Da mesma série do Catecismo Nacional - Volume I, trago aqui à memória o Volume III.
De 1955, 64 páginas com ilustrações em aguarela de Isolino Vaz.
Da mesma série do Catecismo Nacional - Volume I, trago aqui à memória o Volume III.
De 1955, 64 páginas com ilustrações em aguarela de Isolino Vaz.
Manuel Maria Rodrigues, natural de Valença do Minho, foi um prolífico escritor, jornalista e arqueólogo. Iniciou a sua trajetória profissional precocemente como tipógrafo nas oficinas do jornal “O Comércio do Porto”. Graças à sua sagacidade e talento natural para a escrita, progrediu na estrutura do jornal, exercendo sucessivamente as funções de revisor, repórter e, finalmente, redator efetivo. Esta posição profissional conferiu-lhe o tempo e os meios necessários para publicar uma série de romances e operetas antes mesmo de atingir os 20 anos de idade.
Apesar da sua produtividade, o autor viveu grande parte da carreira no anonimato crítico. Os especialistas literários da época, habituados a obras eruditas e tramas centradas no "glamour" das classes altas, desconsideravam a sua produção. O preconceito devia-se tanto à falta de estatuto social do autor quanto à natureza das suas histórias: romances de amor provinciano protagonizados por personagens prosaicas, como operários, agricultores e gente simples.
O reconhecimento nacional da sua obra consolidou-se apenas no ano do seu falecimento, em 1899, quando a adaptação teatral do seu romance “A Rosa do Adro” obteve um sucesso estrondoso. O impacto desta obra perdurou por décadas, levando a que, em 1916, fosse selecionada para ser transposta para o grande ecrã. Concluída em 1919, a versão cinematográfica (ainda na fase do cinema mudo) tornou-se uma das primeiras adaptações literárias e um dos marcos inaugurais da cinematografia portuguesa.
Manuel Maria Rodrigues faleceu no Porto, a 16 de agosto de 1899.
Sinopse do livro "Rosa do Adro":
Rosa é uma pobre costureira que vive com a avó e que se enamora de Fernando, filho de ricos lavradores e finalista de Medicina. António, rapaz do campo, ama Rosa, que não lhe corresponde, e espia os namorados. Rosa e Fernando encontram-se às escondidas de noite, num quintal. Numa noite de chuva encontram-se no quarto dela e António apercebe-se deste facto. A partir deste momento, Fernando desinteressa-se de Rosa e enamora-se de Deolinda, filha de uma marquesa, conhecida de Rosa, e que vive no Porto. Rosa fica doente com tuberculose. Mas Deolinda, conhecedora do caso de Fernando e Rosa, exige-lhe que se case com Rosa, ao que ele recusa. António arma uma emboscada a Fernando que fica gravemente doente. Este e Rosa acabam-se por casar. Rosa morre mais tarde. O Padre Francisco, que recolhera António, revela-lhe que Rosa não podia ter casado com António pois eram irmãos. Com o remorso de ter causado a desgraça de Rosa e de Fernando, suicida-se.
AMOR, Manuel Antunes, 1881-1940
Cartilha Moderna : método legográfico analítico-sintético de ensino inicial educativo / por
Manuel Antunes Amor. – Nova ed. – Lisboa : J. Rodrigues [deposit.], 1930. – 2 vol. : il. ;
19 cm. – (Como Lili e Lulu foram educados no primeiro ano de escola).
1.ª Parte: Método. – 68 p.
MANUEL ANTUNES AMOR, Educador e Professor, natural da Freguesia de Igreja Nova (Ferreira do Zêzere), nasceu em 1881 e faleceu a 11-07-1940. Diplomado pela Escola Normal de Leiria, começou a exercer o magistério primário em 1902 no lugar da Serra, em Tomar. Posteriormente, foi transferido para a escola do Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes). Em 1907, foi-lhe atribuída uma bolsa de estudo na Alemanha. Visitou escolas primárias alemãs, austríacas, suíças e francesas, frequentou em Leipzig, a Escola do Magistério Primário, o Instituto de Pedagogia e Psicologia Experimental e as cadeiras pedagógicas da Faculdade de Letras (onde foi aluno de Wundt).
