Noticia fresquinha em antestreia... terminei um livro que vai divertir a malta. Partilhem se assim entenderem. Eu agradeço.
10/06/2016
A Sebenta do Tempo - Mário Augusto
Noticia fresquinha em antestreia... terminei um livro que vai divertir a malta. Partilhem se assim entenderem. Eu agradeço.
11/30/2011
Telescola – Trabalhos Manuais
Já passaram uns bons anitos sobre o tempo em que cheguei a frequentar a Telescola, então já com o nome de Ciclo Preparatório TV.
Sobre a Telescola, esse interessante sistema de ensino, transcrevemos abaixo um excelente artigo da Infopédia.
São muitas as recordações relacionadas com esses dois belos anos, em que as aulas eram dadas pela televisão, RTP, a partir dos estúdios do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, e desenvolvidas na própria sala de aulas pelos professores. No meu caso, duas professoras.
De tudo quanto recordo, um especial destaque para as aulas de Desenho e Trabalhos Manuais Educativos, no 5º ano. E destas, a 5ª lição da componente de Trabalhos Manuais que se referia à construção das figuras do presépio, em cartão e tecido.
Reproduzo a capa do manual, que ainda conservo, e das páginas da respectiva lição, o que nos entreteve com agrado durante algumas boas horas. No final, um excelente presépio. O meu grupo tratou da construção dos animais (vaca, burro, camelo e ovelhas).
Numa altura em que nos aproximamos da quadra do Natal, não deixa de ser com uma forte saudade e nostalgia que recordo este belo período.
Sobre a Telescola:
A telescola, sistema de ensino via televisão, arrancou em Portugal a 6 de janeiro de 1965, com programação produzida nos estúdios da Radiotelevisão Portuguesa do Monte da Virgem, no Porto. Os alunos eram acompanhados nos postos de receção por monitores. A intenção era permitir o cumprimento aos alunos da escolaridade obrigatória, na altura constituída pelos quatro anos da Escola Primária e os dois Ciclo Preparatório. A nível geográfico a telescola pretendia servir as zonas rurais isoladas e zonas suburbanas com escolas superlotadas.
Nesta época, havia cerca de mil alunos matriculados, mas toda a população tinha acesso através da televisão às emissões que ocupavam parte da programação da tarde da RTP.
A telescola portuguesa foi uma das mais bem sucedidas na Europa.
No início da década de 70, a reforma do ensino ditou o alargamento da escolaridade obrigatória para oito anos. Nos casos em que não fosse possível proporcionar ensino direto aos alunos este podia ser substituído pela telescola.
Na década de 80, com a chegada e vulgarização dos videogravadores, a telescola deixou de ser transmitida pela televisão, libertando assim essas horas para outros programas. Os conteúdos apresentados nas videocassetes tinham um complemento de informação prestado por um tutor.
Já na década de 90, o recurso às novas tecnologias e ao multimédia levou a que o ensino à distância passasse a funcionar em simultâneo como forma complementar do ensino regular e como modalidade alternativa da educação escolar.
Nesta altura, já se dirigia principalmente a quem não se encontrasse na idade normal de frequência da escola.
Ao longo dos anos, a telescola foi mudando a sua designação do inicial Curso Unificado Telescola, para Ciclo Preparatório TV e Ensino Básico Mediatizado (EBM).
Em julho de 2003 foi anunciado que a partir do ano letivo 2003/2004 iriam começar a ser extintas as escolas do EBM, na altura cerca de 320, dedicadas ao ensino do 5.º e 6.º anos. Em 2001/2002 havia cerca de 5200 alunos inscritos em EBM, com uma taxa de sucesso na ordem dos 90 por cento.
Fonte: Infopédia
10/25/2010
Cores com sabores
Hoje estive fora quase todo o dia, em serviço, e ao regressar, já por volta das 17:00 horas, parei numa pastelaria para tomar café. Na vitrine, a abarrotar de coisas doces e apetitosas, um belo pão-de-ló, fatiado. Essa imagem fez-me associar outra imagem e recuei no tempo, ao meu livro de leitura da primeira classe, nomeadamente à página 33, onde nunca mais esqueci as deliciosas ilustrações da Maria Keil, nomeadamente aquele belo pêssego, quase real e a convidar a uma fresca trincadela, ou mesmo a fatia de bolo, tão amarela como o pão-de-ló que minha mãe confeccionava por altura da Páscoa. Ficava sempre roído de inveja da menina Edite por receber aquela fatia de bolo, esperando, em vão, ser o próximo a ser servido.
