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8/04/2010

Broa de milho


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broa

forno pao santa nostalgia

masseira de pao
Hoje em dia o pão chega-nos fresco logo pela manhã, distribuído pelo padeiro da zona ou adquirido em qualquer estabelecimento de produtos alimentares.
Faz habitualmente parte das nossas refeições, mas é consumido de forma automática, sem sequer percebermos toda a lida que esteve por trás da sua confecção, ainda que em padarias modernas e automatizadas.
Mas nem sempre foi assim. Noutros tempos, principalmente em ambientes de aldeia, o pão para consumo durante a semana era confeccionado e cozido na própria casa.

Reavivando as memórias do meu tempo de criança, recordo que em casa dos meus pais, a exemplo de muitas outras famílias, existia o tradicional forno onde semanalmente, todas as quartas-feiras, a minha mãe reservava a parte da manhã para cozer o pão.
Para isso existia um móvel em madeira, designado de masseira, onde a farinha misturada com a água era amassada à força de braços e mãos. 
  
Como era tradicional na minha região, era utilizada principalmente a farinha de milho, quase sempre pura mas por vezes misturada com farinha de centeio, emprestando ao pão uma cor mais escura e diferente sabor. A farinha de trigo era muito raramente utilizada e apenas em ocasiões especiais e mais para confecção de regueifa doce, nomeadamente pela Páscoa.
O processo principiava na véspera, com a moagem de um saco de farinha no moinho de água, propriedade da família. Depois a farinha deveria ser bem peneirada.
À mistura de farinha e água quente era acrescentado o fermento, chamado de crescente, que era um pouco de massa guardada da anterior amassadura. Este fermento era indispensável à levedura da massa. 
  
Recordo que quando a cozedura não era semanal, era necessário arranjar o crescente fresco pelo que era usual ir pedir a uma das vizinhas, pois era um risco usar fermento fora de prazo.
Depois de preparada a massa, esta era aconchegada num dos cantos da masseira. Era feita uma cruz em baixo relevo, com o topo inferior da mão e no meio da cruz era espetada uma cebola crua, que permitia acelerar a levedura.
Depois era feita a tradicional benção. A minha mão rezava assim:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede e
S. João de te faça pão.
Amem.
Por vezes rezava-se uma Avé-Maria.
Esta reza, ou esta benção, tem alguns pontos comuns noutras regiões do país mas, naturalmente, apresenta-se de forma diferente, mais simples ou mais complexa. Eis alguns exemplos que colhi aleatoriamente em diversos sítios da internet.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo:
S. Vicente te acrescente e
S. João de te faça pão.
Deus de acrescente
Dento de forno,
E fora do forno
E a quem te comer.
São Vicente te acrescente
São Romão te faça pão
O Senhor te ponha a virtude
De mim fiz eu o que pude.
S. Vicente te acrescente,
S. Humberto te levede,
S. João te faça pão,
Para comer e p'ra dar.
Deus te queira acrescentar.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Reza-se então um Padre Nosso e Avé Maria.
S. Vicente te acrescente,
S. Mamede te levede,
S. João te faça pão,
E Deus Nosso Senhor te deite
Sua divina benção.
O Senhor te acrescente,
E te queira acrescentar,
Para comer e mais para dar.
Em nome do Pai, do Filho
E do Espírito Santo, Amén.
S. João levede o pão
S. Vicente te acrescente
Sta. Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé Maria
S. Vicente te acrescente,
S. Sebastião te faça bom pão e
Deus te cubra de divina bênção.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
São Vicente te acrescente,
Sã Mamede te levede,
E todas as almas santas
Te ponham a sua virtude.
São João te faça pão,
Com a graça de Deus e da Virgem Maria.
Cresça ó pão no forno
E o bem pelo mundo todo.
Nós a comer e ele a crescer,
Que não possamos vencer,
P’rá minha alma quando for
O eterno descanso, Senhor.
Para a massa levedar
S. Vicente te acrescente
S. João te faça pão.
Em louvor da Virgem Maria
Um Padre-nosso e uma Avé Maria.
Quando a massa se mete no forno
(com a pá faz-se uma cruz)
Cresce o pão no forno.
Ele a crescer
Nós a comer
Nunca o poderemos vencer.
Deus que te levede
Deus que t’acrescente
Com a graça de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria

S. Mamede te levede
S. Vicente t’acrescente,
S. João de ti faça bom pão,
Deus te ponha a virtude
Que da minha parte fiz tudo que pude.
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.

