Mostrar mensagens com a etiqueta Artistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Artistas. Mostrar todas as mensagens

4/09/2025

Abel Manta - Povo, MFA

Cartaz de João Abel Manta - 1975

João Abel Carneiro de Moura Abrantes Manta, nasceu em Lisboa a 29 de Janeiro de 1928, sendo um reconhecido arquitecto, pintor, ilustrador, cartoonista e caricaturista português. É filho dos também pintores Abel Manta e Maria Clementina Carneiro de Moura Manta

Com uma produção artística diversificada, destacou-se principalmente na arquitectura, no desenho e na pintura, consolidando a sua presença no cenário cultural português desde o final dos anos 1940. Inicialmente dedicado à arquitectura, foi gradualmente direccionando o seu percurso para as artes visuais, tornando-se um dos mais importantes cartoonistas das décadas de 1960 e 1970.

Nos anos que antecederam e sucederam a Revolução de 25 de Abril de 1974, Abel Manta publicou, em jornais de grande circulação, trabalhos marcantes que retratavam o contexto político e social português durante esse período de transição — desde o fim da ditadura até à instauração da democracia. Foram populares, e já icônicos, os cartazes em que associava o povo ao MFA - Movimento das Forças Armadas. As suas caricaturas e desenhos satíricos são considerados documentos visuais importantes da história contemporânea portuguesa

Na década de 1980, voltou a reorientar a sua carreira, dedicando-se sobretudo à pintura, onde continuou a demonstrar o seu talento e versatilidade artística.

É ainda vivo, a caminho do centenário.

3/03/2025

The Point Sisters


The Pointer Sisters é um grupo vocal feminino norte-americano, proveniente de Oakland, que se destacou nas décadas de 1970 e 1980. Com um repertório diversificado, exploraram géneros como R&B, dance-pop, jazz, rock, bebop e disco. Ao longo da carreira, conquistaram três prémios Grammy e, em 1994, foram homenageadas com uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood. Entre 1973 e 1985, conseguiram colocar 13 temas entre os 20 primeiros da tabela Billboard Hot 100.

O grupo teve início em 1969, quando as irmãs June e Bonnie Pointer começaram a actuar em clubes nocturnos sob o nome "Pointers Au Pair". Mais tarde, com a entrada da irmã Anita, tornaram-se um trio. No entanto, o contrato com a Atlantic Records não trouxe o êxito esperado. Em Dezembro de 1972, a formação cresceu para quarteto com a chegada de Ruth. Ao assinarem com a Blue Thumb Records, lançaram o seu primeiro álbum e alcançaram finalmente o reconhecimento, vencendo um Grammy em 1975 com "Fairytale" na categoria de Melhor Performance Vocal Country. Em 1977, Bonnie decidiu deixar o grupo para seguir carreira a solo, obtendo um sucesso moderado. Durante a década de 1980, o trio composto por June, Ruth e Anita alcançou o seu auge comercial, conquistando mais dois Grammys em 1984 com os êxitos "Automatic" e "Jump (For My Love)".

June, a mais nova das irmãs, enfrentou problemas de toxicodependência durante anos, afastando-se do grupo em Abril de 2004. Infelizmente, faleceu vítima de cancro em Abril de 2006, aos 52 anos. Foi então substituída pela filha de Ruth, Issa Pointer. Em 2005, a nova formação obteve grande êxito na Bélgica ao alcançar o segundo lugar das tabelas com uma versão de "Sisters Are Doin' It for Themselves", em parceria com a cantora belga Natalia. Entre 2009 e 2015, a formação incluiu Anita, Ruth, Issa e a neta de Ruth, Sadako Pointer. Apesar de serem quatro membros, normalmente actuavam como trio, alternando os elementos conforme necessário. Em 2015, devido a problemas de saúde, Anita retirou-se, deixando Ruth como a única integrante original ainda no grupo.

Em Dezembro de 2016, a revista Billboard classificou-as como o 80.º artista de música de dança mais bem-sucedido de sempre. No ano seguinte, a mesma publicação colocou-as no 93.º lugar entre os artistas mais bem-sucedidos da história da Billboard Hot 100 e em 32.º lugar entre as artistas femininas. Durante a sua trajectória, The Pointer Sisters venderam mais de 40 milhões de discos em todo o mundo.