Sempre que desfolhava o livro, essas imagens saltavam-me e com elas um doce apetite por coisas boas. Aliás esse livro estava recheado de coisas boas que apeteciam comer, nomeadamente as iguarias dispostas na mesa de Natal, na página 98. Hoje, ao reler, essas sensações são as mesmas, por isso intemporais.
8/04/2010
Broa de milho
Faz habitualmente parte das nossas refeições, mas é consumido de forma automática, sem sequer percebermos toda a lida que esteve por trás da sua confecção, ainda que em padarias modernas e automatizadas.
Mas nem sempre foi assim. Noutros tempos, principalmente em ambientes de aldeia, o pão para consumo durante a semana era confeccionado e cozido na própria casa.
Reavivando as memórias do meu tempo de criança, recordo que em casa dos meus pais, a exemplo de muitas outras famílias, existia o tradicional forno onde semanalmente, todas as quartas-feiras, a minha mãe reservava a parte da manhã para cozer o pão.
Para isso existia um móvel em madeira, designado de masseira, onde a farinha misturada com a água era amassada à força de braços e mãos.
O processo principiava na véspera, com a moagem de um saco de farinha no moinho de água, propriedade da família. Depois a farinha deveria ser bem peneirada.
À mistura de farinha e água quente era acrescentado o fermento, chamado de crescente, que era um pouco de massa guardada da anterior amassadura. Este fermento era indispensável à levedura da massa.
Depois de preparada a massa, esta era aconchegada num dos cantos da masseira. Era feita uma cruz em baixo relevo, com o topo inferior da mão e no meio da cruz era espetada uma cebola crua, que permitia acelerar a levedura.
Depois era feita a tradicional benção. A minha mão rezava assim:
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede e
S. João de te faça pão.
Amem.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente e
S. João de te faça pão.Deus de acrescente
Dento de forno,
E fora do forno
E a quem te comer.São Vicente te acrescente
São Romão te faça pão
O Senhor te ponha a virtude
De mim fiz eu o que pude.S. Vicente te acrescente,
S. Humberto te levede,
S. João te faça pão,
Para comer e p'ra dar.
Deus te queira acrescentar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Reza-se então um Padre Nosso e Avé Maria.S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede,
S. João te faça pão,
E Deus Nosso Senhor te deite
Sua divina benção.
O Senhor te acrescente,
E te queira acrescentar,
Para comer e mais para dar.
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amén.S. João levede o pão
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé MariaS. Vicente te acrescente,
S. Sebastião te faça bom pão e
Deus te cubra de divina bênção.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.São Vicente te acrescente,
Sã Mamede te levede,
E todas as almas santas
Te ponham a sua virtude.
São João te faça pão,
Com a graça de Deus e da Virgem Maria.
Cresça ó pão no forno
E o bem pelo mundo todo.
Nós a comer e ele a crescer,
Que não possamos vencer,
P’rá minha alma quando for
O eterno descanso, Senhor.Para a massa levedar
S. Vicente te acrescente
S. João te faça pão.
Em louvor da Virgem Maria
Um Padre-nosso e uma Avé Maria.
Quando a massa se mete no forno
(com a pá faz-se uma cruz)
Cresce o pão no forno.
Ele a crescer
Nós a comer
Nunca o poderemos vencer.Deus que te levede
Deus que t’acrescente
Com a graça de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
S. Mamede te levede
S. Vicente t’acrescente,
S. João de ti faça bom pão,
Deus te ponha a virtude
Que da minha parte fiz tudo que pude.
