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3/09/2026

Manuel Maria Rodrigues - Rosa do Adro


Manuel Maria Rodrigues, natural de Valença do Minho, foi um prolífico escritor, jornalista e arqueólogo. Iniciou a sua trajetória profissional precocemente como tipógrafo nas oficinas do jornal “O Comércio do Porto”. Graças à sua sagacidade e talento natural para a escrita, progrediu na estrutura do jornal, exercendo sucessivamente as funções de revisor, repórter e, finalmente, redator efetivo. Esta posição profissional conferiu-lhe o tempo e os meios necessários para publicar uma série de romances e operetas antes mesmo de atingir os 20 anos de idade.

Apesar da sua produtividade, o autor viveu grande parte da carreira no anonimato crítico. Os especialistas literários da época, habituados a obras eruditas e tramas centradas no "glamour" das classes altas, desconsideravam a sua produção. O preconceito devia-se tanto à falta de estatuto social do autor quanto à natureza das suas histórias: romances de amor provinciano protagonizados por personagens prosaicas, como operários, agricultores e gente simples.

O reconhecimento nacional da sua obra consolidou-se apenas no ano do seu falecimento, em 1899, quando a adaptação teatral do seu romance “A Rosa do Adro” obteve um sucesso estrondoso. O impacto desta obra perdurou por décadas, levando a que, em 1916, fosse selecionada para ser transposta para o grande ecrã. Concluída em 1919, a versão cinematográfica (ainda na fase do cinema mudo) tornou-se uma das primeiras adaptações literárias e um dos marcos inaugurais da cinematografia portuguesa.

Manuel Maria Rodrigues faleceu no Porto, a 16 de agosto de 1899.

Sinopse do livro "Rosa do Adro":

Rosa é uma pobre costureira que vive com a avó e que se enamora de Fernando, filho de ricos lavradores e finalista de Medicina. António, rapaz do campo, ama Rosa, que não lhe corresponde, e espia os namorados. Rosa e Fernando encontram-se às escondidas de noite, num quintal. Numa noite de chuva encontram-se no quarto dela e António apercebe-se deste facto. A partir deste momento, Fernando desinteressa-se de Rosa e enamora-se de Deolinda, filha de uma marquesa, conhecida de Rosa, e que vive no Porto. Rosa fica doente com tuberculose. Mas Deolinda, conhecedora do caso de Fernando e Rosa, exige-lhe que se case com Rosa, ao que ele recusa. António arma uma emboscada a Fernando que fica gravemente doente. Este e Rosa acabam-se por casar. Rosa morre mais tarde. O Padre Francisco, que recolhera António, revela-lhe que Rosa não podia ter casado com António pois eram irmãos. Com o remorso de ter causado a desgraça de Rosa e de Fernando, suicida-se.

