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7/21/2023

O meu ZX Spectrum 128K +2

A malta de agora, os mais novos, claro, não sabem destas coisas porque desde os primeiros momentos em que abriram os olhos e as orelhas ao mundo, ainda antes de se lhes tapar a moleirinha, já viam certamente os seus pais com telemóveis e depois já pela escola começaram a familiarizar-se com os computadores, entre eles os Magalhães, oferecidos às toneladas pelo bondoso do malabarista Sócrates (sendo que não foi por aí que o país escorregou para a bancarrota). Depois pelos aniversários, páscoas e natais, as consolas, as Segas, as Play Stations, os Nitendos, etc, etc., bem como de seguida a procissão com os andores de todas as demais santas tecnologias, que quase num passe de mágica se tornaram comuns e familiares e hoje qualquer um de nós, desde uma imberbe criança a frequentar o Jardim Escola até aos mais velhinhos no Lar, tem pelo menos um computador no bolso, com apps (aplicações) para tudo e mais alguma coisa, só faltando mesmo fazer francesinhas e tirar finos. Mas com tempo...

Ora eu e outros como eu, os cotas, podemos dizer que já fomos a Marte e a Saturno e que regressamos porque de facto o salto, gigantesco, foi quase cósmico, e nunca o aforismo do "ir do 8 ao 80" fez tanto sentido.

Andamos, pois, já acostumados a ter um potente computador no bolso e para além da função básica de fazer e receber chamadas telefónicas há toda uma catrefada de ferramentas tecnológicas para tudo e mais alguma coisa, que o 5G veio exponenciar, e com a AI, Inteligância Artificial, a permitir ao mais burros e iletrados da escola a possibilidade de se fazerem passar por génios, seja lá em que área, tanto a que lhes ensinam a somar 2 + 2,  a plantar alfaces, como a elaborar uma tese de mestrado ou mesmo a contruír um míssel hipersónico. Desde o puro entretenimento e arte de encher chouriços até às engenharias e ciências, tudo cabe ali e está ao alcance da ponta do dedo. E se não cabe, compra-se uma coisa ainda mais potente, com mais gigas, mais memória, mais velocidade nos processadores. E se um Android é coisa de pobretanas, vai-se num iphone xpto que é outra música e sobretudo dá estatuto. Aquela maçã trincada ali na parte de trás da coisa vale agora mais que noutros tempos um livre trânsito para entrar no campo de jogos do clube da aldeia ou na discoteca do bairro com direito a um Highland Clan.

Mas retomando o fio à meada, nos idos da década de 80,  quando os telemóveis eram ficção científica antes de começarem a ser tijolos, e os computadores profissionais coisas tipo sapateiras que ocupavam uma sala e pesavam tanto como um tractor, eu tive um computador portátil, maneirinho. Só não terei sido o primeiro na aldeia porque o comprei ao primeiro, então como agora passados 40 anos, inapto a usar tudo o que tenha teclas. Por isso, posso dizer que o comprei quase virgem, ainda com a caixa a cheirar a novo, e com um custo para o qual dispendi três ordenados e dava para comprar uma motorizada.

Foi, pois, ali por 1986 e uns picos, com o ZX Spectrum 128K +2, também conhecido como Sinclair ZX Spectrum +2, que foi lançado em Setembro desse ano. Então foi uma versão actualizada do ZX Spectrum, um popular computador doméstico lançado pela Sinclair Research Ltd. A versão +2 trouxe algumas melhorias em relação ao modelo anterior, incluindo a capacidade de carregar jogos e programas através de um leitor de cassetes de fita embutido, além de possuir 128KB de memória RAM. Essa actualização fez então do ZX Spectrum +2 um computador ainda mais atractivo para os ainda poucos utilizadores da época.

Convém lembrar que o computador só por si não tinha ecrã pelo que era comprado à parte, sendo que podia ser ligado à televisão e para os jogos poderia ainda ser ligado um joystick. Como se perceberá, com 128K de memória não dava para absolutamente nada de acordo com os actuais padrões, eventualmente para uma imagem de baixa qualidade, mas naquela altura dava para coisas que já pareciam impossíveis. É claro que o ponto forte da sua utilização era os jogos, que podiam ser carregados a partir de uma vulgar cassete do tipo de música, mas cujo carregamento só por si demorava aí uns 5 a 10 minutos e por vezes falhava o carregamento após esse tempo. Era o tempo em que a paciência era uma arte. Por sua vez os jogos nas cassetes podiam ser comprados ou então, como agora, pirateados.

Verdade se diga, então rudimentares como agora sofisticados, nunca me entusiasmaram os jogos de computador, tirando um ou outro, como o popular Chukie Egg, em que alcançar um outro nível era quase como atingir um orgasmo, mas preferia programar outras coias, incluindo músicas cujo som era apenas o monocórdico bip. Mas nesse espírito aprendi a linguagem de programação que o computador usava, o Visual Basic, chegando mesmo a tirar formação e comprando livros. Fiz assim programas de contabilidade e outros na altura inovadores.

A verdade é que não mexendo na coisa há muitos anos, e mesmo que o monitor tenha ido prestar contas ao criador, a verdade é que ainda tenho o computador lá por casa e uma catrefada de cassetes. No fundo são memórias ainda muito vivas e palpáveis e que mais não seja, servem para nos trazer à realidade dos tempos actuais e ter em conta o fosso gigantesco ocorrido em apenas três décadas. 

Nem vale a pena lembrar, mas é claro que desde lá para cá, fomos tomando parte no processo de desenvolvimento e passando por todas as fases, a contar as versões do Windows, a sentir o peso e volume dos computadores e monitores a diminuirem, depois a internet e com ela todo um mundo como a digitalização dos serviços e empresas, as redes sociais, a inteligência artificial, etc. etc, etc.

É o que é, e só quem trilhou essas duas partes do caminho, como nas realidades ou fantasias do país maravilhoso de Alice, dividido pelo espelho, é que pode sentir as diferenças e com elas espantar-se, ou não. Os mais novos, estou certo, nunca as conhecerão nem se espantarão porque entraram e viajarão sempre com o combóio em alto andamento.

Mas fica aqui para os meus seguidores a memória e o testemunho, sobretudo para quem não acredita que foi assim no passado não muito distante.


É BOM SABER:

Ainda a propósito do computador de que falei, na época do lançamento do ZX Spectrum 128K +2 em 1986, havia vários computadores concorrentes no mercado, alguns dos quais competiam directamente com o ZX Spectrum e outros que faziam parte do cenário geral de computadores domésticos da década de 1980. Alguns dos principais concorrentes do ZX Spectrum +2 incluíam:

Commodore 64: Lançado em 1982, o Commodore 64 era um dos concorrentes mais fortes do ZX Spectrum. Ele tinha uma ampla base de utilizadores e uma grande biblioteca de jogos e programas.

Amstrad CPC: A série de computadores Amstrad CPC, lançada em 1984, também era uma concorrente directa do ZX Spectrum. O Amstrad CPC oferecia gráficos e som melhorados e foi uma escolha popular para jogos e aplicações educacionais.

Atari 8-bit: A linha de computadores Atari 8-bit, incluindo modelos como o Atari 800 e o Atari 800XL, também competia com o ZX Spectrum. Foram bastante populares nos EUA e noutros países.

MSX: O padrão MSX foi uma plataforma de computador amplamente adoptada por várias empresas de electrônicos no Japão e noutros lugares. Embora não tenha sido tão popular em algumas regiões, os computadores MSX eram concorrentes do ZX Spectrum em vários mercados.

Apple II: Embora fosse mais comum nos Estados Unidos, o Apple II também foi vendido noutros países  e competia com outros computadores domésticos da época, incluindo o ZX Spectrum.

Esses são apenas alguns exemplos dos computadores concorrentes do ZX Spectrum 128K +2 na década de 1980. O mercado de computadores domésticos já era diversificado e competitivo naquela época, com várias opções disponíveis para os consumidores. Cada um desses computadores tinha as suas próprias vantagens e desvantagens, e a escolha do computador muitas vezes dependia das preferências pessoais e do conteúdo de software disponível para cada plataforma.

De lá para cá o salto foi gigantesco mas em muitos aspectos foram padronizados os sistemas enquanto plataformas, sobretudo no hardware, ficando a diversidade por conta do software e serviços.

7/18/2021

SEB - Panelas de pressão

 


Cartaz publicitário do ano de 1964 às panelas de pressão SEB.

Por cá, talvez sejam populares as panelas de pressão da Silampos, ou a sua conterrânea Celar, ambas de Cesar - Oliveira de Azeméis. Também as da Tefal. Provavelmente, passam despercebidas as da SEB. Todavia, esta marca remonta a 1857 em França, quando o funileiro Antoine Lescure decide montar a sua empresa, que um pouco mais tarde adopta o nome de SEB - Societé d´Emboutissage de Bourgogne.

Em 1954 surge a sua famosa panela de pressão que rapidamente se transforma no produto de charneira.

Em 1962 a empresa, já com um vasto leque de produtos, lança o seu primeiro electrodoméstico, uma cafeteira eléctrica. Um pouco mais tarde, em 1967, lança a primeira fritadeira eléctrica "sem odor".

A empresa avançou, em crescimento e inovação e hoje é um grande grupo ao qual pertence, veja-se, a Tefal, acima referida, porventura maior fabricante mundial de louça e apetrechos de cozinha. Ao grupo pertencem ainda as conhecidas marcas Moulinex, Rowenta e Krups.

2/13/2020

Contax - Zeiss Ikon

Cartaz publicitário de 1953 à câmara fotográfica "Contax" da Zeiss Ikon A.G.

Na senda do artigo de ontem, novamente uma máquina de fotografar, de tecnologia e fabrico alemão. A Contax foi um modelo iniciado no início da década de 1930, pela Zeiss Ikon, fundada pelo prestigiado fabricante de lentes Carl Zeiss. A marca rapidamente tornou-se popular, competindo com as máquinas da Leica, então também prestigiadas.

Já na década de 1970 a Zeiss estabeleceu uma parceria com a japonesa Yashica no sentido de redução dos custos de produção. Por sua vez a também fabricante japonesa Kyocera adquiriu a Yashica em meados da década de 1990 dando continuidade ao fabrico da linha Contax a qual veio a transitar para a tecnologia digital.

Já em 2005 a Kyocera com alegadas dificuldades em acompanhar a evolução do mercado da fotografia digital decidiu terminar com a Contax.

Como curiosidade, alguns dos modelos mecânicos ainda têm procura e vendem-se a preços bem altos.

2/12/2020

Robot Star


Cartaz publicitário à marca de câmaras de fotografara "Robot Star". - Data de 1953.