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
O Senhor te levede
S. Pedro te acrescente
E o Senhor te faça pão
Com o poder da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
IV
S. Vicente t’acrescente,
S. Mamede te faça pão,
Em louvor de Santiago
Não fiques nem insosso nem salgado
São João te faça pão,
S. Mamede te levede,
S. Vicente t’acrescente
Em louvor de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
S. Crescente t’acrescente
S. Mamede t’alevede
S. João te faça pão
E Deus te cubra de benção
VII
S. João te levede
S. João t’acrescente
S. João te faça pão
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
Quando a massa estivesse preparada, o forno era limpo dos resíduos da fogueira e varrida a cinza.
Depois, em cima de uma pá de madeira, era colocada uma camada de farinha fina e sobre ela era colocada uma porção de massa, entretanto preparada em forma de bola. Uma vez na pá era ligeiramente moldada de forma a ficar com uma base plana. Depois de assim preparada era introduzida no forno. Este processo era repetido de acordo com a quantidade de broas. Normalmente a minha mão cozia quatro a cinco broas.
Importa dizer que, antes da entrada no forno da broas, eram cozidos de forma rápida os bolos, um pão em forma circular, achatados, com uma espessura de cerca de 2 a 3 centímetros a que algumas vezes eram revestidos superiormente com sardinhas ou carne. Para mim e para os meus irmãos, a minha mão habitualmente preparava uns bolos de tamanho pequeno (os bolinhos), talvez com cerca de 10 centímetros de diâmetro e também os chamados picões, que eram redondos e pontiagudos nas pontas.
Depois destas cozeduras rápidas, então eram colocadas as broas, cobertas com uma camada de farinha, para melhor formar a côdea (parte dura da superfície superior da broa) e fechado o forno. A maior parte dos fornos não tinham porta com sistema de fecho pelo que era necessário vedar a porta, sendo para isso utilizado o resto da massa. Isto em minha casa, pelo que em tempos de maior crise, para não se desperdiçar a massa, era utilizado barro. Havia até quem utilizasse uma mistura de terra com bosta de vaca que pela quantidade de fibras era adequada à consistência da massa de vedar.
Uma vez fechada e vedada a porta do forno, esta era benzida com o Sinal da Cruz, feito com a pá. Estava terminada a tarefa pelo que restava aguardar uma a duas horas, conforme o tamanho do forno, a sua capacidade de aquecimento e da quantidade de broas.
Um dos momentos mais apetecidos era o da abertura do forno, pelo qual saía uma bafarada quente com aroma a pão quente. Só isso confortava a alma pelo que a barriga só depois de arrancado um naco de broa. Era conveniente, contudo, deixar arrefecer um pouco pois o ditado popular dizia que "Pão quente, diabo no ventre", o que significa que é perigoso comer pão muito quente.
As broas já cozidas eram retiradas com uma outra pá, esta em chapa de ferro, própria para se introduzir debaixo da broa para facilitar a sua remoção.
O pão então era colocado numa caixa de madeira e coberto e assim serviria para a companhar as refeições durante toda a semana. Claro que também servia de petisco fora das refeições, acompanhando uma mão-cheia de azeitonas, também da casa ou um pouco de salpicão de lavrador.
Com o avançar dos anos, estas práticas deixaram de ter lugar na maioria das famílias e já mesmo na aldeia são raros os exemplos deste tipo de confecção caseira. Claro que ainda subsistem, principalmente em aldeias do interior, ainda muito dependentes de uma agricultura de subsistência, mas são uma espécie em vias de extinção. Na minha aldeia ainda há pelo menos duas casas que produzem semanalmente a broa de milho caseira, seguindo praticamente os métodos artesanais de tempos antigos, mas já com uma vertente comercial. Mesmo assim, fazem com que ainda se coma broa de milho à moda dos nossos avós, dando um melhor acompanhamento a certas comidas, nomeadamente uma sardinha assada ou uns bons rojões caseiros.
7/20/2010
A Comunhão Solene ou Profissão de Fé
Esta celebração nos dias de hoje continua a ser importante e regra geral é motivo de festa na comunidade paroquial e nas famílias e para além da componente cerimonial, dá lugar a um lauto banquete.
Verdade se diga, apesar dessa mesma importância, muita coisa mudou e, no caso, para pior. Por regra realiza-se nos meses de Verão (Junho, Julho e Agosto).
Recordo-me perfeitamente do ano de 1973, quando num Junho muito quente, a 21, Dia de Corpo de Deus, juntamente com cerca de três dezenas de crianças entre rapazes e raparigas, vivi a minha Comunhão Solene. De facto foi um dia inesquecível, o culminar de uma longa preparação, com os 4 anos de catequese, a aprendizagem da doutrina que dava lugar a um exame escrito e oral realizado pelo pároco e os exigentes ensaios preparativos da cerimónia que incluiam cânticos, desfile em procissão e alguns discursos de ocasião. Recordo-me que ao lado de uma colega, e alternadamente, li a chamada Oração Universal ou Oração dos Fiéis, para além de ter cantado a solo um refrão de um cântico.
O dia da Comunhão Solene na minha aldeia, e até recentemente, por ser pequena, realizava-se apenas de 2 em 2 anos juntando em média cerca de 30 crianças. Por essa época e durante mais alguns anos, era de facto um dia de festa vivido de forma especial e que envolvia não só as crianças e famílias mas toda a comunidade.
Uma das etapas da cerimónia, logo pela manhã, consistia no ponto de encontro junto a uma capela existente num dos lugares altos da aldeia e depois um desfile encabeçado pelos “anjinhos” (crianças pequenas vestidas de anjinhos com tule colorido e com asas nas costas e aura de flores na cabeça) até à igreja matriz . Já na parte da tarde, depois do almoço, era rezado o terço cerimonial na igreja matriz e de novo uma procissão, tradicionalmente organizada, acompanhada por Banda de Música, rumando até à capela onde perante a figura de Nossa senhora, uma menina fazia um discurso de agradecimento. Depois a procissão, com a mesma pompa e circunstância, mas já com alguns “anjinhos” de asa caída, regressava de novo à igreja matriz onde terminava a cerimónia com o bonito rito da oferta dos ramos de flores a Nossa Senhora. Diga-se que a capela está afastada da igreja matriz cerca de 1,5 Km. Era assim um dia em cheio e cansativo.
Mas dizia que toda a comunidade se envolvia e com a devida antecedência, as mulheres organizadas por lugares, preparavam os enfeites, que consistia em fabricar flores de papel colorido e adornar com papel recortado centenas de metros de corda que depois serviriam para adornar o trajecto da procissão entre a capela e a igreja matriz. Os homens, na véspera da festa, tratavam de instalar os mastros com bandeiras nas bermas da rua do percurso, sendo a estes afixadas as decorações feitas pelas mulheres e nas bases dos mastros eram também afixadas folhas de palmeira às quais eram penduradas as flores de papel. O chão era enfeitado com plantas verdes, alecrim e rosmaninho.
7/11/2010
Velhos caminhos
Ontem, Sábado, já ao declinar da longa tarde mas ainda com o sol teimoso na descida, fui dar uma caminhada por velhos lugares e sítios percorridos em criança. Nessa altura, eram um palco misto de brincadeira e trabalho. Nas canseiras das lides do campo, ajudando os pais, havia sempre tarefas a cumprir, desde o tempo da preparação das leiras para receber as sementeiras até às colheitas, já por meados de Outubro, passando pelas mondas e regas, não faltavam motivos de cuidados e mil canseiras. A plantação da batata, do milho, feijão, centeio, aveia, até às podas e vindimas, ou mesmo no cuidado e guarda de algumas cabeças de gado, era sempre um pão-nosso-de-cada-dia, trabalhado, suado mas abençoado. Mas é claro que havia também tempo e lugar às brincadeiras, vestidas de aventuras de índios e cow-boys, Robin dos Bosques, Tarzan ou Pequenos Vagabundos.
Passados todos estes anos, quase tudo mudou: Essas generosas leiras, de onde se arrancava parte da subsistência diária, estão agora transformadas em extensões de pinhais bravios onde apesar da beleza das amoras silvestres, que já começam a engordar e a pintar, os silvados são reis e senhores. Os carreiros, ainda vincados de outros tempos, são mais estreitos e submersos pela vegetação que cresce a seu belo prazer. Os regos sinuosos por onde passavam ligeiras as águas cantantes a caminho das regas, como veias caudalosas levando vida aos grossos e verdes milheirais, estão quase impraticáveis porque já ninguém os usa. As represas, esses regaços límpidos de águas de nascentes e minas, são uma pálida imagem de outros tempos e outras necessidades mas nelas ainda moram as rãs e sapos e à sombras da densa vegetação que as adornam, ainda namoram piscos, rouxinóis, pintassilgos, melros, gaios e pegas. Os moinhos, tocados pela força dessas abundantes águas, estão já em ruínas, sem telhados e esventrados na sua inutilidade e dá pena ver os rodízios podres pelo tempo, evocando outros dias e noites em que incansáveis giravam afogados no infinito corropio da moagem dos consortes.
