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11/11/2009

S. Martinho – Tempo de lendas e tradições


s martinho santa nostalgia 01

Hojé é dia de S. Martinho. Um santo e uma data de fortes tradições, associadas ao tempo de Outono, às castanhas e ao vinho novo.
Um pouco por todo o país são realizadas festas ou romarias de invocação ao santo, das quais destaco o S. Martinho em Penafiel, também conhecida por romaria dos burros, sendo feriado municipal naquele concelho.
O nosso povo ao longo dos tempo adoptou vários provérbios ou rifões populares à volta deste tempo de S. Martinho: Eis alguns que consegui reunir:

- Pelo S. Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho;
- Em dia de S. Martinho, desce à adega e prova o vinho;
- Pelo S. Martinho, lume, castanhas e vinho;
- Pelo S. Martinho, sobra a água no moinho;
- Pelo S. Martinho, sai o porco, entre o bacorinho;
- Pelo S. Martinho, todo o mosto dá bom vinho;
- Queres pasmar o vizinho? Esterca e lavra pelo S. Martinho;
- Virá o Verão de S. Martinho, nem que dure um bocadinho;
- Pelo S. Martinho, na horta alho e cebolinho;
- Pelo S. Martinho, fura o teu pipinho;
- Mesmo que perdido no caminho, chega o Inverno pelo S. Martinho.
- Na horta pelo S. Martinho, favas, alhos e cebolinho.

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(clicar nas imagens para ampliar)

A lenda de S. Martinho é por demais conhecida e popularizada, pelo que que não a vamos aqui repetir de forma exaustiva, mas sempre resumiremos que está associada ao facto de Martinho, então um soldado do exército romano, numa das suas saídas a cavalo, ter avistado na rua um pobre mendigo, semi-despido a tiritar de frio. A bondade de Martinho fez com que pegasse na sua espada e com ela cortasse um pedaço da sua vistosa capa púrpura, que ofereceu ao mendigo que assim com ela se agasalhou. Simultanemante, o tempo frio e chuvoso, mudou, como por milagre, para um dia quente e com sol, semelhante a um dia de Verão. Daí a lenda do chamado “Verão de S. Martinho”. Todavia, esta é a mais conhecida, mas a S. Martinho são atribuídas outras interessantes lendas que giram à volta da sua santidade.
Por cá, na minha aldeia, muitos dos ditados populares referentes a S. Martinho são levados à letra pois ainda se mata o porco preferencialmente nesta época, bem como as castanhas e o vinho novo são já companhia à noite depois do jantar, junto ao aconchego da lareira. Neste ano o “Verão de S. Martinho” ainda não fez juz à tradição, mas isso nem é o mais importante. O melhor calor é o que nos chega da alma.

5/01/2009

Tradição das Maias - Giestas em flor

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Ontem, na minha aldeia como em muitas regiões do pais, reviveu-se a tradição das Maias. Esta obriga a que nas fechaduras e fechos de todas as janelas e portas do exterior das habitações sejam colocados ramos de giestas em flor, as chamadas Maias. A colocação deve ser extensiva aos currais dos animais.
Se em alguma porta ou janela não for colocado o ramo de Maia diz-se que "entrará o diabo e chupará o sangue de quem ali morar".

Esta é uma tradição muito antiga e generalizada no país, sobretudo na região norte e dizem os estudiosos que tem a ver com ritos associados à Primavera e à fertilidade da terra e dos animais. Há também quem diga que tem reminiscências religiosas já que reza a lenda que Nossa Senhora, na fuga para o Egipto, com o Menino e S. José, espalhou ou semeou giestas pelo caminho para depois o encontrar no regresso.
Outra lenda, também diz que por alturas da Páscoa, estando Jesus em Jerusalém, os judeus marcaram com um ramos de giestas a casa onde Ele estava hospedado para melhor ser identificado na altura da sua prisão, mas no dia seguinte, todas as portas e janelas da cidade estavam ornamentadas com as flores das giestas, perdendo-se assim a tal marca.
São lendas, obviamente, mas que demonstram a riqueza das nossas tradições.
Também há quem associe esta tradição a origens celtas, já mais ligadas ao início do Verão.

maias giestas 02

Na minha região, mesmo na minha aldeia, nesta época do ano as giestas são abundantes e floridas em majestosas manchas de amarelo vivo.
Também há giestas na cor branca, mas por cá já são extremamente raras.
Em criança lembro-me de minha mãe me mandar ir às Maias, sempre na tarde do 30 de Abril. Depois percorria-se tudo quanto era porta e janela. Não havia buraco da casa que ficasse desprotegido à tentativa de entrada pelo diabo.
Apesar de a tradição já não ser o que era, ainda há muitos que a seguem, principalmente em zonas rurais. Para além das portas e janelas das casas, agora até é vulgar verem-se as Maias colocadas nos automóveis.

Ainda sobre as giestas, depois de cair cada flor, forma-se uma vagem. No Verão, nos dias quentes, quem passar pelos caminhos e pinhais é frequente ouvirem-se estalidos, originados pelo rebentamento das vagens que assim soltam as suas sementes, pequenas ervilhas pretas ou castanhas.
As giestas, depois de colhidas pelo pé e deixadas secar á sombra,  eram atadas com vimes, seguindo-se uma certa técnica,  e assim era utilizadas pelos lavradores como vassouras (vassoiras), muito úteis e eficazes na limpeza das eiras e na recolha de grão disperso pela mesma. Também serviam para varrer as folhas no quintal ou no pomar. Ainda hoje se usam em certas zonas rurais.

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