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4/17/2010

Ninho de ovos de galinha

 

ninho de ovos

galinha

Quem vive em ambiente de aldeia, sabe bem que as galinhas são quase omnipresentes. Qualquer família, no logradouro da casa, junto ao quintal, horta ou jardim, tem o seu galinheiro e nele galos e galinhas. A sua deliciosa carne e os não menos apetecíveis ovos, são um dos motivos que leva a que as galinhas sejam possivelmente dos animais mais  abundantes num contexto doméstico.

Por todos esses motivos, desde que me conheço sempre vivi lado a lado, passe a expressão, com as galinhas. Foi assim quando era criança, em casa de meus avôs e meus pais (a minha mãe continua a ter a sua criação) bem como actualmente, junto à minha horta possuo uma construção anexa onde tamnbém há lugar para um galinheiro. Por sua vez, estas vivem em liberdade já que têm uma parecela de terreno adjacente com cerca de 150 m2 onde andam à vontade, sempre incansáveis a revolver a terra, esteja sol ou chuva, seja de Inverno ou Verão, desde que despertam, bem cedo, até que recolhem ao galinheiro, também cedo.

Por regra compramos uma dúzia de pintos, frangos, dos vermelhos (cá em casa não gostamos dos brancos embora cresçam mais rápido e sejam de carne mais branca e tenra) que depois de adultos abastecem a arca frigorífica. Depois vem uma pausa na criação, de cerca de dois ou três meses. Para além disso, paralelamente, existem sempre no mínimo meia dúzia de galinhas poedeiras, que, regra geral, lá põem o seu ovo diário. Por isso em casa há sempre ovos frescos e em quantidade, tanto para as refeições como para cozinhar uns doces caseiros. Ainda sobram, de modo que parte deles são cedidos a familiares que, obviamente, os preferem aos adquiridos nos mercados, provenientes de aviários. Neste momento temos nove galinhas a pôr diariamente.

As galinhas são assim um elemento indissociável da nossa infância e fazem também parte das nossas memórias, que mais não seja quando recordo que na caristia própria de outros tempos, aos domingos matava-se uma galinha (os galos eram para dia de festa) e a saborosa canja ou delicioso arroz tinham um sabor que ainda hoje se sente. Nesses tempos os domingos tinham de facto uma marca própria, tanto no vestir como no comer. Hoje em dia tudo isso se diluiu e pelo vestir e pelo comer já nem sabemos a quantas andamos.

Recordo também que minha mãe, mulher de quase uma dezena de filhos, todos nascidos em casa, assistidos por parteira habilidosa da aldeia, nesses tempos de pós-parto tinha umas refeições melhoradas à base de galinha, tanto arroz como canja. Eram assim esses tempos em que as mulheres eram de outra têmpera, também porque a vida a isso as obrigava.

Outra forte imagem, era as galinhas da casa com as suas ninhadas de pintaínhos percorrendo o quintal, sempre à cata de minhocas e outros bicharocos. Nesse fase, era complicado a aproximação à galinha-mãe, sempre atenta aos filhotes, esses suaves novelos amarelos.

Como vêem, as galinhas, esses animais que dizem estúpidos, ainda têm muita importância no contexto da susbistência de muitas famílias portuguesas e, mais do que isso, evocam memórias e recordações.

Já agora, por curiosidade, pelo menos um dos ovos da imagem acima pertence à galinha da imagem. O seu ovo a seu dono(a).

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10/05/2009

Cães de Raça – Caderneta de cromos dos gelados Olá

 

Os gelados Olá sempre tiveram uma tradição de oferta de brindes que muito ajudou a cimentar a popularidade da marca junto dos consumidores mais novos. É o caso da colecção de cromos CÃES DE RAÇA. Esta colecção é constituída por um total de 96 cromos, representando igual número de raças das mais conhecidas a nível mundial.

As raças portuguesas estão representadas com três cromos referentes ao Cão Serra da Estrela, cromo Nº 4, o Cão Castro Laboreiro, cromo Nº 14 e o Cão Perdigueiro Português, cromo Nº 22.

A capa da caderneta, para além do título e do logotipo da marca Olá, apresenta um vistoso cão da raça Collie, talvez pelo oportunismo da popularidade da série de TV, Lassie.