Hoje em dia o acto de fotografar tornou-se vulgaríssimo porque qualquer telemóvel, por mais básico que seja, traz incorporado uma aplicação  de câmara, não só para fotografia como para vídeo. Por outro lado, os modos automáticos permitem que os requisitos técnicos para o utilizador sejam indispensáveis. É enquadrar, focar, e já está! 

É claro que daí até ao acto de fotografar com qualidade, técnica e conhecimento associado à arte da fotografia, vai ainda uma grande distância, mas, quem se preocupa? De resto qualquer fotógrafo, mesmo que amador, mas com paixão pela fotografia, não se contenta, obviamente, com a câmara do telemóvel, e regra geral investe numa câmara específica. Pela minha parte, mesmo como amador, tenho três diferentes câmaras, uma Canon, uma Nikon e para vídeo uma Sony. Mas longe do modelos profissionais que a carteira é pequena.

Analisando o cartaz acima, o modelo anunciado dispõe de  características muito interessantes para a época.
Quanto à marca Robot, é alemã, cuja origem remonta a 1934. O modelo do cartaz, o Robot Star surgiu em 1950.

2/06/2020

Tempo - Há que tempo...


Cartaz publicitário de 1956 aos veículos alemães "Tempo".

Quase ninguém se recorda desta marca e dos seus veículos de transporte, cujos modelos mais vendidos e populares são precisamente os acima anunciados. Alguns deles, como o "Matador" e o "Winking" num misto de autocarro e carrinha e com formato de algum modo seguido pela Wokswagen com os seus populares "pão de forma". De resto a compoente motorizada era fornecida pela Wokswagen.


A "Tempo"  foi fundada como Vidal & Sohn Tempo-Werke em 1924. Durante a década de 1940, a Tempo produziu pequenos veículos militares. No pós-guerra, a exigência do Bundesgrenzschutz , na Alemanha Ocidental, de adquirir um veículo adequado para a patrulha da fronteira levou à produção do tempo de 80 "e 86" de 1953 a 1957. Os Tempo 80 "e 86" foram construídos usando um chassi de rolamento da Land Rover, mas as tentativas de continuar a produção com os modelos 88 "e 109" não foram bem-sucedidas.

Em 1958, a Firodia Ltd, fabricante indiana de carros (posteriormente adquirida pela Bajaj Auto, renomeada desde 2005 para Force Motors ), iniciou a produção de carros de três rodas Hanseat com a colaboração da Tempo-Werke. Mais tarde, a Tempo introduziu o Matador, que (junto com o Hanseat) era extremamente popular na Índia, onde era usado como mercadoria transportando veículos. O Matador de quatro rodas permaneceu em produção pela Tempo de 1949 a 1967.

Em 1966, a Tempo estabeleceu uma parceria com a Hanomag AG , os veículos produzidos foram vendidos com o nome de Hanomag. De 1967 a 1970, os veículos foram vendidos com o novo nome "Hanomag-Henschel". Em 1971, a Hanomag-Henschel e dentro da Tempo foram compradas pela Daimler-Benz AG. A Tempo permaneceu na produção de vans até 1977. De 1966 a 1977, todos os veículos produzidos pela Tempo foram vendidos com um nome diferente, Hanomag, Rheinstahl-Hanomag, Hanomag-Henschel ou Mercedes-Benz.

Vários veículos Tempo já foram extremamente comuns como mercadorias transportando veículos nas ruas das cidades indianas onde a empresa indiana os comercializava.

[fonte: Wikipédia]






[fotos acima: fonte: link]

7/29/2019

O Duplicador - Porque duplicar é preciso

Hoje em dia damos como fácil e certo o processo de reprodução e cópia de documentos, seja num ambiente doméstico, com recurso a uma simples impressora ligada ao computador, com ou sem fios, seja no escritório, na empresa ou escola. Para quantidades e outras exigências de formato e de tipo de suporte, existem de forma generalizada os centros de cópias,  com modernas fotocopiadoras a laser, plotters e mesmo outros equipamentos, versáteis e hoje em dia já com custos baixos.

Noutros tempos, porém, e nem será necessário recuar aos tempos da reprodução pela escrita ou os imediatamente posteriores à invenção da impressão por Gutemberg o processo de replicação de documentos era um empreendimento complexo, moroso e relativamente dispendioso.

Mas recuando apenas quarenta ou cinquenta anos, e pondo de lado a particularidade da impressão relacionada às gráficas, editoras livreiras e imprensa, mas ainda antes da generalização das fotocopiadoras e mais tarde às impressores térmicas, de jacto de tinta e a laser, as necessidades de impressão em série e em grandes quantidades em ambiente de empresa, de escola ou de qualquer organização, encontravasolução nos duplicadores, inicialmente apenas mecânicos e mais tarde com rotação eléctrica.
Estes duplicadores, também designados de mimeógrafos, sobretudo os populares da marca Gestetner, permitiam de facto a reprodução de cópias em quantidade a um custo de produção acessível.

Um duplicador ou mimeógrafo, embora com o mesmo objectivo de uma fotocopiadora, na realidade era um elemento de impressão, com um sistema rotativo, já que obrigava à utilização de uma matriz ou molde como original, em concreto uma película chamada stencil. Este stencil era constituído por um papel especial o qual introduzido na máquina de escrever permitia ser parcialmente perfurado pelos caracteres metálicos, o que depois de encaixado no duplicador permitia passar a tinta pelos orifícios e assim obter uma cópia. Para além do texto, com algum cuidado e engenho, utilizando estiletes metálicos era possível também gravar alguns desenhos, mesmo que pouco elaborados, sob pena de danificar o stencil.