1/28/2025

Luís Filipe de Abreu - O mestre


Já falei aqui do grande mestre das artes plásticas, Luís Filipe de Abreu. Volto a falar, só para reavivar e reaviver a sua pessoa, já quase nos 90 anos, e a sua fantástica e multifacetada obra.

Pessoalmente tenho uma enorme admiração desde que, em criança, tomei contacto com os livros de leitura da primeira e segunda classes, que ilustrou a meias com a saudosa Maria Keil.

Por outro lado, já tive o privilégio de ver por is autografados esses dois livros,  que naturalmente, me marcaram, bem como dele recebi, como oferta, uma bela ilustração em técnica de aguarela e ainda uma serigrafia com o castelo cá do sítio.









1/16/2025

A Nikita do Elton, que era tão inglesa como ele

Anya Major - A Musa de "Nikita".

Nos anos 1980, os videoclipes desempenhavam um papel central na promoção de músicas, muitas vezes criando narrativas visuais inesquecíveis. Um exemplo marcante foi "Nikita", de Elton John, lançado em 1985. O videoclipe tornou-se um clássico não só pela música emotiva, mas também pela participação da bela Anya Major, a mulher que, nascida em 1966,  deu vida à personagem-título e se tornou um ícone visual daquela era.

Quem era, afinal a Nikita? Soviética, alemã oriental?

Anya Major não era uma actriz ou modelo muito conhecida na época, mas já havia chamado atenção em outro projecto marcante. Ela tinha sido a protagonista do famoso comercial "1984" da Apple, dirigido por Ridley Scott, no qual destrói simbolicamente o controle opressivo do "Big Brother". Esse papel destacou sua presença atlética e forte, características que a tornaram perfeita para o videoclipe de "Nikita".

Antes de sua fama em "1984" e "Nikita", Anya Major era uma atleta britânica, conhecida por sua determinação e carisma natural. Sua habilidade de combinar força e feminilidade chamou a atenção de produtores, garantindo-lhe oportunidades como essa.

 O Contexto do videoclipe de "Nikita"

A canção "Nikita", escrita por Elton John e Bernie Taupin, é uma balada romântica que captura a melancolia e as limitações impostas pela divisão política da Guerra Fria. A letra narra a história de um amor impossível entre o narrador e Nikita, uma agente da polícia de fronteira da Alemanha Oriental, que então separava o outro lado do muro de Berlim.

No videoclipe, dirigido por Ken Russell, Anya Major encarna a figura de Nikita, vestida em um uniforme militar e o emblemático gorro de pelo, mas com traços de vulnerabilidade e doçura. A sua personagem simboliza a humanidade que transcende as barreiras ideológicas. Apesar do uniforme rígido, o olhar de Anya transmitia emoções que contrastavam com a frieza política do cenário.

O Impacto do videoclipe

"Nikita" foi lançado em uma época em que a tensão entre o Ocidente e o Bloco Soviético era um tema constante na mídia e na cultura popular. O videoclipe, com uma narrativa simples e nem sempre consentâneo com a história cantada, ressoou, contudo, com as audiências de todo o mundo. Anya Major tornou-se a personificação visual de Nikita, eternizando seu papel como o rosto de um amor que desafiava barreiras.

Curiosamente, a canção gerou alguma controvérsia após seu lançamento. Na letra, "Nikita" é referida como um homem, já que, em russo, Nikita é um nome masculino. No entanto, o videoclipe reinterpretou a narrativa, apresentando Nikita como uma mulher, o que ajudou a universalizar a mensagem da música.

Anya Major após "Nikita"

Após o sucesso de "Nikita", Anya Major optou por uma vida mais discreta, afastando-se dos holofotes. Seu papel no videoclipe, no entanto, permanece como um marco na cultura pop, sendo lembrado por sua beleza, força e a emoção que trouxe à história visual da música de Elton John.

Um Símbolo de resistência e emoção

O videoclipe de "Nikita" não seria o mesmo sem a presença magnética de Anya Major. Ela conseguiu transmitir a tensão de uma época e a ternura de um amor impossível com um simples olhar. Sua atuação reforçou a mensagem da música: a de que barreiras políticas podem separar pessoas, mas não têm o poder de apagar os sentimentos que elas compartilham.

Anya Major será para sempre lembrada como a guarda de fronteira que, mesmo sem palavras, nos contou uma história que atravessou décadas.

10/24/2024

Marco Paulo, o adeus

 


A notícia já é conhecida por todo o país. Faleceu o Marco Paulo, essa figura incontornável da musica popular portuguesa, seja lá o que isso for.