Mesmo assim, mesmo com toda esta dor de alma e de coração, faz-nos bem este regresso aos palcos da nossa meninice porque apesar desse entorpecimento e abandono das coisas e lugares, ainda é possível absorver muitas marcas de coisas imutáveis, como um velho muro, um velho carvalho, um aqueduto de água, a represa, o moinho, etç. Não é difícil adivinhar as mulheres a cantar pelos campos, alegres e distraídas; Ainda é possível sentir o cheiro morno da leiva da terra rasgada pela charrua puxada a bois nas frescas manhãs da Primavera na companhia das irrequietas alvéolas; Quase que sentimos o cheiro maduro das uvas e um mosto doce como banquete de abelhas e pássaros ou, mais cedo, uma aguarela de flores que hão-de brotar frutos.
Num desses sítios, um autêntico paraíso na terra, palco verde e fresco de uma sinfonia matinal de chilreios e de águas cantantes, estão já a decorrer obras de mais uma auto estrada, a A32 e tudo está já de pantanas e mesmo ao lado do velho moinho, onde tanta farinha vi nevar, mas agora em tristes ruínas, estão já a nascer pilares para um longo viaduto. É verdade que já não tem as frescas vides e sombras dos frondosos carvalhos e castanheiros como companhia, mas parace que vai descansar o resto dos dias á sombra do viaduto. Felizmente, mesmo à passagem do pogresso e dos caminhos de betão e asfalto, ainda há umas résteas de alguma sensibilidade e, sempre que se pode, preservam-se essas marcas de um tempo, de um povo e de um viver.
Já com o sol a brincar às escondidas por detrás dos pinhais do monte, volto costas e subo de regresso a casa, não muito longe, o que permite outros e constantes regressos, mas não deixo de pensar: – Meu Deus, o que te fizeram, vellhos sítios, o tempo e os homens!
(clicar nas imagens para ampliar)
11/17/2009
A nossa casa – A casa do lavrador
Hoje em dia , de um modo geral, as casas modernas são grandes, funcionais e confortáveis, mesmo que de apartamentos se fale. As novas técnicas de construção aliadas aos modernos materiais de construção e equipamentos tecnologicamente avançados, permitem de facto soluções de habitabilidade muito boas.
É claro que, infelizmente, ainda há muita gente a viver em velhas habitações, degradadas e nada funcionais e até mesmo em barracas, mas essa é uma realidade difícil de ser erradicada. Mas, apesar de tudo, muito se tem feito para a requalificação urbana e dignificação de quem habita nesses míseros espaços chamados habitações..
Seja como for, o que se pretende dizer, a propósito das páginas acima publicadas de dois antigos livros escolares, é o sentimento de carinho que de um modo geral temos para com as nossas casas, nomeadamente as casas de nossos pais e avós, as casas paternas, aquelas onde nascemos e crescemos.
Desde as mais simples e humildes às mais imponentes e magestosas, desde as da aldeia até às das vilas e cidades, todos nós temos ligações emocionais às nossas casas. No meu caso, nasci e cresci na casa de meus avôs paternos, herdada em parte pelo meu pai. É uma típica casa de lavrador (quase descrita nas páginas acima), com rés-do-chão e sobrado, como se chamava ao Andar e com cobertura com beiral de telha de canudo e com cornija. Na parte inferior existem compartimentos de arrumos, como a adega, a casa do lagar e no sobrado, a cozinha, sala e quartos e um amplo corredor, a que chamamos de varanda, com um renque de janelas viradas a nascente, a partir da qual se acede às restantes divisões. Paradoxalmente, sendo uma casa grande, não tinha casa de banho, mas sim uma simples retrete no logradouro da casa. Mais tarde, construímos de forma adjacente esse indispensável compartimento.
No logradouro, dispostas ao redor do chamado quinteiro, existem várias construções em pedra destinadas a currais do gado, galinheiros e ainda um tanque com água de nascente a cair dia e noite que abastece a casa e rega parte da quinta, coberto por ramada de videiras. Ao lado, o velho espigueiro onde descansa o resultado da colheita de milho. E claro, nas traves do alpendre, os ninhos de andorinha.
Hoje, na casa vive apenas a minha mãe mas semanalmente recebe sempre a visita dos vários filhos.
Claro está que muitas mais recordações podem ser associadas às nossas casas mas essas são pano para mangas de outras histórias e outras nostalgias.
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10/17/2009
Dia de parar o tempo
Vale o que vale, mas o interessante sítio “Viver hoje e sempre”, escolheu o Santa Nostalgia como o Blog do dia, no tema “Dia de parar o tempo”.
Este sítio, do Brasil, tem em cada dia do mês um tema diferente que é abordado em diferentes áreas, nomeadamente o cinema, a gastronomia, a música, etc.
Fica aqui o agradecimento pela escolha e deferência do nosso simples Blog.
Quanto ao tema em si, “Dia de parar o tempo”, não deixa de ser interessante. De facto todos nós, que já vamos avançados e avançando na idade e no tempo, temos uma necessidade emocional de voltar aos nossos tempos passados, nomeadamente aqueles momentos que por um ou outro motivo nos marcaram na nossa infância, e juventude. É claro que não se pretende parar o tempo porque essa é uma impossibilidade nossa, física e temporal, mas podemos, isso sim, viajar a qualquer momento às nossas mais ricas recordações e nostalgias, bastando, para isso, sonhar, mesmo que acordados.
Nós somos presente, e almejamos ser futuro, mas somos sobretudo o passado. É verdade que o passado é uma parte temporal que se perde a cada momento, mas também é ele que nos acompanha e estrutura. Quem ignorar o seu passado não estará em condições de compreender e valorizar o presente, porque este, amanhã já será novamente passado.
Ainda quanto à escolha do blog Santa Nostalgia, não deixa de ser sintomático ter sido feita por um sítio do Brasil, onde temos muitos visitantes. Neste aspecto sabemos que na nossa hortinha chamada Portugal o reconhecimento é uma colheita quase sempre tardia porque na nossa génese lusitana somos quase sempre ingratos e invejosos. Está-nos no sangue.
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9/30/2009
Outono – Cores quentes e nostalgias
Naquele que foi o meu livro de leitura da segunda classe, uma das características interessantes é que assinalava o começo das diversas estações do ano. Isso era feito com duas páginas ilustradas com as cores e elementos que caracterizavam cada uma dessas épocas do calendário do tempo. Tinha um bonito texto e uma música que se aprendia. Esse livro foi magnificamente ilustrado pela Maria Keil e pelo Luís Filipe Abreu, cujos estilos por vezes se confundem, mas creio que estas ilustrações a que me refiro são do pincel mágico do Luís.
Assim, e porque já estamos neste pleno período, trago à memória as páginas correspondentes ao Outono, com as suas cores quentes e brilhantes e alguns frutos lembrando o tempo de colheitas das coisas amadurecidas pelo Verão.
O Outono está fortemente associado ao tempo do início das aulas nos diferentes graus de ensino. Recuando no tempo e na minha memória, recordo-me do meu primeiro dia de escola e toda a expectativa e ansiedade que sentia, tanto no próprio dia como nos dias anteriores.
A minha primeira classe foi feita numa Escola Primária, localizada a 50 metros da casa de meus pais (idêntica à desta imagem mas apenas com um piso e por isso com duas salas). A partir da segunda classe e até à quarta, fui para uma outra escola, quase a estrear, pois tinha sido edificada há pouco tempo noutro lugar da freguesia (idêntica a esta).