A tinta, com base de álcool, para ajudar a secar rapidamente, era adquirida em grossos tubos dos quais se injectava num cilindro rotativo de base porosa que absorvia a tinta. Depois era girar a manivela manualmente com uma velocidade adequada. A força centrífuga e a pressão do rolo com o papel impelia a tinta através da matriz e assim obtinha-se cada cópia. Para imprimir no lado oposto, era necessário deixar secar as folhas impressas num dos lados e voltar a introduzir a nova matriz e voltar a repetir o processo.
Por conseguinte, era um processo de cópia relativamente barato mas de baixa qualidade e a exigir algum esforço e habilidade em todo o processo.

Este tipo de equipamento de reprodução de cópias tornou-se muito popular e acessível nos anos 70, nomeadamente no período pós revolução do 25 de Abril de 1974 permitindo aos partidos e organizações sindicais e políticas imprimir em grandes quantidades e a baixo custo os seus panfletos de propaganda (abaixo, ver imagens das impressões típicas deste sistema). Também eram muito utilizados em escolas, empresas e outras organizações que necessitavam de formulários e outros documentos.




Cá pela minha aldeia, pertencia eu a uma associação cultural e recreativa que durante várias anos, toda a década de 80 e parte da de 90, publicou um jornal mensal, que durante uma boa parte desse tempo foi impresso com recurso ao duplicador. Inicialmente mecânico, depois eléctrico e mais tarde substituído por uma máquina de impressão offset, embora esta de formato ligeiramente inferior ao A3, mas que permitia, em diferentes etapas, introduzir cor, o que em edições especiais usávamos para distinguir o título do jornal e de notícias. Ora a vermelho, ora a azul.

Especiais tempos esses, que contados agora à nova rapaziada ser-lhes-á difícil acreditar face à facilidade e generalização das impressoras e modernas fotocopiadoras.

Assim, de modo especial o Duplicador, foi de uma importância fulcral no desenvolvimento e acesso à cultura e à informação, pelo que tem um papel e um lugar especiais nas nossas memórias colectivas.

6/05/2019

Motorizadas antigas - Emblemas e autocolantes - 1

Com tempo, iremos publicando por aqui alguns dos emblemas e autocolantes de alguns dos modelos de motorizadas fabricadas em Portugal pelos idos anos de 60, 70 e 80. 
As imagens são reproduções a partir de originais, embora nalguns casos em variantes de cor e modelo, mas ambas elaboradas por nós no formato vectorial, embora aqui publicadas em formato raster.





6/04/2019

Motorizadas e motorizadeiros



Tecnicamente a coisa designa-se de ciclomotor, que em regra corresponde a um veículo de duas ou três rodas, equipado  com um motor de combustão interna, cuja cilindrada não exceda 50 cm3 e com velocidade máxima de fabrico programada para os 50 km hora. 
Mas entre nós, este bicho na versão de duas rodas, equipado com o tal motor de 50 cm3, mas com velocidades máximas que podem perfeitamente atingir 100 Km/hora, popularmente designa-se de motorizada. A única diferenciação para um motociclo ou mota é fundamentalmente a cilindrada e obviamente a estrutura e tecnologia adequada à potência e velocidade. 

As motorizadas existem, pois, há bastantes anos, mas entre nós generalizaram-se na década de 70 e 80. Depois disso entraram na moda as práticas scooters, menos barulhentas e poluentes  e mais económicas. Com o aumento do poder de compra, depressa os automóveis e motociclos de maior potência e capacidade tecnológica, sobretudo das marcas japoneses, vieram quase de forma definitiva encostar as velhinhas motorizadas ou mesmo remetê-las para a sucata. Em face dessa realidade, pelo final dos anos 80 e seguintes algumas das nossas mais emblemáticas empresas fabricantes de motorizadas acabaram por fechar portas e na falência.

Há poucos anos, porém, entrou na moda o mercado dos artigos clássicos ou chamados vintage. Tal como muitos outros produtos, incluindo os coleccionáveis, como cromos, brinquedos, revistas, livros, relógios, etc, as motorizadas tornaram-se também objectos apetecíveis para tal mercado, em muito impulsionado pela saudade de outros tempos. Assim, quem pelos anos 70 e 80 comprou a sua motorizada logo que completou os 18 anos de idade, agora já quarentões e cinquentões, estão a recuperá-las e a dar-lhes nova vida, juntando-se em grupos ou em clubes, designados de motorizadeiros, que aos fins-de-semana, nomeadamente quando o tempo o permite, se reúnem, dando umas voltinhas e convivem dando a conhecer as suas "meninas" ou "princesas", trocando experiências e aspectos técnicos ligados às peças e ao restauro e partilhando memórias de outros tempos.

É certo que para trás ficaram os verdes anos de adolescentes montados nas suas motorizadas, percorrendo velozes os sítios e festas à procura de raparigas, e agora as pobres motorizadas, também elas com o peso dos anos, mesmo que renovadas no aspecto e mesmo em algumas peças, vêem-se montadas por homens de meia idade, invariavelmente gordos e barrigudos, numa imagem de nostalgia mas com uma boa dose de caricatura. Mas as coisas são como são.