Regressou a Portugal em 1909 e, na escola primária do Rossio de Abrantes, utiliza os novos métodos pedagógicos que aprendeu na Alemanha. De 1911 a 1912 foi inspector primário nos currículos escolares de Abrantes e Moimenta da Beira. De 1912 a 1916 foi professor de Alemão e de Desenho no Liceu Colonial, em Cernache de Bonjardim. Em 1916 foi para a Índia, como inspector primário, e introduz nas suas escolas os mais modernos métodos de ensino. Em 1919, segue para Macau com a função de superintendente das escolas municipais, regendo também um curso de Pedagogia. Em 1922, voltou à Índia, reassumindo as suas antigas funções.
Em 1930, aposentou-se devido a doença. Manuel Antunes Amor é um dos autores de referência da primeira metade do Século XX. Apesar de não ter tido uma acção preponderante no ensino normal, como desejava, o seu trabalho na divulgação de novos métodos de ensino foi extremamente importante. A sua carreira como autor didáctico iniciou-se em 1906 com a aprovação oficial do seu Compêndio de Desenho e continuou, em 1910, com a publicação do Manual de Estenografia e Caligrafia. No entanto, foi com a divulgação, que se iniciou nesse mesmo ano, da sua Cartilha Moderna, que o tornou conhecido. Esta obra, que tinha como subtítulo “Método Legográfico Analítico-Sintético de Ensino Inicial Educativo”, era produto da sua imaginação e dos princípios pedagógicos que observara no estrangeiro e ensaiara já em Portugal.
Mais tarde, em 1929, criou a Caixa Legográfica, ou seja “uma máquina universal para o ensino inicial da leitura e da escrita simultâneas e combinadas”, cuja patente registou em vários países e que ganhou a medalha de prata da Exposição Colonial de Paris, em 1931. Para além desta actividade central, Manuel Antunes Amor colaborou regularmente com a imprensa pedagógica, com artigos sobre “o professor actual e o mestre-escola antigo” (Revista Pedagógica, 1904), o “ensono do Desenho” (Revista Pedagógica, 1904), o “Cinema na Escola” (Revista Escolar, 1923-1924), a “Instrução Elementar na Índia” (Educação Nova, 1924), o “Ensino da Escrita” (Revista Escolar, 1933-1934). Manuel Antunes Amor deu um contributo importante para a inovação do ensino da leitura e da escrita em Portugal. A sua “Caixa Legográfica”, que doou à Biblioteca-Museu do Ensino Primário e que, ainda na década de 1980, se encontrava exposta na Escola do Magistério Primário de Lisboa, ilustra bem o seu esforço como educador.
O seu nome faz parte da Toponímia de: Ferreira do Zêzere (Penedinho, Freguesia da Igreja Nova – Estrada Manuel Antunes Amor).
Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa, 1º Edição, Outubro de 2003, Pág. 90, 91 e 92)
Passaram ontem, 18 de Fevereiro de 2025, 126 anos sobre a data de nascimento do poeta popular algarvio e português, António Aleixo (António Fernandes Aleixo - Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 – Loulé, 16 de Novembro de 1949).
Foi um poeta popular, conhecido pelas suas quadras de carácter satírico, filosófico e social. Nascido em Vila Real de Santo António, no Algarve, viveu grande parte da sua vida em Loulé. De origem humilde, trabalhou como guardador de gado, cauteleiro e vendedor ambulante, mas destacou-se pela sua capacidade de expressar, em versos simples e directos, críticas sociais, reflexões sobre a vida e a condição humana.
A sua poesia, apesar de aparentemente singela, revela uma grande profundidade e inteligência, tocando temas como a injustiça, a hipocrisia e as dificuldades dos mais pobres. Muitas das suas quadras tornaram-se intemporais e continuam a ser citadas como verdades indesmentíveis.
Algumas quadras famosas de António Aleixo:
Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de Filosofia.
Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que, às vezes, fico pensando
Que a burrice é uma ciência.
P'ra mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço.
Entre leigos ou letrados,
fala só de vez em quando,
que nós, às vezes, calados,
dizemos mais que falando.
Não sou esperto nem bruto,
nem bem nem mal educado:
sou simplesmente o produto
do meio em que fui criado.
Apesar de ter enfrentado dificuldades financeiras e problemas de saúde (sofreu de tuberculose), António Aleixo deixou um legado importante na literatura portuguesa.
Títulos:
Quando começo a cantar – (1943);
Intencionais – (1945);
Auto da vida e da morte – (1948);
Auto do curandeiro – (1949);
Auto do Ti Jaquim - incompleto (1969);
Este livro que vos deixo – (1969) - reunião de toda a obra do poeta;
Inéditos – (1979); tendo sido, estes quatro últimos, publicados postumamente.