Sobre a sua vida e obra pouco importa aqui acrescentar pois nada será novidade, já que por demais conhecidas, pois para além de ser cantor muito popular, teve uma longa ligação à televisão.

Neste momento da sua despedida, mesmo que já previsível face ao seu estado de saúde, verifico que em todos estes anos de blog Santa Nostalgia e entre centenas de artigos e memórias reavivadas, nunca foi dado qualquer destaque a esta figura. Concerteza que também de muitos outros, mas sem dúvida que mereceria um destaque, uma memória.

Não sei se foi por isso, essa falha, mas porventura por nunca ter sido um cantor que colhesse de minha parte um entusiasmo por aí além. Não regateio nem nem lhe retiro a mínima importância e popularidade de que gozou durante várias décadas no nosso panorama musical e de entretenimento, porque a teve, e de resto os números falam por si, mas a todo o seu vasto reportório nunca lhe dei qualquer importância. Talvez pelo seu estilo muito "azeiteiro", muito kitsch, talvez por ter cantado essencialmente covers, trabalhos de terceiros, limitando-se a ser a voz, o que nem foi pouco pois a esse nível era bom e profissional, mas seja como for, passou-me ao lado do apreço puramente artístico.

Apesar disso, foi de facto uma figura e pêras, e deixa um legado musical ao nível da interpretação que tão cedo não será esquecido e, goste-se ou não, deixou temas que serão emblemáticos durante muitos anos, até que passadas algumas gerações deixem de ser lembrados e, como tudo, passem à história, ficando então como meros registos documentais.

Esteja onde estiver, que repouse em paz o Marco Paulo. Teve fama e proveito mas também a sua dose de infortúnios, nomeadamente ao nível de saúde. Continuará, concerteza, a ser recordado e evocado por muito tempo.

[imagem:Fonoteca Municipal do Porto]

7/02/2024

Fausto - A saudade vai de saída

 

Fausto, nome artístico de Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, foi um compositor e cantor português. Faleceu: 1 de Julho de 2024.

Parte um grande artista e deixa um rico legado musical. Que descanse em paz!

2/28/2023

Tó Neto - O Jean-Michel Jarre português




Hoje trazemos à memória o artista musical português Tó Neto, falecido em Junho de 2013.

É considerado um pioneiro em Portugal na utilização de recursos electrónicos no panorama musical da época, seguindo de algum modo tendências de famosos artistas internacionais nesse género musical, com destaque para o francês Jean-Michel Jarre, o japonês Kitaro , o grego  Vangelis e outros mais.

Tó Neto nasceu em Angola em 1955, como  António Eduardo Benidy Neto.  Chegou a Lisboa em meados da década de 1970 onde iniciou a sua formação.

O seu disco de estreia foi lançado em 1983 num período em que já mexia a onda do rock em português.

Editado pela Sassetti, Láctea foi o seu disco de estreia, remetendo para uma temática do espaço e universo, tal como os temas de Jean-Michel Jarre, não se livrando por isso de uma certa associação ao estilo e conceito da música do francês. Talvez por isso, ou não, o álbum colheu algum interesse mediático na ocasião mas depois passou ao lado da onda do pop rock e de algum modo a sua carreira e os seus posteriores trabalhos pouca notoriedade tiveram, remetendo-se de algum modo a um mero circuito underground onde apesar disso era muito apreciado e conceituado.

Ao disco Láctea seguiram-se outros trabalhos como Big Bang, de 1986, e O Negro de 1989 num registo igualmente de música electrónica mas com sonoridades que remetiam para as suas origens angolanas e africanas. Seguiram-se os álbuns Wave View (1992), Angola (1994) e Planetário (1999). Néctar, foi o seu último trabalho discográfico.

Na década de  1980 chegou a trabalhar na RTP como músico residente e na década seguinte formou-se em Los Angeles, seguindo um caminho profissional na área do ensino da música electrónica. 

Tó Neto foi um importante artista do nosso panoram musical e mesmo que sem uma popularidade por aí além, até porque com actividade em tempos em que a carreira tinha que ser ganha a pulso, merece ser recordado porque faz parte da nossa melhor memória colectiva.