Com toda esta moda, estão abertos mercados de venda de peças e de restauro das velhinhas motorizadas e há modelos para todos os gostos, mas quase sempre ligados aos clássicos motores e modelos de marcas como Sachs, Casal, Zundapp, KTM, Famel, EFS, SIS, Macal, Florett, Kreidler, etc. Os mecânicos de motorizadas encontraram um nicho de marcado e não têm mãos a medir. O que dá para restaurar restaura-se, e o que não, vende-se em peças. Uma qualquer motorizada que pelos anos 70 ou 80 custava 50 ou 60 contos vende-se agora, devidamente restaurada, a 1000, 1500, 2000 euros e até mais, dependendo da idade e raridade do modelo ou do estado de conservação base.

Pela minha parte, logo no início de 1980 comprei também uma motorizada, que ainda possuo, um modelo da EFS Fórmula 1 com motor alemão da Sachs, de 5 velocidades, cor preta. O mesmo modelo mas com variantes, também foi comercializado com o motor Kreidler, tipicamente da Florett, mas também com  Zundapp e Casal, bem como noutras cores, nomeadamente um dourado/cobreado e mesmo vermelho. Se a memória me não atraiçoa, esta Fórmula 1 era dos modelos mais caros disponíveis no stand e custou-me cerca de 60 contos, pagos a prestações garantidas por letras de câmbio. Deu muitas voltas em tempos de solteiro e mesmo já depois de casado, e dessas muitas voltas sobram muitas histórias à sua volta.

Depois de comprado o primeiro carro, tem estado encostada e apenas muito ocasionalmente  a ponho a trabalhar para que não "adormeça" definitivamente. Por estes dias, tirei-lhe o pó, e depois de alguns empurrões lá pegou e até permitiu dar uma pequena volta. Até uma nova oportunidade, vai voltar a ficar encostada.
Por um lado há a tentação de a restaurar, com pintura e cromados novos e reposição de uma ou outra peça já desaparecida ou avariada e uma afinadela no motor. Mas por outro lado não sou adepto de restauros profundos porque acho que as coisas têm que demonstrar o peso e o efeito dos anos e do uso. Daí que muitos as queiram afinadas mas com a patine ou marcas próprias do tempo. Mas são opções e até há muitos motorizadeiros que à falta das suas motorizadas originais, que venderam ou mandaram para a sucata, acabam agora por comprar semelhantes às que tiveram ou desejaram ter. Sentimental e afectivamente não é a mesma coisa, mas remedeia.

Seja como for, mania, moda, saudade ou mais do que isso, não deixa de ser interessante e positivo que se recuperem velhas máquinas que tiveram um papel importante na vida de muitas pessoas, num tempo em que os meios eram poucos e os automóveis um luxo reservado a ricos.

Pessoalmente, confesso, não ligo patavina às motos (com excepção das verdadeiras clássicas) e o conceito de motard não me diz absolutamente nada e acho tanta piada a uma concentração de motas e motards como estar parado numa fila de trânsito em plena auto-estrada num dia de calor tórrido. Em contrapartida, quanto às motorizadas, estas têm de facto alguma magia pela sua simplicidade mecânica e estrutural e pelo contributo que deram a uma certa classe operária, traduzindo-se num meio de transporte prático e económico, ajudando assim ao desenvolvimento de uma grande parte da população portuguesa, de modo notório nesses idos anos de 60, 70 e 80. Por outro lado, muito ao contrário das motos, as motorizadas tiveram em Portugal, sobretudo na região da Bairrada, uma importante implementação industrial que em muito contribuiu para o desenvolvimento não só da região como do país. Foi um sector com história e tradição.

É certo que os tempos actuais são outros, e continuam a vender-se motas e motociclos, incluindo chinesas, até em resposta ao crescente aumento dos combustíveis, mas já num contexto social muito diferente, sendo que, todavia, o automóvel veio definitivamente sufocar a importância dos concorrentes de duas rodas. Mas com os combustíveis a subirem a preços quase criminosos, porque altamente afectados por impostos, não tardará o tempo em que os  carros, pelo menos nas urbes, darão a lugar aos bichos de duas rodas e até mesmo a bicicletas, de resto como já sucede em muitas cidades e muitos países.

Vejamos, entretanto, se esta moda das motorizadas e dos motorizadeiros será sol de pouca dura ou se veio para ficar, sendo certo que as velhinhas máquinas nunca perderão a sua magia e o seu peso histórico.

Quanto à EFS, a ter em conta alguns dados publicados pela web,  a marca nasceu em 1911, fundada por Eurico Ferreira de Sucena, com estabelecimento na Borralha, em Àgueda,  então como fabricante de de acessórios para bicicletas e para o ciclismo. Anos depois, em 1939, a EFS fabricou as primeiras bicicletas a pedais e posteriormente em 1952 iniciou a produção de bicicletas equipadas com motor.
A década de 1960 foi muito positiva para a marca de Eurico Ferreira de Sucena, com um incremento das encomendas para o mercado interno mas também com o início das exportações dos seus veículos para alguns países europeus, americanos e mesmo asiáticos.

