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1/30/2026

Opção - Revista de esquerda a malhar à direita


As referências online à revista semanal "Opção" são escassas e dispersas. Do que foi possível compilar, esta revista teve o seu início em 29 de Abril de 1976, sendo dirigida pelo jornalista Artur Portela (Filho). Terá sido a primeira revista do género criada após o 25 de Abril de 1974.

Surge num momento decisivo da consolidação da democracia em Portugal, num contexto de profundas transformações políticas, sociais e institucionais após a Revolução de Abril. O lançamento da revista ocorre num período marcado por intensos debates sobre o papel da imprensa e a definição dos novos modelos políticos do país.

Assumidamente ideológica, de esquerda da esquerda, a revista era isso mesmo, um espaço de malhar na Direita e suas figuras. Então como agora, procurava-se diabolizar quem tinha a ousadia de ser diferente da Esquerda.

Logo no número primeiro, o director, Artur Portela (Filho), na foto abaixo, em editorial dizia ao que vinha:  "Opção" pretende ser a voz que a Esquerda pode e deve ser - a voz forte da razão, da competência, do futuro. 

Ora quem tinha um posicionamento ou visão diferentes, era invariavelmente malhado em artigos críticos e mordazes.

Por agora, não conseguimos a informação de quando terá terminado nem quantos números foram publicados. Talvez, pelo sectarismo indisfarçado, estivesse mesmo condenada à extinção. Mas não foi a única.







3/06/2023

25 de Abril - Comunidades Portuguesas





Passados alguns poucos meses e e assente algum pó após a revolução de 25 de Abril de 1974, em 21 de Outubro de 1974 a Secretaria de Estado da Emigração lança a revista "25 de Abril - Comunidades Portuguesas". Tinha definida uma periodicidade mensal mas ao longo dos seus 44 números, até Fevereiro de 1980, várias edições  abarcaram dois meses. Teve como directores Amândio da Conceição Silva, José Cardoso e Manuel Árias. Graficamente a revista teve três diferentes séries.

O objectivo dessa publicação está expressa no editorial que abaixo se transcreve. Percebe-se pela sua leitura e análise que o conteúdo reflectia o momento político e de um modo geral tinha uma orientação muito marcadamente de esquerda. Veja-se, como exemplo, a imagem acima com a capa alusiva a eleições livres em que o símbolo do PCP aparece sobre os demais. Sendo direccionada à comunidade emigrante, era por conseguinte distribuída em alguns países europeus, nomeadamente na França, mas em rigor desconhecemos o alcance da publicação e do seu êxito ou importância. Em rigor, apesar dessas boas intenções e paninhos quentes para com a nossa comunidade, a verdade é que no geral este pouco ou nada pode contar com o Governo central, de resto durante toda essa década, muito instável com sucessivas formações.. Não havia, pois, tempo e condições políticas e de estabilidade para grandes acções incluindo as relacionadas à comunidade emigrante. Sinais dos tempos.

De entre os vários objectivos da Secretaria de Estado da Emigração, um dos mais importantes é, sem dúvida, a correcta informação da realidade portuguesa ao Emigrante afastado do cenário central da evolução sucio-política. Num processo que se pretende de radical transformação. porque democrática tal preocupação afigura-se-nos salutar e indispensável. Salutar, porque nas comprometemos a falar o que é e não o que convém, sem mascarar as deficiências tanto da evolução política em geral como do nosso trabalho em particular. Indispensável, porque se deseja e se garante uma participação efectiva do Emigrante, o principal protagonista. e o mais importante, desta mensagem-diálogo que pretende uma conjugação de esforços, cada mês mais ampla, cada mês  mais mais efectiva. 

«25 de Abril» é o nome da vossa revista. 25 de Abril é o simbolo de tudo o que se fizer de novo em Portugal. Para além do símbolo, o 25 de Abril é uma data E também um movimento. Na data, a esperança de que a revolução democrática estava começando. No movimento, a responsabilidade de que a revolução democrática não pode parar. Mesmo que a esperança não haja sido de todos, foi com certeza do Emigrante. Mesmo que nem todos queiram ou possam assumir a responsabilidade, o Emigrante quer, pode e deve assumi-la para que, pelo menos, o seu filho possa viver em Portugal. O Emigrante merece na sua revista o titulo-símbolo de uma data-movimenta marco importante. e lutemos para que decisivo, da História de Portugal. 

O Emigrante, sofrido, desrespeitado, explorado, tem todo o direito de esperar muito do Governo Provisório, mas não pode esquecer as limitações de sua potencialidade, por contingências de um período de transição, provisório que é no nome, na acção e no tempo. Agora, se o Governo Provisório, por honestidade, é forçado a dizer ao Emigrante «Tens de ficar no estrangeiro. Não te podemos ainda dar emprego em Portugal, deve pelo menos, e já, assegurar que o Emigrante seja menos sofrido e nunca desrespeitado ou explorado. No entanto, o Emigrante tem um papel decisivo para que o Governo Provisório através principalmente da Secretaria de Estado da Emigração e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o ajude a garantir um menor sofrimento, um completo respeito e a morte da exploração. O saneamento dos fascistas, dos corruptos. dos incompetentes. dos exploradores, que grassam no estrangeiro em toda uma máquina repressiva ainda em grande parte por desmantelar. é também obra do Emigrante. Mas por ser obra, tem de ser séria e responsável. justa e eficaz. Não será dada guarida, nem encaminhada, qualquer denúncia que não esteja devidamente caracterizada e assinada, que não seja, pois, compatível com o objectivo fundamental a democratização e, como consequência, a verdade, a dignidade e a liberdade como conquista dos trabalhadores portugueses, unidos dentro e fora do Pais.

[imagens: Hemeroteca de Lisboa] 

3/03/2021

Time


A caminho do centenário, passam hoje 98 anos sobre a data (3 de Março de 1923) da primeira publicação da revista norte-americana "Time". Tem sido um longo caminho e de muitas alterações editoriais mas parece que sempre dentro do sucesso e é considerada a revista semanal de notícias mais lida globalmente, com um público regular de 26 milhões de pessoas, sendo que 20 milhões nos Estados Unidos.

7/29/2019

O Duplicador - Porque duplicar é preciso

Hoje em dia damos como fácil e certo o processo de reprodução e cópia de documentos, seja num ambiente doméstico, com recurso a uma simples impressora ligada ao computador, com ou sem fios, seja no escritório, na empresa ou escola. Para quantidades e outras exigências de formato e de tipo de suporte, existem de forma generalizada os centros de cópias,  com modernas fotocopiadoras a laser, plotters e mesmo outros equipamentos, versáteis e hoje em dia já com custos baixos.

Noutros tempos, porém, e nem será necessário recuar aos tempos da reprodução pela escrita ou os imediatamente posteriores à invenção da impressão por Gutemberg o processo de replicação de documentos era um empreendimento complexo, moroso e relativamente dispendioso.

Mas recuando apenas quarenta ou cinquenta anos, e pondo de lado a particularidade da impressão relacionada às gráficas, editoras livreiras e imprensa, mas ainda antes da generalização das fotocopiadoras e mais tarde às impressores térmicas, de jacto de tinta e a laser, as necessidades de impressão em série e em grandes quantidades em ambiente de empresa, de escola ou de qualquer organização, encontravasolução nos duplicadores, inicialmente apenas mecânicos e mais tarde com rotação eléctrica.
Estes duplicadores, também designados de mimeógrafos, sobretudo os populares da marca Gestetner, permitiam de facto a reprodução de cópias em quantidade a um custo de produção acessível.

Um duplicador ou mimeógrafo, embora com o mesmo objectivo de uma fotocopiadora, na realidade era um elemento de impressão, com um sistema rotativo, já que obrigava à utilização de uma matriz ou molde como original, em concreto uma película chamada stencil. Este stencil era constituído por um papel especial o qual introduzido na máquina de escrever permitia ser parcialmente perfurado pelos caracteres metálicos, o que depois de encaixado no duplicador permitia passar a tinta pelos orifícios e assim obter uma cópia. Para além do texto, com algum cuidado e engenho, utilizando estiletes metálicos era possível também gravar alguns desenhos, mesmo que pouco elaborados, sob pena de danificar o stencil.



A tinta, com base de álcool, para ajudar a secar rapidamente, era adquirida em grossos tubos dos quais se injectava num cilindro rotativo de base porosa que absorvia a tinta. Depois era girar a manivela manualmente com uma velocidade adequada. A força centrífuga e a pressão do rolo com o papel impelia a tinta através da matriz e assim obtinha-se cada cópia. Para imprimir no lado oposto, era necessário deixar secar as folhas impressas num dos lados e voltar a introduzir a nova matriz e voltar a repetir o processo.
Por conseguinte, era um processo de cópia relativamente barato mas de baixa qualidade e a exigir algum esforço e habilidade em todo o processo.

Este tipo de equipamento de reprodução de cópias tornou-se muito popular e acessível nos anos 70, nomeadamente no período pós revolução do 25 de Abril de 1974 permitindo aos partidos e organizações sindicais e políticas imprimir em grandes quantidades e a baixo custo os seus panfletos de propaganda (abaixo, ver imagens das impressões típicas deste sistema). Também eram muito utilizados em escolas, empresas e outras organizações que necessitavam de formulários e outros documentos.




Cá pela minha aldeia, pertencia eu a uma associação cultural e recreativa que durante várias anos, toda a década de 80 e parte da de 90, publicou um jornal mensal, que durante uma boa parte desse tempo foi impresso com recurso ao duplicador. Inicialmente mecânico, depois eléctrico e mais tarde substituído por uma máquina de impressão offset, embora esta de formato ligeiramente inferior ao A3, mas que permitia, em diferentes etapas, introduzir cor, o que em edições especiais usávamos para distinguir o título do jornal e de notícias. Ora a vermelho, ora a azul.

Especiais tempos esses, que contados agora à nova rapaziada ser-lhes-á difícil acreditar face à facilidade e generalização das impressoras e modernas fotocopiadoras.