O Senhor te levede
S. Pedro te acrescente
E o Senhor te faça pão
Com o poder da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria
IV
S. Vicente t’acrescente,
S. Mamede te faça pão,
Em louvor de Santiago
Não fiques nem insosso nem salgado

São João te faça pão,
S. Mamede te levede,
S. Vicente t’acrescente
Em louvor de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.

S. Crescente t’acrescente
S. Mamede t’alevede
S. João te faça pão
E Deus te cubra de benção
VII
S. João te levede
S. João t’acrescente
S. João te faça pão
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
Como se verifica, o S.Vicente está presente na quase totalidade dos exemplos. Apesar disso, S. Mamede, também muito participativo, é considerado o padroeiro do pão.
Depois de feita esta benção, a massa era coberta com um pano quente e era fechada a masseira. A levedura, dependendo da quantidade de massa, poderia durar mais ou menos uma hora.
Entretanto o forno já tinha sido acendido e nele laborava uma boa fogueira durante pelo menos duas horas para esquentar bem. No caso da cozedura da regueifa doce era usada preferencialmente lenha da poda da vinha e urze, queiró e carqueja do mato.

Quando a massa estivesse preparada, o forno era limpo dos resíduos da fogueira e varrida a cinza.
Depois, em cima de uma pá de madeira, era colocada uma camada de farinha fina e sobre ela era colocada uma porção de massa, entretanto preparada em forma de bola. Uma vez na pá era ligeiramente moldada de forma a ficar com uma base plana. Depois de assim preparada era introduzida no forno. Este processo era repetido de acordo com a quantidade de broas. Normalmente a minha mão cozia quatro a cinco broas.

Importa dizer que, antes da entrada no forno da broas, eram cozidos de forma rápida os bolos, um pão em forma circular, achatados, com uma espessura de cerca de 2 a 3 centímetros a que algumas vezes eram revestidos superiormente com sardinhas ou carne. Para mim e para os meus irmãos, a minha mão habitualmente preparava uns bolos de tamanho pequeno (os bolinhos), talvez com cerca de 10 centímetros de diâmetro e também os chamados picões, que eram redondos e pontiagudos nas pontas.

Depois destas cozeduras rápidas, então eram colocadas as broas, cobertas com uma camada de farinha, para melhor formar a côdea (parte dura da superfície superior da broa) e fechado o forno. A maior parte dos fornos não tinham porta com sistema de fecho pelo que era necessário vedar a porta, sendo para isso utilizado o resto da massa. Isto em minha casa, pelo que em tempos de maior crise, para não se desperdiçar a massa, era utilizado barro. Havia até quem utilizasse uma mistura de terra com bosta de vaca que pela quantidade de fibras era adequada à consistência da massa de vedar.

Uma vez fechada e vedada a porta do forno, esta era benzida com o Sinal da Cruz, feito com a pá. Estava terminada a tarefa pelo que restava aguardar uma a duas horas, conforme o tamanho do forno, a sua capacidade de aquecimento e da quantidade de broas.
Um dos momentos mais apetecidos era o da abertura do forno, pelo qual saía uma bafarada quente com aroma a pão quente. Só isso confortava a alma pelo que a barriga só depois de arrancado um naco de broa. Era conveniente, contudo, deixar arrefecer um pouco pois o ditado popular dizia que "Pão quente, diabo no ventre", o que significa que é perigoso comer pão muito quente.

As broas já cozidas eram retiradas com uma outra pá, esta em chapa de ferro, própria para se introduzir debaixo da broa para facilitar a sua remoção.
O pão então era colocado numa caixa de madeira e coberto e assim serviria para a companhar as refeições durante toda a semana. Claro que também servia de petisco fora das refeições, acompanhando uma mão-cheia de azeitonas, também da casa ou um pouco de salpicão de lavrador.

Com o avançar dos anos, estas práticas deixaram de ter lugar na maioria das famílias e já mesmo na aldeia são raros os exemplos deste tipo de confecção caseira. Claro que ainda subsistem, principalmente em aldeias do interior, ainda muito dependentes de uma agricultura de subsistência, mas são uma espécie em vias de extinção. Na minha aldeia ainda há pelo menos duas casas que produzem semanalmente a broa de milho caseira, seguindo praticamente os métodos artesanais de tempos antigos, mas já com uma vertente comercial. Mesmo assim, fazem com que ainda se coma broa de milho à moda dos nossos avós, dando um melhor acompanhamento a certas comidas, nomeadamente uma sardinha assada ou uns bons rojões caseiros.

3/01/2010

Margarina Planta

 

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Série de três cartazes publicitários à margarina Planta, publicados em 1966 e 1967 e um vídeo no Youtube a condizer.

