100 anos.
Apesar dos seus problemas de audição, era fantástica a contar histórias, lendas, rezas, e muitas outras coisas.  Algumas guardei, da maior parte perdi-as, no tempo e na memória.

Ensinou-me esta brincadeira com os dedos da mão:

Com a mão aberta e dedos separados, apontando com o indicador do mínimo para o polegar:

- Este vái ao moliço, este vai à lenha, este vai aos ovos, este frita-os e este come-os.


De facto, pensava eu com a minha ideia de criança de 5 ou 6 anos, residia ali o motivo do polegar ser o mais gordinho.
De explicar que o moliço na minha região corresponde à folha do pinheiro bravo, nalgumas zonas conhecida por caruma.

Ainda em relação aos dedos da mão, tinha outra variante: Do dedo mínimo para o polegar:

- Mindinho, Passarinho, Fura-Bolos, Trinca-Piolhos e Pai-de-Todos  (o polegar).

Mais uma variante, mas menos conhecida:

-soldado-raso, cabo-cabão, sargento-rabugento, tenente-sorridente e capitão-gorduchão.

Compreendia-se uma vez mais as referências à importância do polegar.

Pesquisar no Blog

Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

Populares