Não cheguei a coleccionar esta caderneta mas recordo-me de me passarem pelas mãos alguns cromos. Do exemplar que obtive não consegui determinar o ano da publicação mas tenho algumas referências de que será do ano de 1969.

Os cromos fugiam do formato tradicional rectangular, já que cada figura era recortada sensivelmente pela silhueta de cada cão. Depois eram colados em sítio próprio na caderneta em cima de uma espécia de cenário. Na parte inferior de cada página da caderneta, era feita um breve síntese da raça referente a cada cromo.

Na contracapa era reproduzido um esquema de perfil de um cão com a indicação das diferentes zonas do corpo.

Fica a recordação desta caderneta muito simpática e instrutiva, como era norma na época.

Quanto às memórias pessoais relacionadas com cães, elas são muitas. Desde sempre os meus pais tiveram cães, sobretudo para guardar a casa. Eram essencialmente cães ditos rafeiros, até porque nesses tempos não tínhamos a noção das raças. Recordo-me sobretudo de um cão que tivemos, chamado Bobi, que era extremamente carinhoso e obediente para com o pessoal da casa mas deveras agressivo para com os visitantes. Das vezes que conseguia soltar-se, o primeiro que apanhasse na rua era mordidela certa. À custa desses problemas, um dia o meu avô que trabalhava na ocasião na zona de Coimbra, decidiu levá-lo para uma quinta de pessoas conhecidas, para ficar como cão de guarda.  A verdade é que o cão deve ter-se soltado na mesma ocasião pelo que volvida uma semana regressou a casa perfazendo uma distância de quase 80 quilómetros, o que é notável. Depois dessa façanha o Bobi passou a ser mais estimado pelo que voltou a ocupar o lugar de guarda da casa. Infelizmente, um dia soltou-se novamente e seguindo o meu pai para o trabalho, acabou por não mais regressar, talvez devido a atropelamento ou por algo envenenado que comeu por onde passou. Nunca o soubemos.

Depois do Bobi tivemos outros cães, igualmente dedicados à casa, igualmente com interessantes histórias que poderão ser recordadas noutra altura.

 

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9/04/2008

Sapo - O velho hortelão

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Hoje, quase no lusco-fusco, passei pelo meu jardim e voltei a ver o sapo Cantocas. Dei-lhe esse nome porque sempre que o encontro, desde o final da Primavera, está sempre no mesmo canto do jardim, onde possivelmente terá a toca, pois ali, junto ao muro, há abundante e diversa vegetação, incluindo madre-silva, cravos-da-índia, lavanda, etç. Para além do mais, nos dias de calor, a rega automática ao final de cada tarde dá-lhe e humidade que gosta e precisa.

É um grande sapo, castanho escuro. Mesmo por aqui na aldeia, já são extremamente raros estes bichos. Por isso o Cantocas é estimado, não só por ser espécie já rara mas também porque é conhecida a sua acção benéfica no jardim, na horta e no pomar.

Nesta situação, não deixo de recordar os meus tempos de menino, em que por regra não gostávamos de sapos, e sempre que tínhamos ensejo, pedrada em cima deles. Praticávamos a maldade de o colocar na ponta de um pau e o atirar a grande altura para o ver caír desamparado no chão até se esborrachar. Por um lado, nessa altura eles eram muitos e a qualquer passo esbarrávamo-nos com eles.

Por outro lado, havia aquela crença popular, pelo menos entre as crianças, de que os sapos eram perigosos e peçonhentos e que mijavam para o ar e se nos acertasse nos olhos ficávamos cegos. Cegos estávamos quanto ao papel positivo dos sapos nos jardins e nas hortas. Nem mesmo as lições que aprendíamos nos livros da escola, como o exemplo acima, servia para mudar a nossa natural repugnância por estes bichos. Pobres sapos , que à custa da sua infundada  má fama e aspecto pouco simpático, tanto mal sofreram.

Felizmente, o tempo ajudou-nos a mudar de mentalidade e agora fico bastante satisfeito por ter este morador, o Cantocas, cá pelo jardim. O meu filho a princípio também não gostou da visão do sapo, mas já lhe fiz perceber o seu bom papel de hortelão. apesar de ser um bocado p´ró feio, convenhamos.

É certo que este Verão foi pouco ou nada quente, mas matei saudades de outros tempos ao ouvir o Cantocas ao princípio da noite, no seu escuro refúgio, a entoar o seu característico assobio curto.

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