Para os cozinhados, as donas-de-casa preferiam a margarina Vaqueiro, mas para barrar o pão, logo pela manhã ou como lanche vespertino, a Planta era de facto a gordura preferida.

O paladar da Planta era assim apregoado como “para pessoas de bom gosto”. Era considerada “a mais saborosa”, “a mais pura” e “a mais fresca”.

Podia ser tudo isso, mas na verdade nunca fui grande apreciador destas gorduras. Quando muito, preferia uma semelhante, mas que considerava mais apetitosa, a Alpina; Mesmo hoje, raramente como Planta, e apenas ao pequeno almoço quando durmo fora, barrando o pão com aquelas pequeninas embalagens individuais, quase sempre misturadas com comptas e pattés.

Nos meus tempos de criança e adolescente preferia os clássicos cremes de chocolate, como a Tulicreme.

Seja como for, a Planta tem o mérito de ser uma clássica marca e um clássico produto que chegou aos nossos dias com a mesma popularidade.

2/17/2010

Royco – Caldos, sopas e birras de crianças

 

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Cartaz publicitário de Junho de 1967 aos produtos Royco, marca que aqui já falamos.

Nesta cartaz é feita publicidade aos caldos ou canja de galinha. Apesar de se apregoar que a coisa é boa, a criança, como todas as crianças, está a fazer uma careta de quem não está a apreciar muito.

Noutros tempos como na actualidade, continua a ser um frete fazer com que as crianças gostem e comam sopa. De um modo geral é sempre uma dificuldade com que qualquer mãe se depara na hora das refeições. Mesmo noutros tempos, em que as lambarices não abundavam e por vezes a fome batia à porta e ao estômago, já as coisas eram difíceis. Daí que as mães, quase sempre, e os pais, raramente, lá tentavam de tudo para fazer com que os petizes papassem a sopa. Desde os incentivos, os miminhos, as brincadeiras e as festas para distraír e levar a criançada a abrir a boca e a engolir, ou então com promessas de coisas do interesse dos miúdos até aos castigos quando se perdia a paciência, todos nós temos as nossas histórias associadas ao comer da sopa ou do caldo, como era vulgar dizer-se em ambientes rurais.

Pessoalmente sempre gostei de sopa, até porque nos meus tempos de criança muitas vezes era a refeição principal pelo que por esse hábito, hoje faz parte da refeição diária, onde têm destaque os legumes. Sempre que é possível, gosto de comer a “sopa à lavrador”, com os ingredientes em tamanho reduzido, e com os feijões inteiros,  mas sem serem passados pela varinha mágica.

Em criança, quando a varinha mágica era uma raridade ou até desconhecida, recordo-me que os mais velhos comiam a sopa com o garfo, uma vez que os ingredientes eram de facto substanciais (batatas aos cubos, couves, feijão, cebola, alguns arrozeiros). No final, a parte sobrante mais líquida e coada,  era designada de “muado” e era oferecida carinhosamente pelos pais aos mais novos.

Quanto à velha questão das crianças não gostarem de sopa, como já tem sido afirmado ou até estudado, parece que estas não têm o sentido do sabor tão desenvolvido quanto um jovem ou adulto, pelo que é natural que os habituais ingredientes de uma sopa convencional lhes saibam de forma mais amarga e ácida e por isso menos apelativos e apreciados. É pois natural que com o avançar da idade a relutância em comer a sopa seja reduzida e até invertida. Por mim recordo-me que apesar de gostar da sopa, detestava quando ela era composta por nabos. Lembro-me até de um dia vomitar por causa de ter comido sopa com bocados desse tubérculo, sempre muito abundante nas nossas hortas. Durante muitos anos esse ingrediente ficava de lado, mas actualmente, depois de voltar a experimentar, gosto muito. O mesmo acontece com os grelos, que agora adoro, embora em mais novo detestasse pelo seu sabor amargo característico.

12/02/2009

Gelado TIGRE, da Olá

 

gelado ola tigre santa nostalgia

Depois do cartaz publicitário ao saudoso gelado SPLIT, da Olá, deixamos outro não menos carismático, o Tigre, um gelado dos anos com “garra” onde se combinavam os sabores a laranja e chocolate. Creio que este gelado, que conheci nos anos 80, já não se comercializa o que o torna um produto mais nostálgico.

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11/24/2009

Toddy pronto – Já está!

 

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Depois do Nesquik, voltamos a relembrar o Toddy, num cartaz publicitário dos anos 80. Toda a magia do produto e da sua relação com a criançada está patente neste cartaz.

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11/21/2009

Leite sim, mas com Nesquik


nesquik santa nostalgia

O Nesquik da Nestlé sempre foi um produto muito apreciado. Simples ou com leite, quente ou frio, era uma deliciosa maravilha, principalmente nos tempos frios. Fica aqui a recordação de um cartaz publicitário do princípio dos anos 80.

Hoje em dia continua a ser comercializado e com o mesmo sucesso de sempre, mesmo assim sem fazer esquecer o saudoso Toddy.

9/08/2009

Refrescos Tang – Refrescos Royal

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Por estes dias de calor, lá em casa têm-se experimentado as saquetas de pó TANG com sumo de laranja desidratado e de outros sabores, como morango, ananás, pêssego e maracujá. Pela reacção dos miúdos, a qualidade, boa ou má, não difere da dos refrigerantes adquiridos em garrafa, seja Sumol, Frisumo ou outros semelhantes. Mesmo não sendo regra quanto ao consumo destas bebidas na casa, a verdade é que o preço final sai mais em conta, principalmente como solução em ajuntamentos de família onde as muitas crianças bebem que se fartam.

O pó de cada saqueta de TANG é recomendado para 1 litro de refrigerante e equivale a 21 kcal. Comporta vitaminas A, B2, C e ácido fólico.
Para já, com esta situação, voltei a trazer à memória os antigos refrescos Royal e o artigo que fiz aqui há pouco mais de um ano. Voltei a recordar os meus tempos de criança e as quentes tardes de Verão refrescadas com Royal, quer em bebida, quer nos gelados que fazíamos. Era caso para se dizer que apetecia ter sede…

Finalmente, achei curiosa a designação do produto: Frutrição Tang Laranja. Noutros tempos, era apenas Refrescos Royal. Sem mais nem menos. Creio que não tinha sido o mesmo se a designação fosse Frutrição Royal. Não soa nem seria tão nostálgico.

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3/19/2009

Gelatina Royal - Quem não gosta?...

 

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Já tive a oportunidade de falar nesta espaço dos famosos refrescos em pó Royal. Hoje recordo outro produto Royal, as famosas gelatinas, tão do agrado das crianças como dos adultos.

Este cartaz publicitário dos anos 60, para além de publicitar os 6 sabores disponíveis na altura (ananás, pêssego, tutti-fruti, laranja, morango e cereja), fala-nos de um livro que era oferecido, o qual continha receitas com gelatina e ainda desenhos para os miúdos colorirem. Recordo-me de ter um livro destes. Infelizmente perdeu-se.

Apesar de tudo, confesso, nunca gostei particularmente de galatina pelo que do produto apenas me fascinavam as suas cores brilhantes e o aspecto de borracha transparente, sempre a tremer.

Este pouco gosto pela gelatina não se transmitiu aos meus filhos já que são gulosos por esta sobremesa, preferindo sobretudo a de morango.

É claro que nos anos 60 a gelatina eram já um produto muito popular, pela facilidade de preparação e até porque tinha um preço acessível. Todavia, nessa época, as sobremesas eram mais de carácter tradicional e pessoalmente preferia um doce-de-coco, uma mousse caseira ou um leite creme.

Hoje em dia, a gelatina Royal é comercializada em diversas variantes, incluindo as chamadas light, já preparadas e vendidas com embalagens do tipo das dos iogurtes, supostamente com menos açúcar e corante. A este propósito, por diversas vezes a gelatina Royal tem sido apontada na comunicação social como tendo excesso de açúcar e corantes. Convém, por isso, ter algum cuidado no consumo exagerado.

As gelatinas Royal pertencem ao grupo Kraft Foods Inc., a segunda maior empresa mundial do sector de alimentos, a qual detém a marca dos refrescos Tang entre muitas outras, tais como a Toblerone, Milka, Suchard, Nabisco e Oscar Mayer.

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12/03/2008

Sardinhas salgadas

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Quem não gosta de sardinhas? Assadas, cozidas, fritas ou de conserva em óleo ou tomatada, creio que quase toda a gente gosta.
Hoje em dia a sardinha é quase um alimento de luxo, pelo alto preço a que é vendida. Então em época das festas populares, nomeadamente pelo S. João, o preço é deveras exorbitante, mesmo com o abastecimento da sardinha espanhola (que dizem de inferior qualidade relativamente à pescada na nossa costa).

Neste contexto, guardo algumas memórias e recordações à volta das sardinhas e da sua importância na alimentação das pessoas.