10/06/2016

A Sebenta do Tempo - Mário Augusto


Noticia fresquinha em antestreia... terminei um livro que vai divertir a malta. Partilhem se assim entenderem. Eu agradeço.
Memorizem esta capa de livro porque em Novembro, logo na primeira semana, quando chegar ás as livrarias, ele será para a malta que cresceu nos anos 60, 70 e 80 como que um divertido elixir da memória. Andei meses a pesquisar, a perguntar a amigos da minha geração, desempoeirar as recordações. Nem vos conto o prazer que deu....
A SEBENTA DO TEMPO é para os que viram “Os Pequenos Vagabundos” e desejava, ao crescer, ser como o Jean-Loup…
Os que na escola, sabiam toda a lengalenga dos caminhos-de-ferro de Angola ou por onde passava o rio Zambeze em Moçambique – com a mesma certeza e convicção com que aprendiam que o Mondego nascia na Serra da Estrela – e era tudo dito naquele sincopado musical com que cantarolávamos a tabuada, de cor e salteado…
Para quem levou umas reguadas da professora ou chorou com a Heidi na televisão...
Ou para os que se lembram que beijou ou foi beijado(a), agarradinho(a), ao som do “Hotel Califórnia” dos Eagles ou do “We’re all alone” da Rita Coolidge...
Talvez encontre utilidade nesta “Sebenta do Tempo –manual da memória para esquecidos”. Porque há um tempo na vida que nunca se pode deixar de evocar. E de recordar.
Alguém me explica por que será que, quando tínhamos 15 anos, o verão parecia mais azul? Os nossos verões eram mesmo mais azuis e quentes, as férias grandes eram mesmo grandes, até outubro, já depois da chegada do Outono.
O mundo da nossa infância era gigante e a nossa rua interminável para as brincadeiras.
Os heróis da BD custavam vinte e cinco tostões em desenhos a preto e branco.
A simplesmente Maria arrasava corações.
As laranjadas faziam piquinhos refrescantes na boca.
Os beijos dados na adolescência jamais foram repetidos com sabor a chiclete.
Como sempre aconteceu com todas as gerações, acelerávamos os dias a pensar na idade adulta e hoje travamos o tempo a recordar os nossos melhores anos.
Até ao lançamento deste livro de doces recordações de uma geração que ainda se lembra onde estava no 25 de abril...(talvez na escola ou a jogar á bola!), eu vou desvendado bocadinhos do seu conteúdo que vai apanhar distraída a memória de muita gente. Peço-lhes que partilhem a informação, vou dando pormenores de lançamento e aceito sugestões para essas sessões de lançamento.

Obrigado Mário Augusto

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O Blogue Santa Nostalgia fica obviamente satisfeito com esta notícia, expressa pelo conhecido jornalista da RTP, Mário Augusto, na sua página no Facebook. Desde logo porque neste livro são trazidas à memória muitas das recordações que ao longo de 10 anos temos aqui publicado. Neste sentido, o Santa Nostalgia é também uma sebenta do tempo, não em papel mas online.
Para além disso, foi com humildade e satisfação que a pedido do Mário Augusto fomos colaborando neste seu projecto, avivando uma ou outra memória ou facultando esta ou aquela imagem ou fotografia. Para nós foi um privilégio. Esperemos que esta Sebenta do Tempo seja um sucesso. Certamente que será porque tem todos os ingredientes para isso, desde logo a qualidade do autor.

11/22/2013

O rapaz da camisola verde – Pedro Homem de Mello

 

o_rapaz_da_camisola_verde

Certamente que não das gerações mais novas, mas das outras poucos serão aqueles que não conhecem o poema "O rapaz da camisola verde", de Pedro Homem de Mello (6 Setembro 1904 — 5 Março 1984), sobretudo por o ouvirem na forma de canção, de autoria de Frei Hermano da Câmara, que a cantou, mas  também pela voz da imortal Amália Rodrigues e Sérgio Godinho, entre outros.


Poucos ainda o saberão, mas desta grande figura da cultura portuguesa, também é a autoria de outros poemas de populares fados cantados por Amália, como "Povo que lavas no rio" e "Havemos de ir a Viana".
As primeiras memórias que tenho de Pedro Homem de Melo ecoam dos finais dos anos 60 e princípios dos anos 70, quando aos domingos, na RTP, nos entrava portas adentro para divulgar o folclore português, sendo dele um profundo conhecedor e especialista. A par das suas introduções, era ver ranchos folclóricos a dançar no lajedo granítico das eiras minhotas à sombra de altos espigueiros. Tratava-se do programa “Danças e Cantares”, que iniciou em 1958, pouco depois do nascimento da RTP, e que se estendeu na sua programação até meados de 70.

 
O rapaz da camisola verde

De mãos nos bolso e de olhar distante,
Jeito de marinheiro ou de soldado,
Era um rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Perguntei-lhe quem era e ele me disse
“Sou do monte, Senhor, e um seu criado”.
Pobre rapaz de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

Porque me assaltam turvos pensamentos?
Na minha frente estava um condenado.
Vai-te, rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Ouvindo-me, quedou-se o bravo moço,
Indiferente à raiva do meu brado,
E ali ficou de camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.