A empresa continuou a crescer nos anos seguintes e em 1974 entrou em laboração uma segunda unidade industrial, localizada em Avelãs de Caminho - Anadia, dando-se simultaneamente a mudança da sede e administração da EFS.
O grosso da produção centrava-se então nos ciclomotores mas em 1978 a empresa dá corpo aos motociclos com a fabricação de uma moto de 125 cm3 equipada com motor Puch, de dois tempos. De resto a empresa não tinha motor de fabrico próprio e os seus modelos eram equipados sobretudo com motores Sachs, Zundapp, Casal, Puch e Kreidler, Cucciolo, Derbi, Minarelli e até mesmo da japonesa Yamaha.

Já na década de 1980, embora ainda com muita venda de ciclomotores, a EFS deparou-se com forte concorrência, nomeadamente de outros países e acabou por entrar em decadência e veio mesmo a encerrar as portas.  De resto esta mexida no mercado por essa época afectou muitas empresas do ramo, como a Macal, Casal, Famel e muitas outras que caíram inapelavelmente deixando um rasto de história.

Por sua vez, a metalurgia Casal foi fundada em 1964 por João Francisco do Casal. Foi a maior fábrica de motores nacionais, produzindo motores de diversas cilindradas para diversos fins, incluindo motociclos. A Casal foi a marca portuguesa que atingiu maior notoriedade e chegou a exportou para diversos países.
A Famel, Fábrica de Produtos Metálicos, foi fundada em 1949 na Mourisca, em Águeda, por João Simões Cunha, Augusto Valente de Almeida e Agnelo Simões.

2/19/2017

O papel químico

 O "papel-químico", também conhecido por papel de carbono, faz parte da nossa história e memória colectivas. Durante muitas décadas foi um elemento imprescindível em tudo quanto era gabinete, agência, escritório ou repartição onde se tratasse de papelada, cartas, ofícios, facturas e muitos outros documentos e fosse necessária a sua duplicação ou reprodução. Também usado para reproduzir documentos escritos manualmente, mas também e sobretudo com uso na máquina de escrever, sendo colocado entre duas folhas e por vezes até mais.

Os tempos mudaram, vieram as reproduções por álcool, os duplicadores rotativos com stencil, os computadores e com eles as impressoras a laser e jacto de tinta que se tornaram acessíveis, porque baratas, e hoje o papel químico, ainda produzido e comercializado, serve apenas para uns trabalhos específicos, desenrascanços e sobretudo para utilizadores avessos às novas tecnologias e que vão resistindo a trabalhar ainda à moda antiga. Apesar disso, embora com tecnologia diferente, o princípio do papel químico está ainda amplamente  incorporado em muitos documentos, formulários e impressos burocráticos.

O papel-químico, do inglês carbon-paper, terá sido patenteado no longínquo ano de 1806, em Inglaterra por Ralph Wedgwood, pioneiro na reprodução e cópias em escritórios, a que chamou de “noctograph” uma vez que o seu propósito inicial era ajudar a escrita no escuro, ou seja, para os invisuais, com a ajuda de um estilete. Há, porém, fontes que referem a sua invenção ter ocorrido uns anos antes, em 1801, em Itália, pelo inventor Pellegrino Turri que o concebeu como suporte de tinta para a sua primeira máquina de digitação mecânica, vulgo máquina de escrever, fazendo impregnar  as folhas de papel com tinta preta a que baptizou de  “carbonated paper”. Nessa altura ainda não havia sido inventado o sistema de fita.  A ideia, embora inovadora numa época em que quase todos os documentos eram escritos à mão, não se popularizou e por questões de segurança  e receio de falsificação de documentos, os tribunais não aceitaram a sua utilização quase até ao final do séc. XIX. No entanto, nos Estados Unidos, com a crescente generalização das máquinas de escrever, o papel-químico tornou-se popular e depressa o seu uso e importância alargaram-se à escala global.
Em cor base azul ultramarino ou preto, mas também em vermelho e verde, este emblemático papel foi sendo comercializado entre nós por várias marcas mas sobretudo pela Pelikan ou a Kores, esta fundada em Viena – Áustria, fabricante de papel químico desde 1887 e que em  1912 lançou o sistema de fita para as máquinas de escrever.

papel_quimico_1

papel_quimico_2

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5/04/2016

Nota de 500 escudos



Saudosa nota portuguesa de 500$00 (quinhentos escudos). Apresenta a efígie de D. João II e circulou pelas carteiras dos portugueses entre 04 de Novembro de 1966 e 29 de Janeiro de 1988.O prazo legal para trocar esta nota por euros terminou  vinte anos depois, ou seja, em 29 de Janeiro de 2008.

Alguns dados sobre esta bela nota, recolhidos no Banco de Portugal:

Chapa de elevada qualidade técnica, tem como motivos salientes a efígie do Rei D. João II, o Príncipe Perfeito (1455-1495), e um pormenor dos grupos escultóricos que decoram o Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, de autoria do Mestre Leopoldo de Almeida. O retrato patente nas notas é cópia de uma pintura existente no Kunsthistorisches Museum, de Viena, da colecção do Arquiduque Fernando do Tirol, e identificado como sendo do décimo terceiro rei de Portugal. Na altura do aparecimento desta nota gerou-se certa controvérsia na atribuição dada, sustentando alguns entendidos que o referido retrato, devido a determinados elementos iconográficos (chapéu, camisa, barba e corte de cabelo), era mais susceptível de representar D. João III ou até D. Manuel I. Estas opiniões, também refutáveis, motivaram novas contestações, não se chegando, porém, a uma conclusão definitiva de consenso geral.