3/17/2021

Raphael - Cantigas e cinema

 


Pelos dias que correm é quase uma figura desconhecida, mas o espanhol Raphael (Miguel Rafael Martos Sánchez),  nascido em 5 de Maio de 1942 em Liñares - Andaluzia, ainda vivo, foi pelos idos anos das décadas de 1960 e 1970 um artista deveras popular, não só no seu país natal como nos países da América latina mas também em Portugal.

Sobretudo cantor, com duas passagens pelo popular Festival Eurovisão da Canção, em 1966 e 1967, obtendo o 7º e 6º lugares na classificação, que o internacionalizaram, também se tornou amplamente popular com suas participações em filmes que misturavam a música e os batidos romances.

O cartaz acima publicado, extraído do jornal "Diário Popular" de 12 de Maio de 1967, anunciava a exibição do filme "Quando Tu Não Estás!, nos cinemas Odéon e Europa. Dizia-se que um romance apaixonante e enternecedor onde se jogam o amor, a ambição, o triunfo e o desespero, tudo bons ingredientes temperados com as cantigas do Raphael.

11/09/2019

Laura Costa - Artista plástica e ilustradora


Já em diversas ocasiões temos publicado por aqui no Santa Nostalgia vários conteúdos referenciados à artista plástica e ilustradora Laura Costa, no caso, essencialmente ilustrações provenientes de livros de contos infantis, livros escolares, catecismos, postais, etc. Simultaneamente temos confessado a admiração e gosto pessoal pela obra da artista, desde logo porque vários desses suportes que foram enriquecidos com a sua arte remetem-nos para circunstâncias próprias da infância, como a escola primária, a catequese, os tempos livres e as primeiras leituras de contos de fadas, por isso memórias muito queridas e saudosas.
Apesar disso, pouco ou nada falamos sobre a artista. De resto pouco haveria a falar porque, mesmo sendo conhecida muita da sua vasta obra e do abundante leque de suportes que receberam as suas ilustrações, pouco se sabe, nomeadamente quanto aos aspectos biográficos. Também não é conhecida publicamente qualquer fotografia da artista.

Do que se sabe, e aos poucos vai-se sabendo mais, e em grande parte tal deve-se a pessoas como o conhecido escritor e admirador confesso da obra da artista, Mário Cláudio, bem como do investigador na área de infância Sérgio Costa Araújo, os quais, com o apoio da Câmara Municipal de Paredes de Coura – Minho, promoveram no final de 2017 o evento “Laura Costa – Primeira Exposição Rectrospectiva”, que decorreu no Centro Mário Cláudio, na referida localidade minhota.

Existem ainda algumas notas biográficas sobre a autora, em alguma literatura sobre ilustradores portugueses, como no caso  o "Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa", de António Garcia Barreto, Editora Campo das Letras, a páginas 159, mas tudo muito sintomático, pouco mais que uma breve nota de meia dúzia de linhas.


(auto retrato - 1931)


Sabe-se que Laura Olinda Alves Costa nasceu em 15 de Dezembro de 1910 na freguesia da Vitória, na cidade do Porto (Faleceu em 1993), sendo filha de António Augusto Alves Costa, nascido em 1873, e de Laura Alves Costa, neta paterna de António Bernardino Alves Costa (1845-1912), um dos fundadores do Ateneu Comercial do Porto, e de Olinda do Espírito Santo.

Fez estudos superiores e formou-se na Escola de Belas-Artes do Porto, entre 1929 e o final da década de 30, com médias quase máximas, tendo tido professores como os pintores Joaquim Lopes e Acácio Lino. Pelo meio, frequentou ainda a  Faculdade de Ciências. Diz-se que terá sido na referida instituição de ensino a primeira aluna a ter acesso aos aulas de desenho de nu, o que antes apenas era reservados aos alunos masculinos.

Ainda na Faculdade de Belas-Artes, fez parte do grupo de artistas designado de “Mais Além”, do qual faziam parte nomes como  Augusto Gomes, Dominguez Alvarez, Guilherme Camarinha, Reis Teixeira e  Ventura Porfírio. O grupo na sua génese “questionava os cânones do ensino académico e naturalista da instituição das Belas-Artes e  já produzia orientações programáticas para  o movimento artístico do modernismo. 

Laura Costa terá sido uma aluna e artista de qualidade reconhecida na altura já que é sabido, por catálogos da época, que ainda apenas com treze anos de idade integrou os trabalhos expostos no Salão de Humoristas da Cidade do Porto. Participou ainda em mostras na Galeria Silva Porto, em 1929 e um pouco mais tarde, em 1931, no Ateneu Comercial, instituição a cuja fundação estará ligago seu avô materno.