Soube depois ali que se perdera
Esse que só eu pudera ter salvado.
Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


Ai do rapaz da camisola verde,
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.
Negra madeixa ao vento,
Boina maruja ao lado.


- Pedro Homem de Melo

10/19/2012

Jonathan Swift – As Viagens de Gulliver

 

Jonathan Swift

as viagens de gulliver

Passam hoje 267 anos sobre o falecimento do escritor irlandês do séc. XVI-XVIII, Jonathan Swift (Dublin, 30 de Novembro de 1667 — Dublin, 19 de outubro de 1745) que ficou conhecido sobretudo pela sua popular obra "As Viagens de Gulliver" provavelmente uma das aventuras mais conhecidas do universo infanto-juvenil.


Na primeira das viagens do aprendiz de cirurgião londrino, Lemuel Gulliver, depois de uma tempestade apanhar o navio onde seguia rumo às Índias orientais,  vai dar como náufrago à costa de LIliput,  um país povoado por gente minúscula, tornando-se assim num gigante face aos liliputianos.
Já na segunda viagem, tomou-lhe o gosto, Gulliver vai dar a um país de gigantes, Broddingnog, tornando-se agora um mínusculo ser face aos mesmos.

Foram quatro as viagens avntureiras de Gulliver mas na realidade as mais conhecidas são as primeiras duas e destas a primeira.

 
Estes opostos e todas as nuances,  decorrentes são o êxito de um livro que desde há mais de dois séculos, tem extravasado das suas páginas, para ser argumento de inúmeras versões em filmes, séries, liadpatações em livro, banda desenhada, etc. A imagem ou cena do povo liliputiano a amarrar o “gigante” adormecido na praia, tornou-se ela própria emblemática e resume toda a aventura e será certamente uma das imagens que qualquer pessoa reconhecerá e atribuirá a Gulliver.

Apesar das aventuras e dos imaginários que desperta, a essência do livro pretende ser uma visão crítica de Swift sobre a sociedade inglesa/francesa do seu tempo. Mas é claro que as sociedades mudam mas a génese da aventura permance de forma actual e intemporal e esse é um dos méritos da obra de Swift.


O universo de Gulliver, imaginado por Jonathan Swift continua por isso actualizado e a despertar o imaginário de quem o lê ou vê, crianças ou mesmo adultos. Quantos de nós já não imaginamos ser gigantes e com isso dominar ou tirar proveito?

10/14/2009

O palhaço verde – Matilde Rosa Araújo e Maria Keil

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Hoje quero falar de “O Palhaço Verde”, uma das belas histórias da Matilde Rosa Araújo, ilustrada pela Maria Keil, cujas ilustrações povoam para sempre o meu imaginário.

Este livro é uma das obras emblemáticas tanto da Matilde como da Maria Keil e libertei-o numa qualquer feira de velharias pelo módico resgate de 1 euro. O livro tem uma dedicatória manuscrita: “Para o António Carlos, com muito carinho da sua amiga Matilde. 4 – Abril 1981″.

Quem seria este António Carlos, tão displicente e ingrato a ponto de, em princípio, abandonar assim um livro dedicado carinhosamente por uma amiga, mesmo passados 28 anos? E quem seria esta Matilde? Será uma feliz coincidência a ponto de se tratar da própria autora, numa dedicatória manuscrita algures numa sessão de autógrafos? Alguém conhecedor(a) de Matilde Rosa Araújo, será capaz de reconhecer a sua caligrafia? A ser verdade, a confirmar-se essa coincidência, ficaria feliz e orgulhoso, mesmo não sendo eu o António Carlos. Ficaria feliz, digo, porque para além da magia e ternura da sua obra, bem como da Maria Keil, a ela pertence certamente os primeiros versos que ouvi na forma de poesia:

“Mãe, que verdade linda o nascer encerra: Eu nasci de ti como a flor da terra”.

Quando Matilde Rosa Araújo e Maria Keil se juntam, acontece magia.

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