Noutros tempos, noutras épocas, a sardinha era o bife dos pobres, principalmente do povo da aldeia, dos lavradores.
Duas batatas cozidas, um monte de couves e uma sardinha assada ou cozida, era um prato muito generalizado, mas mesmo assim com algum requinte, pois mesmo a um preço acessível, nessa altura (anos 60 e 70), a sua compra frequente não estava ao alcance da maioria do povo. Recordo-me perfeitamente do tempo em que uma sardinha era dividida por dois ou três irmãos.

Lembro-me da visita do peixeiro à aldeia, duas ou três vezes por semana, numa camioneta de caixa aberta. Logo que o tempo se aprontava frio, portanto no final do Outono e Inverno, algumas famílias com mais bocas para alimentar, compravam uma caixa completa de sardinhas, que depois salgavam. Com este tipo de conservação tradicional, herdada já dos tempos dos romanos, a caixa, bem administrada, durava umas valentes semanas do Inverno, pois nessa altura do ano era muito difícil a venda da sardinha, devido ao estado do mar mas também por não ser tão gostosa. A este respeito, o povo diz que a sardinha é boa nos meses sem R (portanto Maio, Junho, Julho e Agosto). Depois perde qualidades. Nesta, como noutras coisas, é certa a sabedoria popular.

Hoje em dia a sardinha é consumida habitualmente fresca e quando importa conservar é congelada. Já ninguém salga sardinhas e mesmo que o fizessem as mesmas ficariam intragáveis e rançosas. No entanto, nessa altura as sardinhas conservavam-se com boa qualidade e sempre deliciosas, mesmo depois de salgadas por várias semanas. Para além do mais, não havia outra alternativa à sua conservação pois arcas congeladoras era equipamento que ninguém tinha.
Agora que o frio tem apertado, soube bem recordar as sardinhas salgadas no meu tempo de criança. Ainda lhes sinto o sabor e adivinho-as a fumegar num prato de batatas com couves.

8/20/2008

Biscoitos de champanhe

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Tempos houve em que certos produtos eram especiais porque se confinavam a uma específica região ou apenas se consumiam numa determinada época ou quadra festiva. Por exemplo, as rabanadas e as filhoses no Natal, as amêndoas e pão-de-ló pela Páscoa, a orelheira pelo Entrudo ou Carnaval, etc. Outros exemplos poderiam aqui ser dados.

Com a globalização, essa coisa fantástica que aproxima as pessoas e o mundo e simultaneamente as afasta, a indústria e o comércio começaram a generalizar o fabrico e venda de diversos produtos e artigos ao longo do ano, anteriormente confinados às tais épocas festivas determinadas pelo calendário, quase sempre com uma forte substância religiosa mas também profana. Por conseguinte, hoje come-se rabanadas, pão-de-ló e amêndoas em qualquer ocasião e em qualquer altura do ano. Não admira, pois, que assim se tenha perdido a magia de muitas coisas, diluído os sabores e desvanecidos os aromas. Creio que os meus queridos leitores compreendem isto.

Dentro desta realidade, hoje trago à memória os deliciosos "biscoitos de champanhe", em muitas regiões também chamados de "palitos" ou "palitos la reine". Claro que ainda existem e encontram-se facilmente nas prateleiras de qualquer superfície comercial, sendo fabricados tanto por casas tradicionais quer pela gigante Dan Cake.

Todos reconhecem estes simples e saborosos doces, com uma forma rectangular e com as extremidades arredondadas, com tonalidade  dourado claro, estaladiços e suaves, tradicionalmente com sabor a limão, e revestidos superiormente por açúcar granulado.

Ora estes "biscoitos de champanhe", nos meus tempos de criança, eram um luxo e consumiam-se apenas na Páscoa, e acompanhavam-se sempre com champanhe, ou vinho espumante, à maneira portuguesa. Acompanhar uma taça de resplandecente champanhe com dois ou três biscoitos, era um momento simbólico e  festivo.

Hoje, como atrás dissemos, tudo isto se acabou e bebe-se champanhe e come-se "biscoitos" em qualquer altura do ano, a qualquer pretexto, nem que seja num simples lanche nas tardes de domingo. Para além do mais, estes biscoitos são muito utilizados na confecção de certos bolos, como o conhecido Tiramisú.

Por estes dias bebi champanhe acompanhada pelos ditos "biscoitos" da mesma, mas faltava a tal magia, o tal pretexto de festividade. As coisas perdem-se com o tempo, inolvidavelmente.

Talvez seja diferente na próxima Páscoa. Talvez.

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champanhe_santa nostalgia

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