Num tempo em que a pretexto de tudo e de nada usamos inglesismos, que falta nos faz a prática da nossa língua mãe. Todavia, pelo que se vai lendo, vendo e ouvindo, já não há volta a dar porque estamos mesmo colonizados.
Exaspera esta falta de amor próprio, mas sempre fomos de engate fácil e vendemo-nos por tão pouco, por tuta e meia.
No início dos anos 1980, mais concretamente em 1982, bem antes da vulgarização da internet, GPS e sítios electrónicos de referência de viagens e experiências de alojamento e restauração, a editora Selecções do Reader´s Digest publicava o livro "À Descoberta de Portugal".
Em capa dura, ao longo de 550 páginas fazia-nos percorrer o país de lés a lés, de norte a sul, do litoral ao interior.
Muitas e excelentes fotografias acompanhadas de mapas e roteiros dos principais locais a visitar em cada região, eram um manancial de olhares a instigar à partida, à viagem e à descoberta do nosso Portugal. Eventualmente nessa altura com menos e bons acessos mas também menos descaracterizado. Mas o progresso tem destas coisas e quanto mais perto em tempo nos colocamos de qualquer recanto do interior, mais deserto e abandonado este fica.
Mas adiante. Por tudo isso este livro, este pedaço de história, geografia, cultura, tradições e artesanato, é hoje quase obsoleto na sua função, mas tem um lugar particular nas nossas memórias de outros tempos que, parecendo que foram ontem, têm quase quarenta anos de passado.
Hoje trago à memória o livro escolar “Iniciação da Leitura”, de autoria de Manuel Subtil, Cruz Filipe, Faria Artur e Gil Mendonça e ilustrações do conceituado Eduardo Romero. Trata-se de uma edição da Livraria Sá da Costa, de Lisboa, integrada na colecção “A Escola Primária”. O exemplar que possuo refere-se à 2ª edição e está datado de 1931.
O manual tem dimensões de 155 x 210 mm e 64 páginas, muitas delas a quatro e a duas cores. Tem ainda um desdobrável, com as dimensões de aproximadamente 800 x 500 mm em que são reprduzidas muitas das ilustrações do livro.
De todos os antigos manuais escolares dedicados ao ensino da leitura, este é sem dúvida um dos mais bonitos e completos.
Hoje trago à memória o manual do ensino primário “Ciências Naturais” da Colecção “Franco”, de autoria do Prof. José Maria Gomes, edição da Livraria Popular de Francisco Franco – Lisboa.
Tem um formato de 125 mm x 180 mm e um total de 52 páginas, várias delas ilustradas. Aborda temas como zoologia, incluindo o corpo humano, botânica, Mineralogia e Física.
O exemplar que possuo, referente à 25ª edição, não tem data mas a ter em conta outros manuais do autor, presumo ser dos anos 40. Ademais a ilustração assinada por Ferreira Branco tem a data de 44.
Hoje trago à memória o livro de leitura da 4ª classe de autoria de Joaquim Gaspar.
Dimensões: 15 x 20 cm, com capa dura. 144 páginas, com muitas ilustrações e fotografias a cores e a preto-e-branco.
O exemplar que possuo é do ano de 1968 e corresponde à 9ª edição com edição, impressão e distribuição da Atlântida Editora, de Coimbra. A capa tem a fotografia de parte de uma tapeçaria existente na sala de sessões dos Paços do Município do Porto de autoria do Arq. Guilherme Camarinha, intitulada “Hino em Louvor, Honra e Glória da Cidade do Porto“. Como curiosidade, refira-se que esta tapeçaria é a maior de um grupo de três do mesmo autor e que decoram a sala de sessões. As duas mais pequenas, nas paredes laterais da sala têm como temas "A faina no Douro" e "S. João".
A tapeçaria maior e central procura retratar a história da cidade do Porto e foi elaborada entre 1955 e 1958, contendo 8 milhões de pontos, tantos quantos os habitantes da época.
Voltando ao livro escolar, as ilustrações do livro são de autoria de Marques Elias.
O autor, Joaquim Gaspar tem vários outros manuais escolares, nomeadamente o “Vidas em Flôr”, também da 4ª classe e sobre o qual já aqui falamos e com edição posterior ao agora relembrado.
Não foi o meu livro da quarta classe, mas é um belo exemplar e que certamente, até a avaliar pelo número de edições, passou pelas mãos de muitos portugueses. Certamente que serão muitos os que guardam dele boas memórias.
Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto