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1/29/2018

A "francesinha"


A "francesinha", uma espécie de sande ou sandwinch servida num prato, envolta em molho atomatado, para comer de faca e garfo, é por demais conhecida, e já não só no Porto ou em Portugal, pelo que quase dispensa apresentações. No estrangeiro os sítios de referência de viagens e locais têm falado dela a ponto de ser incontornável para quem visita o nosso país e sobretudo a região do Porto.

A sua história ou origens estão mais ou menos identificadas e localizadas na cidade do Porto e temporalmente aos anos 50. 
Independentemente do rigor das histórias à volta da sua história, e nestas coisas há sempre a tendência ou tentação de muitos pretenderem ser o pai da criança, certo é que este já típico prato nortenho e português, com projecção além fronteiras, tem conhecido muitas variações, tanto ao nível dos ingredientes base como na forma de ser confeccionada e mesmo servida. E há versões para todos os gostos. No entanto, apesar dessas diferenças, é mais ou menos de consenso geral que os ingredientes principais são a carne, de bovino ou porco, disposta entre fatias de pão de forma e com camadas de linguiça, fiambre, salsichas e revestidas com queijo e encimada por um ovo estrelado e acompanhadass por batatas fritas em palitos e na bebida, preferencialmente por canecas de cerveja. E, claro, uma vez montada no centro do prato largo e fundo, regada com o fundamental e indispensável molho, de resto o elemento realmente diferenciador, já que a forma de ser confeccionado e a panóplia de ingredientes que suportará ( e são muitos) fazem toda a diferença e dão motivos à guarda de segredos de tais receitas melhor conseguidas e popularizadas. Há, pois, estabelecimentos cuja preferência dos clientes reside precisamente nas características do molho servido, seja ele mais aveludado, consistente ou aguado, picante ou não.

A "francesinha", por tudo isso e pelas já algumas décadas de história, faz parte legítima do nosso património gastronómico. Por conseguinte, são já muitas as memórias de outros tempos relacionadas a este prato calórico e reconfortante e quase todos terão histórias para contar.

Numa simples homenagem a este tradicional prato, deixamos aqui esta memória acompanhada por uma ilustração de nossa autoria.

1/20/2011

Festa das Fogaceiras

 

Hoje, 20 de Janeiro, é feriado municipal em Santa Maria da Feira, tendo lugar no centro da cidade a secular Festa das Fogaceiras, resultante de antigos votos ao Mártir S. Sebastião.

A origem da Festa das Fogaceiras

A “Festa das Fogaceiras” apareceu-nos datada de 1505, altura em que o País foi fustigado por uma “epidemia brava e cruel”, a peste. Então os Condes do Castelo e da Feira, ramo nobre criado em 14 de Janeiro de 1452, apelaram ao Mártir S. Sebastião para que acabasse com o morticínio dos Feirenses, prome¬tendo-lhes a realização de uma festa anual, onde o “voto” seria a “fogaça”!

Até 1700 - data em que o Condado do Castelo e da Feira se extinguiu por falta de descendência, passando os seus domínios para a “Casa do Infantado” - a “Festa das Fogaceiras” foi promovida pelos senhores das Terras de Santa Maria da Feira, habitantes do paço intra-muros do Castelo.
Daí, e durante quatro anos, a festa foi suspensa, reatando-se a tradição de seguida, e até 1749, por iniciativa das famílias mais abastadas do Concelho. Verificou-se entretanto novo surto de peste e em 1753, por Alvará de 30 de Julho, o Infante D. Pedro, irmão de D. João V, determinou à Câmara Municipal que assumisse definitivamente a realização da “Festa das Fogaceiras”, para o que dispenderia 30.000 réis!

Esta determinação foi justificada com a vontade do povo e a existência “imemorial” do voto.
Por isso, o voto foi cumprido pela Câmara Municipal até 1910, altura em que, invocando-se a separação entre a Igreja e o Estado, a festa passou a ser realizada por autoridades civis, a título indivídual, e pela Santa Casa da Misericórdia.

No dia 15 de Julho de 1939, a Câmara Municipal deliberou retomar a responsabilidade de realização da festa, decisão que se mantém agora como atribuição assumida pelo poder autárquico concelhio.

As “fogaças do voto” foram inicialmente distribuídas pela população em geral, depois pelos pobres, mais tarde pelos presos e pelas personalidades concelhias, em fatias chamadas “mandados” e hoje entregues à autoridade religiosa, política e militar regional que tem jurisdição sobre o Município de Santa Maria da Feira.

fonte: Link

fogaça_fogaca

Fogaça – Um pão doce, com base de farinha e ovos, caracterizado pelo golpe superior em cruz, que depois de cozido resulta nos 4 coruchéis representativos das 4 torres do Castelo da Feira.