Devido a essa proximidade, desde cedo observava com fascínio aquele ambiente de algazarra de crianças nas diversas brincadeira durante o recreio ou na entrada, silenciosa e disciplinada, para as duas salas. Este clima despertava em mim uma forte vontade de completar os 6 anitos para entrar e participar naquele mundo. Para além de todo este ambiente, que me era próximo, como disse, tinha um motivo acrescido que era o de desejar aprender para passar a ler e a compreender eu próprio as histórias e as lições que já via fascinado nos livros do meu irmão mais velho, então já na segunda classe a quem insistentemente pedia para me ler.
Por outro lado, o Outono significava já o tempo frio, com chuvas, ventos e geadas. Era, pois, imperioso o uso de roupas mais quentes, incluindo cachecóis e gorros. O tipo de escola que frequentei na primeira classe tinha uma lareira para aquecimento nos dias mais frios mas a verdade é que, por questões logísticas (nessa altura não havia pessoal auxiliar), nunca me recordo de ter funcionado. Por isso, as mãozitas tinham que se valer de luvas de malha (para os mais ricos) ou umas peúgas que se enfiavam. Outro estratagema, era trazer de casa uma pedra ou uma cunha de ferro aquecidas no lume e embrulhadas em papel de jornal, funcionando assim, por pouco tempo, é certo, como um aquecedor portátil.
Por vezes, no recreio, que se estendia para um largo terreiro adjacente à escola, a criançada fazia fogueiras com gravetos que colhia no pinhal próximo.
Por tudo isto, são sempre fortes e nostálgicas as recordações do tempo que passamos na escola primária. Certamente que voltaremos a estas memórias que não são apenas minhas mas de todos nós que já passamos sobre essa fase da nossa vida.
9/18/2009
Rical – Sem corantes nem conservantes
9/10/2009
Tempo de vindimas
8/24/2009
Cruzada - Revista Eucarística
Pensada, inicialmente, para as crianças e jovens, acabou por fazer sucesso junto de leitores de todas as idades. A confirmá-lo está a tiragem mensal (90.000 exemplares), que faz desta revista um dos órgãos de comunicação da Igreja Católica em Portugal com maior difusão. Está presente junto dos emigrantes portugueses, tendo assinantes em 82 países.
Mantém desde há longos anos uma secção mensal – Testemunhos Vivos – destinada a publicar cartas de leitores que testemunham o poder da fé e da confiança em Deus, nas mais diversas e, por vezes, dramáticas circunstâncias.
Outra secção mensal intitula-se Perguntas com Resposta e destina-se a esclarecer dúvidas, no âmbito da fé, da moral e da religião, na fidelidade ao Magistério da Igreja Católica.
8/21/2009
Sabonete Feno de Portugal - Os aromas da natureza
Quem não tem presente o cheiro a bronzeador de coco nas quentes tardes de Verão na praia, ou o cheiro a mar ou maresia pela manhã? Que tal o cheiro agradável de um copo de leite com café ou uma cevada ou chocolate quentes, a fumegar? Em casa, o cheiro agradável de um refugado ou de um assado acabado de sair do forno? No jardim, o perfume a rosas e cravos ou ervilhas-de-cheiro? E as belas-donas, agora no final de Agosto, ou mesmo as açucenas? Ou até mesmo o cheiro a relva acabada de cortar pela manhã, com mistura de cidreira, hortelã e menta? Claro que no mundo das flores os perfumes são imensos e inconfundíveis. E na escola primária, o cheiro a lápis de cor acabados de afiar e o aroma fresco dos livros novos?
Em casa, nas limpezas, o cheiro fresco a sabão Clarim, da cera de soalho ou do detergente OMO ou JUÁ ou ainda do aroma intenso da lixívia ou do petróleo? No campo, o cheiro fresco que se respira entre os milheirais orvalhados, ou o cheiro morno da terra acabada de lavrar? O aorma a uvas frescas ou acabadas de pisar no lagar? No pinhal, o perfume do eucalipto ou dos pinheiros bravos, resinosos, acabados de abater? O aroma inconfundível de um bom vinho tinto, o cheiro a leite-creme acabado de queimar, o aroma de vinho quente com canela (champarrião) ou a fragrância das castanhas assadas ainda a escaldar? O aroma das sardinhas assadas com pimentos, de um bife grelhado e do pão de milho acabado de saír do forno, ou mesmo um pão de trigo bem quentinho barrado de manteiga? Hummmmm.
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