Sobre aspectos pessoais pouco ou nada conhecidos, colhi publicamente a informação de que Laura Costa era prima do crítico e historiador de cinema Henrique Alves Costa, também madrinha do arquitecto Alexandre Alves Costa e amiga chegada do já desaparecido centenário cineasta Manoel de Oliveira.

Para além da sua ocupação de artista, sobretudo na área da ilustração infantil, foi professora no Colégio do Rosário, uma instituição ligada à religião católica, na cidade do Porto, apesar de se identificar como não crente. De resto, a ser verdadeira esta sua faceta, não deixa de ser mais significativa a forma vasta e expressiva com que produziu trabalhos com a temática religiosa e católica, de que se destacam catecismos e postais alusivos ao Natal bem como ao contexto de Nossa Senhora de Fátima.

Um pouco a reboque desta sua relação de trabalho com as instituições da Igreja ou do Estado tem sido conotada com o regime do Estado Novo, mas diz quem sabe que tal não corresponde de todo à realidade. Apenas uma relação formal e profissional. Porventura a preferência pelos seus trabalhos prendia-se com o estilo desprendido e linear que de algum modo retratava um certo bucolismo das tradições, costumes e figuras do Portugal muito rural e religioso da época.

Como artista com formação superior, era naturalmente uma pintora, mas esta sua faceta é menos produtiva e quase desconhecida. Ao contrário, a ilustração e sobretudo a de carácter infantil é abundante. Ilustrou livros de contos de fadas, de variados formatos, catecismos, livros, manuais e cadernos escolares, calendários, almanaques, capas diversas e postais, mas também ilustrou para jornais, sobretudo para o já extinto “O Primeiro de Janeiro”, entre 1954 e 1976, com a particularidade da tradição de ilustrar as capas do dia de Natal. 

Laura Costa ilustrou para editoras de prestígio, como a Lello, para vários autores particulares, para empresas várias, como a Oliva (com uma colacção de postais com trajes típicos portugueses) e Banco Português do Atlântico, para a Igreja, entidades ou empresas públicas do Estado, como os CTT, etc. Mas de todos quantos recorreram à sua arte e inspiração, destaca-se a Editora Majora, muito ligada ao universo infanto-juvenil, ilustrando muitos livros, nomeadamente os das colecções “Varinha Mágica”, “Princesinha”, “Pinto Calçudo”, "Pintarroxo", "Série Ouro", “Série Prata”, estas em capa dura, e outras mais, mas também ilustrações para os clássicos jogos de madeira e puzzles em cubos.

Como se percebe, a sua obra artística é ampla e espalhada praticamente pelos anos em que viveu, mas a sua produção concentra-se principalmente nas décadas de 40 e 50. Temos, porém, na nossa colecção, livros por ela ilustrados editados ainda nos anos 30.


Ilustração a partir de retrato da artista (incluso no livro "Laura Costa", de Jorge Silva - Arranha Céus - Esad-Idea- 2023)


O estilo ilustrativo de Laura Costa é inconfundível e muito pessoal, embora com características que possam ser associadas a algumas semelhanças com artistas seus contemporâneos, sobretudo com Raquel Roque Gameiro, que também com qualidade muito ilustrou no contexto infanto-juvenil. 
Mesmo não conhecendo a componente plástica das suas pinturas, as ilustrações, porque bem mais divulgadas e públicas, são no geral muito limpas de traço linear e escorreito mas a par de algum detalhe expresso sobretudo na pormenorização do vestuário e cabelos das suas personagens. Mesmo na utilização cromática a técnica é muito simples, sem grandes aventuras fora da paleta da naturalidade.

Em certa medida não custa a acreditar que o seu estilo linear e constante de grande parte das suas ilustrações,  povoadas por figuras dos contos de fadas, com príncipes e princesas, tem muito a ver com os requisitos técnicos dos editores e poupança de custos em muitas das edições, sobretudo de livros para crianças, que se pretendiam baratas e acessíveis. Por isso o traço preto, recorrente e indistinto, reservando-se a cor para as capas ou para edições mais requintadas, para públicos mais exigentes. Esta não foi a regra, é certo, mas terá tido certamente a sua quota de alguma influência. 
Quem vê os primeiros trabalhos ilustrativos dos anos 30, nomeadamente em edições da Lello, ou mesmo trabalhos anteriores, comparando verifica que o seu estilo apesar de fiel à génese de simplicidade, mudou e foi sendo aprimorado, o que de resto é natural na evolução de qualquer artista.