12/25/2010

Consoada de Natal

 

Na minha aldeia, por tradição, a consoada de Natal é realizada no próprio dia. Por isso, daqui a pouco, a família reúne-se à volta da mesa (ampliada nesta altura)  para a celebração desta importante tradição e data de convívio familiar, num espírito fraterno de paz e partilha. É claro que é impossível reunir a família toda, pois só de parte de meus irmãos seríamos uns quarenta a juntar a mais uns vinte por parte de minha esposa. Sendo assim, as coisas vão-se dividindo pelas consoadas de Ano Novo e Dia de Reis.

Lembrei-me em ilustrar este simples artigo com uma das belas páginas do meu livro de leitura da primeira classe.

Mais, logo, se houver tempo, conto colocar aqui algumas fotos das coisas boas que recheiam a nossa mesa e que certamente serão comuns a outras mesas espalhadas pelo país, do norte ao sul e do litoral ao interior. A caldeira de batata com bacalhau e couve penca, servida em amplas travessas de barro, rabanadas de vinho com canela, a aletria, os bilharacos, o leite-creme, o bolo-rei, as nozes e muito mais.

consoada_de_natal_sn_1

Depois da consoada, cá vos deixo algumas das iguarias que fizeram parte da ementa:

caldeirada_bacalhau_natal

caldeirada_bacalhau_natal_2

- caldeirada de bacalhau com couve penca

rabanadas_de_vinho_natal

rabanadas_de_vinho

- rabanadas de vinho, polvilhadas com açúcar, mel e canela

mousse_de_chocolate

- mousse de chocolate

pudim

- pudim “francês”

bilharacos

- bilharacos de bolina (abóbora)

leite_creme

- leite creme (gratinado com ferro em brasa)

aletria

- aletria

bolo_rei

- bolo-rei

Nota: Exceptuando o bolo-rei, foi tudo confeccionado em casa.

(clicar nas imagens para ampliar)

8/20/2008

Biscoitos de champanhe

 biscoitos de champanhe_santa nostalgia_01

Tempos houve em que certos produtos eram especiais porque se confinavam a uma específica região ou apenas se consumiam numa determinada época ou quadra festiva. Por exemplo, as rabanadas e as filhoses no Natal, as amêndoas e pão-de-ló pela Páscoa, a orelheira pelo Entrudo ou Carnaval, etc. Outros exemplos poderiam aqui ser dados.

Com a globalização, essa coisa fantástica que aproxima as pessoas e o mundo e simultaneamente as afasta, a indústria e o comércio começaram a generalizar o fabrico e venda de diversos produtos e artigos ao longo do ano, anteriormente confinados às tais épocas festivas determinadas pelo calendário, quase sempre com uma forte substância religiosa mas também profana. Por conseguinte, hoje come-se rabanadas, pão-de-ló e amêndoas em qualquer ocasião e em qualquer altura do ano. Não admira, pois, que assim se tenha perdido a magia de muitas coisas, diluído os sabores e desvanecidos os aromas. Creio que os meus queridos leitores compreendem isto.

Dentro desta realidade, hoje trago à memória os deliciosos "biscoitos de champanhe", em muitas regiões também chamados de "palitos" ou "palitos la reine". Claro que ainda existem e encontram-se facilmente nas prateleiras de qualquer superfície comercial, sendo fabricados tanto por casas tradicionais quer pela gigante Dan Cake.

Todos reconhecem estes simples e saborosos doces, com uma forma rectangular e com as extremidades arredondadas, com tonalidade  dourado claro, estaladiços e suaves, tradicionalmente com sabor a limão, e revestidos superiormente por açúcar granulado.

Ora estes "biscoitos de champanhe", nos meus tempos de criança, eram um luxo e consumiam-se apenas na Páscoa, e acompanhavam-se sempre com champanhe, ou vinho espumante, à maneira portuguesa. Acompanhar uma taça de resplandecente champanhe com dois ou três biscoitos, era um momento simbólico e  festivo.

Hoje, como atrás dissemos, tudo isto se acabou e bebe-se champanhe e come-se "biscoitos" em qualquer altura do ano, a qualquer pretexto, nem que seja num simples lanche nas tardes de domingo. Para além do mais, estes biscoitos são muito utilizados na confecção de certos bolos, como o conhecido Tiramisú.

Por estes dias bebi champanhe acompanhada pelos ditos "biscoitos" da mesma, mas faltava a tal magia, o tal pretexto de festividade. As coisas perdem-se com o tempo, inolvidavelmente.

Talvez seja diferente na próxima Páscoa. Talvez.

biscoitos de champanhe_santa nostalgia_02

champanhe_santa nostalgia

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