Emissões: 111 073 000 notas com as datas de 25 de Janeiro de 1966 e 6 de Setembro de 1979; primeira emissão: 17 de Outubro de 1966; última emissão: 6 de Abril de 1982.

10/21/2013

A lâmpada eléctrica


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Passam hoje 134 anos sobre a data de 21 de Outubro de 1879, considerada como a da invenção da lâmpada eléctrica, também conhecida como incandescente, pelo inventor norte-americano Thomas Alva Edison, culminando uma demanda que vinha desde o início do séc. XIX.
Edison, foi uma das muitas figuras da ciência que tentaram obter uma prática fonte de iluminação a partir da energia eléctrica e depois de várias e infrutíferas opções no uso do filamento adequado, lá acertou, ao usar um componente de carvão. Como aconteceu em muitas grandes invenções, foi por mero acaso e como resultado de várias  tentativas e erro. Apenas em 1880 a sua invenção foi patenteada.

Esta foi uma das invenções que veio revolucionar definitivamente a nossa relação com a noite e a escuridão, tanto no campo como na cidade e com ela o mundo nunca mais foi o mesmo.
De lá para cá, a lâmpada incandescente foi conhecendo alguns aperfeiçoamentos tecnológicos até ao ponto em que na Europa tem sido substituída por versões chamadas de nova geração, com sistemas fluorescentes e de halogéneo, tornado-se mais caras mas energeticamente mais eficientes e com maior durabilidade. 

Paradoxalmente, mesmo no nosso país, no interior remoto  ainda há pequenas aldeias  que não têm rede eléctrica. Para além disso até há pouco menos de meio século uma grande parte do interior de Portugal também não dispunha de rede eléctrica. Na minha aldeia, considerada como zona de litoral, só na segunda metade da década de 50 é que passou a beneficiar desta infra-estrutura e mesmo assim de forma parcial, tendo-se generalizado apenas no final dos anos 70.

6/25/2010

Brinquedo Osul – Estádio de Futebol - Espelho




Hoje trago à memória um simples mas prático e interessante objecto, que é simultaneamente um jogo e um espelho. Este brinquedo, com sensivelmente 50 mm de diâmetro e 15 mm de espessura, era fabricado pela Osul. Esta fábrica que produziu inúmeros brinquedos que povoam agora o nosso imaginário infantil, teve a sua origem em 1931, na cidade de Espinho. Então, os irmãos Manuel Henriques (1886-1954) e Artur Henriques (1892-1965), provenientes de Lisboa, fundaram uma pequena empresa de bijuterias e quinquilharias diversas, designada de Henriques e Irmão, Lda, que derivou depois para Luso Celulóide. Nos anos 50 os irmãos apartaram a sociedade e um deles prosseguiu a actividade com uma nova marca, a Hércules e o outro continuou mas mudando o nome de Luso Celulóide para Osul (Luso lido ao contrário). Curiosamente, neste brinquedo é possível lêr-se as duas designações (Luso e Osul).

Para além dos interessantes aspectos ligados à história da empresa em questão, que pela Web podem ser encontrados, a verdade é que os inúmeros brinquedos que fabricou, mesmo as internacionalmente conceituadas miniaturas de automóveis com a marca Metosul, designação que a empresa adoptou já numa fase posterior aquando da introdução no fabrico de maquinaria de fundição injectada, fazem hoje parte das nossas mais gratas memórias do tempo de criança e as brincadeiras associadas.

Este brinquedo em particular, fez parte das minhas brincadeiras no final dos anso 60 e princípios de 70. Para além da óbvia função do espelho de bolso, o jogo traduzia-se numa representação de um estádio de futebol, com bancadas, relvado e  balizas. Dentro do estádio existe uma pequena bola, uma esfera metálica e o princípio do jogo passa por tentar introduzir a bola numa das balizas. É claro que este jogo podia ser  disputado a dois, em que cada criança tinha direito a uma, duas ou três tentativas, estipulando-se um critério para terminar o jogo que poderia ser por um determinado número de séries de lançamentos, de modo a encontrar-se um vencedor. 
  
Recordo-me muito bem que este brinquedo, de que tive vários exemplares, acompanhava-me sobretudo em locais onde tivesse que esperar, nomeadamente no barbeiro, mas também nas horas de recreio onde com os colegas disputávamos campeonatos.
Compare-se o brinquedo em toda a sua simplicidade com uma das actuais consolas de jogos, mesmo as mais banais e de facto as diferenças são abismais, mas a magia que sobrou desses temos e desse brinquedo, como de outros, é  inconfundível e intemporal.

Artigo relacionado: [Link]


brinquedo osul estadio sn2

brinquedo osul estadio sn4

brinquedo osul estadio sn3

brinquedo osul estadio sn5

4/27/2009

Código Morse - Marinha de Guerra Portuguesa

 A propósito do aniversário de Samuel Morse (218 anos sobre o seu nascimento em 1791), criador do célebre código de comunicação que ficou conhecido com o seu nome, a que hoje o Google faz referência com o logotipo adaptado à efeméride, como acontece com outros eventos, saltou-me à memória a minha experiência como Operador Táctico, uma vertente da especialidade de Comunicações na Marinha de Guerra Portuguesa, onde prestei serviço militar em meados dos anos 80. Os operadores tácticos tinham a especialidade de comunicação visual, como mensagens por bandeiras e transmissão e recepção de comunicações via código morse visual.