Laura Costa nos últimos anos da sua vida, pela década de 1980 dedicava-se mais à pintura, certamente porque já sem a pressão das encomendas e prazos do trabalho editorial, bem como sempre que podia transmitia os seus saberes em aulas particulares que leccionava na sua própria residência. 
Terá falecido em 1993, por isso com 83 anos de idade.

Esperemos, pois, que com tempo, Laura Costa venha a ser mais reconhecida como artista ímpar no universo artístico português e de modo especial no contexto da ilustração infanto-juvenil e que os ainda muito raros pormenores artísticos e biográficos venham a ser ampliados e melhor divulgados para assim todos aqueles que nutrem admiração e preservam boas e doces memórias ligadas aos objectos enriquecidos pela sua arte, a melhor possam admirar e respeitar. 

Por aqui, sempre que se proporcionar, iremos publicando algumas das suas ilustrações extraídas de muitos dos livros que temos ou partilhando o que publicamente vai sendo publicado.


11/24/2016

"Os Conchas" - Duo musical



Pelo final dos anos 50 e princípios de 60 o panorama musical português passou a contar com mais um grupo,  concretamente o duo "Os Conchas", constituído por dois amigos lisboetas, o José Manuel Aguiar Concha de Almeida (guitarra) e o Fernando Alberto Soares Gaspar (viola baixo).

Já eram conhecidos mas projectaram-se depois de, em 1960, vencerem a primeira edição do concurso musical lançado pela Rádio Renascença, "Caloiros da Canção", acompanhados por Jorge Machado e o seu conjunto. No mesmo concurso, o vencedor como artista a solo foi o jovem Daniel Bacelar, então com apenas 17 anos.
Como prémio, os vencedores tiveram direito à edição conjunta de um EP gravado na Valentim de Carvalho. "Os Conchas"  com os temas "Oh Carol" (versão de um tema de Neil Sedaka) e "Quero o Teu Amor" ("Should We Tell Him" dos Everly Brothers), e Daniel Bacelar com os títulos  "Fui Louco por Ti" e "Nunca".

"Os Conchas", como outros grupos da época, tinham um estilo e sonoridade que de algum modo replicavam os artistas e grupos dos Estados Unidos e até ficaram popularizados como os Everly Brothers portugueses.

Em 1961 têm uma participação na RTP, no programa "Férias de Verão" em que interpretam o tema "Quero o Teu Amor".

Durante os primeiros anos da década de 60 o duo lançou vários EPs com temas próprios mas também versões de êxitos de artistas estrangeiros.
Em 1964 gravaram o seu último trabalho mas já com um nome e formação diferentes, "José Manuel Concha e o conjunto Os Conchas", integrando elementos do grupo "Gatos Negros".
 A guerra no Ultramar acabou por ditar o fim desta ligação musical dos dois amigos que se conheceram quando na década de 50 jogavam futebol (o José nos júniores do Oriental de Lisboa e o Fernando nos júniores do Sporting). Para trás ficava a impossibilidade de dar continuidade à carreira com contratos assinados para actuações em  Espanha, no que seria a sua internacionalização.

Pelos anos seguintes seguiram carreiras a solo mas já sem a notoriedade almejada pelo duo. Fernando Gaspar gravou vários trabalhos, nomeadamente com o "Conjunto Mistério" mas morreu relativamente novo, em 1998. O seu amigo José Manuel Concha chegou a enveredar pelo teatro e voltou às canções e ainda se mantém no activo, com alguma popularidade para o mercado da saudade junto das comunidades emigrantes. Celebrou já os 55 anos de carreira.
Não tendo tido uma longa carreira enquanto grupo, "Os Conchas" fazem parte, com mérito, da história da música portuguesa, sobretudo da música pop.









7/12/2016

E vão 54 anos


Há 54 anos, precisamente neste dia 12 de Julho mas do ano de 1962, em Londres, no Marquee Club, acontecia aquela que foi considerada como a primeira apresentação musical da banda "The Rolling Stones" que veio a tornar-se numa das mais importantes e populares bandas de rock de todos os tempos. Goste-se ou não do estilo de Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts, esta banda britânica é sem dúvida uma das mais emblemáticas da galeria da História da música pop.
A boca e língua desenhadas em 1970 pelo então jovem artista gráfico John Pasche, a pedido de Jagger, com a recomendação de sugerir uma atitude "anti-autoridade e sexy"  é o seu logotipo e reconhecível e identificado por gerações de fãs da banda e não só. Claro que a grande boca de Mick foi desde logo auto-sugestiva e inspiradora para o artista embora se refira a deusa indú Kali como elemento igualmente inspirador  enquanto fonte de inesgotável energia. Ora parece que energia é o que não tem faltado aos já septuagenários Stones. 

6/02/2016

Vasco Granja e Lotte Reiniger



O Google lembra-nos hoje com um dos seus doodles a data de nascimento da artista germânica Lotte Reiniger (2 de Junho de1899 – 19 de Junho de 1981), mas antes do Google, pelos idos anos de 70 e 80, Vasco Granja (Lisboa, Campo de Ourique, 10 de Julho de 1925- Cascais, 4 de Maio de 2009)  nos seus programas  "Cinema de Animação" (1974-1976), "Os Mestres da Animação" (1977-1984) e "Imagens e Imagens" (1985-1988),  já nos falava e dava a conhecer muitos dos trabalhos desta talentosa e original artista germânica.
Vasco Granja deu-nos a mostrar e a conhecer muita e boa animação, não só da mais comercial proveniente dos Estados Unidos, mas muita, mais experimentalista, dos países de leste e também, com frequência, passava a animação inconfundível saída da arte e paciência de Lotte Reiniger, a qual usava técnicas de recorte de papel e respectivas silhuetas em slow motion. Esta artista germânica deixou um legado rico, inconfundível e quase irrepetível. Os temas das suas curtas, médias e longas metragens giravam essencialmente à volta do mundo da fantasia e das fábulas com títulos como Cinderela, o Gato das Botas, A Bela Adormecida, Aladino e a Lâmapada Mágica, O príncipe Sapo, e muitos outros produzidos ao longo de seis décadas, de 1919 até 1979.

8/12/2014

Maria Keil

image
É já este sábado, dia em que se celebraria o 100.º aniversário da pintora portuguesa, que o segundo canal do Estado exibe o documentário 'Memórias de Autores Portugueses - Maria Keil'
A conversa, conduzida por Ribeiro Cardoso e realizada por Helena Santos faz parte do último documentário filmado com a artista ainda viva.
Maria Keil foi uma das pintoras portuguesas mais conhecidas do século XX e rompeu com os cânones do seu tempo, integrando o grupo dos modernistas portugueses. Foi ainda ilustradora, fotógrafa e decoradora.
Memórias de Autores Portugueses - Maria Keil para ver este sábado, pelas 21.50 na RTP2.

Maria Keil, para além da sua vasta e riquíssima obra artística, foi co-ilustradora (com Luis Filipe de Abreu) dos belos livros de leitura da primeira e segunda classes utilizados na escola primária  entre o final dos anos 60 e princípios de 70.

6/17/2014

Exposição dos pintores Margarida e Filipe Abreu

image 

Tive o privilégio de receber um convite da Galeria S. Franciso (Rua Ivens, 40 – Lisboa) para participar na inauguração da exposição conjunta dos pintores e irmãos Margarida de Abreu e Filipe Abreu, que se realiza neste Sábado, dia 21 de Junho, das 15:00 às 19:00 horas.

De realçar que Margarida (Lisboa – 1966) e Filipe (Lisboa 1970) são filhos do ilustre e conceituado artista plástico Luis Filipe de Abreu, que por diversas vezes já aqui temos feito referência, desde logo porque foi um dos ilustradores dos belos livros de leitura da primeira e segunda classes da escola primária pelos quais  eu e muitos milhares de portugueses aprenderam a ler e a escrever. Mas claro que a grandeza artística de Luis Filipe de Abreu é deveras mais basta e multifacetada.

Dada a distância, não poderei marcar presença, mas sinto-me honrado com o convite e triste por não poder apreciar in loco os trabalhos daqueles irmãos pintores que certamente terão algumas influências comuns de seu pai, até porque estamos certos que estes “filhos de peixe sabem nadar”.