Recordo, por isso, de ter participado num concurso designado de COMPCOMAR, onde obtive um honroso terceiro  lugar na especialidade de transmissão e um quinto lugar na recepção. Nada mau, se considerarmos que eram vinte ou trinta colegas concorrentes.

Na altura o serviço militar era considerado uma autêntica seca, tanto mais que era obrigatório. Foram dois anos subtraídos à vida civil com os inerentes atrasos, como se compreenderá. Apesar de tudo, hoje à distância de mais de vinte anos, recordo com saudade muitos momentos e experiências, tanto mais que a Marinha tinha uma componente educativa muito forte, que julgo ter aproveitado, devidamente, para além de muitos outros aspectos de convivência e camaradagem.

Creio que já o disse noutra ocasião, mas depois da recruta na Escola de Alunos Marinheiros, em Vila Franca de Xira, passei para a Base Naval do Alfeite, para a Escola de Comunicações, onde tirei o curso atrás referido e finalmente passei para o Comando Naval do Continente, na Base Naval de Lisboa, onde estive até completar dois anos inteirinhos de serviço.

Quanto ao Código Morse, é claro que o aprendi de cor-e-salteado, pelo que durante muito tempo os traços e os pontos estavam na ponta da língua, nos olhos e nos dedos. Mas pronto, hoje em dia apenas sei de cor os códigos de alguns caracteres.

Também aprendi o nome e significado de todas as bandeiras, o chamado alfabeto fonético. O método de aprendizagem passava pela distribuição de um baralho de cartas contendo todas as bandeiras numa face e o nome das mesmas no lado oposto. Nas horas vagas era um exercício obrigatório.
Como curiosidade, neste link, pode-se escrever um determinado texto e depois ver e ouvir a sua tradução em Código Morse.
Por exemplo: Santa Nostalgia: ... .- -. - .- / -. --- ... - .- .-.. --. .. .-


codigo morse

medalha marinha

Uma das medalhas que conquistei no concurso COMPCOMAR.

divisas marinha

As minhas divisas do posto de segundo-marinheiro, com que terminei o serviço militar obrigatório, na especialidade de Comunicações.

marinha grupo comunicacoes

Ainda a propósito do meu serviço militar, não importa para o caso, mas nesta foto acima, eu devo estar por ali, algures na segunda fila da frente para trás, misturado entre os colegas do curso de Comunicações.
Bons tempos que já não voltam, apenas na nostalgia da nossa memória. Voltarei às memórias da tropa.

4/24/2009

Máquinas de tricotar

 Recordo-me que nos anos 70 e até meados de 80, principalmente, na minha aldeia havia várias mulheres que trabalhavam em casa com uma máquina de tricotar, produzindo peças para comerciantes ou fábricas. Claro que esta era uma realidade extensível a todo o país.

Foi um modo de vida que teve o seu ponto alto nessa época porque era relativamente rentável e permitia às mulheres alguma autonomia financeira sem sair de casa, permitindo-lhes, simultaneamente, desempenhar as tarefas domésticas, gerindo o tempo a seu modo.

Para esta actividade era indispensável adquirir uma máquina de tricotar, o que exigia um investimento substancial. No entanto havia empresas que forneciam as máquinas.
Com o avançar do tempo o vestuário de malha foi perdendo alguma preponderância, pelo que a par do desenvolvimento tecnológico das grandes empresas, essa actividade caseira acabou quase por se extinguir. Sobrevivem ainda algumas situações mas mesmo assim adaptadas às necessidades do mercado. Conheço uma pequena empresa, quase familiar, em que o principal produto que fabrica são os saquinhos em malha para telemóvel.

Este cartaz publicitário de meados da década de 60 refere-se a uma marca francesa, a ERKA, muita conceituada a par da Passap e Singer.
Não deixa se ser uma imagem nostálgica tendo em conta que o produto anunciado, a máquina de tricotar tornou-se num quase objecto obsoleto, pelo menos no contexto em que foi propagandeado, o doméstico ou familiar.
Tenho saudade do meu pulôver verde que na altura mandei tricotar a uma amiga.


erka maquina de tricotar santa nostalgia

3/13/2009

O novo livro de leitura da 4ª classe - 1973

livro da quarta classe 1973 01

livro da quarta classe 1973 02

Hoje falo do livro escolar " O novo livro de leitura da 4ª classe", uma edição de 1973 da Porto Editora, de autoria de António Branco.
O livro, com capa dura, apresenta as dimensões de 150 x 210 mm, com 144 páginas.
Sendo um dos últimos manuais do tempo de Estado Novo, imediatamente anterior ao 25 de Abril de 1974, é simultaneamente um dos melhores livros de leitura do ensino primário de sempre, quer pela qualidade e diversidade dos textos, quer pelas excelentes ilustrações de Eugénio Silva e pela sua qualidade gráfica geral. Por outro lado, António Branco era um autor experiente que produziu excelentes edições de manuais para o ensino primário, nomeadamente nas disciplinas de História e Ciências Geográfico-Naturais. É caso para se dizer que hoje já não se fazem livros assim.
Para além da qualidade geral do livro, de referir a introdução de histórias com recurso à técnica da banda desenhada, uma das especialidades do ilustrador.

 

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livro da quarta classe 12

livro da quarta classe 13

livro da quarta classe 14

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