3/06/2014

Century – Lover Why

 

A qualidade da música pop que foi produzida durante toda a década de 80, principalmente da sua primeira metade, é amplamente reconhecida não só pelos apreciadores como pelos críticos. Ainda hoje, não só é recordada com verdadeira nostalgia pelas gerações que a vivenciaram como continua a passar com frequência na rádio, pelo que diríamos que se mantém actual. No caso de Portugal, mas também de muitos outros países, existe até uma estação (M80) cuja essência assenta sobretudo na música dessa década. Também na TV por cabo existem canais onde os vídeo clips da música dos anos 80 são exibidos a toda a hora.

Neste contexto, dos inúmeros temas que aqui poderíamos elencar e recordar, hoje salta-nos à memória uma balada rock, "Lover Why", dos franceses "Century". Esta banda, fundada em Marselha no ano de 1979 foi liderada pelo cantor e compositor Jean Duperron. Dos seus vários trabalhos, não há dúvida que a balada "Lover Why", do álbum "And Soul it Goes", de 1986, foi o mais marcante e aquele que tornou famoso o grupo e por essa altura animava romanticamente todas as pistas de dança, mesmo as festas de anos caseiras e bailaricos organizados pelos jovens de então.

No meu caso pessoal, o primeiro contacto com o “Lover Why” e os “Century” foi precisamente numa festa de aniversário caseira (um colega fazia 20 anos) e a meia-luz, com a bola-de-cristal, em reflexos coloridos, a girar no tecto da garagem, dancei apaixonados “slows” com a então namorada e hoje minha esposa. Por isso, para o bem ou para o mal, há efectivamente temas musicais que marcam uma época ou mesmo uma vida.

Ainda quanto aos “Century”, para além do líder, Jean Duperron (na voz), era formada por Jean-Louis Milford (nas teclas), Éric Traissard e Jean-Dominique Sallaberry  (nas guitarras), Laurent Cokelaere (no baixo), Christian Portes (na bateria). Infelizmente o grupo terminou ainda nos anos 80 (1989), mas “Lover Why” ficou como o seu tema marcante e certamente que assim continuará a ser no futuro.

image

[Vídeo clip no Youtube]

- Letra:

A sign of time
I lost my life, forgot to die
Like any man, a frightened guy
I'm keeping memories inside
Of wounded love

But I know
I'm more than sad and more today
I'm eating words too hard to say
A single tear and I'm away
Away and gone

I need you
So far from hell, so far from you
'Cause heaven's hard and black and gray
You're just a someone gone away
You never said goodbye

Why, lover why?
Why do flowers die?
Why, lover why?

Everytime
I hear your voice, you heard my name
You built the fire, I wet the flame
I swim for life, can't take the rain
No turning back

I need you
So far from hell, so far from you
'Cause heaven's hard and black and gray
You're just a someone gone away
You never said goodbye

Why, lover why?
Why do flowers die?
Why, lover why?

Why, lover why?
Why do flowers die?
Why, lover why?

1/23/2014

Gustave Doré

 

image

Passam hoje 131 anos sobre o falecimento de Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de Janeiro de 1832 — Paris, 23 de Janeiro de 1883).

Foi um notável artista francês, destacando-se sobretudo no campo da ilustração e gravura. Das muitas obras a que dedicou a sua arte, destaca-se a  Bíblia, contendo mais de duas centenas de fantásticas gravuras, mas também a Divina Comédia, de Dante, D.Quixote, de Cervantes, Fabulas de Perrault, etc.

 

Bíblia de Gustave Doré: Vol. I; Vol. II; Vol. III; Vol. IV; Vol. V; Vol. VI; Vol. VII; Vol. VIII; Vol. IX

image

image

image

image

1/06/2014

Emmerico Nunes

image
image



Passam hoje 126 anos sobre o nascimento de Emmerico Hartwich Nunes (Lisboa, 6 de Janeiro de 1888 — Sines, 18 de Janeiro de 1968). Para além de tudo quanto realizou enquanto pintor, ilustrador e caricaturista, recordo-o sobretudo pelas belas ilustrações que produziu para o popular Livro de Leitura da 3ª classe, que foi o meu livro bem como de milhares de portugueses já que, como livro único, esteve ao serviço quase duas décadas.

livro 3 classe_1

livro 3 classe_2

livro 3 classe_3

livro 3 classe_4

livro 3 classe_5

livro 3 classe_6




Pesquisar no Blog

Pão-de-ló de Arouca - Tradição e modernidade

  Casa do Pão-de-Ló de Arouca - A. Teixeira Pinto

Populares