Assim, de modo especial o Duplicador, foi de uma importância fulcral no desenvolvimento e acesso à cultura e à informação, pelo que tem um papel e um lugar especiais nas nossas memórias colectivas.

3/11/2018

Automóvel Clube de Portugal - Revista ACP


O Automóvel Club de Portugal é uma das importantes instituições portuguesas, com uma rica história de inovação e serviço em favor do fenómeno automóvel em geral e dos seus associados em particular. Fundada em em 1903, como Real Automóvel Club de Portugal e redesignado para Automóvel Club de Portugal em 1910, continua aí para durar.
Ao ACP devem-se muitas das inovações e particularidades promovidas ao longo dos muitos anos de existência, como a organização do 1º Salão Automóvel em 1914, no Palácio de Cristal, na cidade do Porto, a edição do primeiro mapa das estradas portuguesas em 1928, bem como serviços como assistência automóvel aos associados, seguros, escolas de condução, organização do Rali de Portugal - Vinho do Porto, em 1975, etc.
Para além de tudo isto e muito mais, publica com regularidade desde Novembro de 1930 a sua revista "ACP". Esta publicação é o órgão oficial da instituição com estatuto de utilidade pública desde 1931, é distribuída gratuitamente a todos os associados. O seu conteúdo é diverso, mas obviamente com assuntos do interesse da instituição e seus associados e com um amplo destaque à realidade da indústria e desporto automóvel. 






[Primeiras três capas: Blog "Restos de Colecção"]

11/13/2017

Revista Cruzada


aqui falamos na revista CRUZADA. Esta revista vai já no seu 87º ano de publicação e continua vigorosa mês após mês. 
Hoje voltamos à memória desta publicação cristã/católica, com a recordação de duas capas, de Junho de 1963 e Novembro de 1965. Recorde-se que na sua origem e durante muitos anos, esta revista era vocacionada para os mais pequenos.

Com tempo traremos aqui mais exemplares.


2/20/2017

Crónica Feminina - 429

 

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Capa da revista “Crónica Feminina” – Edição Nº 429 de 11 de Fevereiro de 1965. Em destaque, a bela noiva Maria Margarida Ribeiro dos Santos Pinto, com o seu perfumado ramo de flores de laranjeira como convinha ás noivas castas. As noivas e noivos eram tema recorrente nas capas da emblemática revista.

11/04/2016

Crónica Feminina - 203

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Capa da revista “Crónica Feminina” – Edição Nº 203 de 13 de Outubro de 1960.

Uma capa impensável para as revistas similares dos dias de hoje. Não por já não se venderem a 15 tostões mas porque predominam temas nada condizentes com a candura e ar feliz do rapazinho. Enredos de telenovelas, mortes, traições, divórcios, erotismo a roçar a pornografia, dicas de sexo, etc, são o actual pão-nosso  do que a casa gasta. Um fartote.

É certo que os tempos ditam a evolução das coisas e obviamente da imprensa escrita, jornais ou revistas. Não se poderia esperar que, 56 anos passados, uma revista de mexericos fizesse capa com uma criancinha, a não ser que fosse o Cristianinho Ronaldo ou outro rebento de um qualquer jet-set. Todavia, porventura, passamos de um 8 muito condicionado por um regime fechado e conservador para um 80 desbragado e excessivo. O meio termo nunca foi apanágio dos portugueses pelo que as coisas são como são, no bom e no menos bom.

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7/02/2009

Figuras & Figurões – Caderneta de cromos

 Nos anos 70 (76/77), a empresa IMPRELIVRO - Imprensa e Livros, SARL, proprietária do jornal diário O PAÍS, promoveu um concurso designado "Figuras & Figurões". Para participar era necessário preencher uma caderneta com um conjunto de 36 cromos ou estampas, publicadas ao longo 12 semanas (entre 05 de Novembro de 1976 a 28 de Janeiro de 1977), nas páginas do respectivo jornal.

Os cromos ou estampas tinham como tema caricaturas representativas de um conjunto de figuras públicas ligadas ao período do 25 de Abril de 1974. Cada estampa tinha ainda uma quadra cuja parte final, que correspondia ao nome da pessoa caricaturada, era necessário adivinhar e preencher, o que não era difícil já que para além da popularidade dessas figuras, o nome coincidia com a rima da quadra.

Para validar a entrada no concurso tornava-se necessário entregar a caderneta devidamente preenchida, com as estampas coladas nos seus devidos lugares e devidamente completadas na tal questão da quadra. O regulamento não o indica, mas presume-se que no final as cadernetas seriam devolvidas aos respectivos donos, ou talvez não.
Para além dos 36 cromos, a caderneta continha páginas com publicidade de algumas empresas e marcas que patrocinavam o concurso.

O concurso implicava os seguintes principais prémios: 1º: 1 automóvel Citroen GS, no valor de 196.000$00; 2º: 1 viagem ao Cairo - Egipto, para 2 pessoas, pela TWA, ida e volta em classe turística, no valor de 39.963$00; 3º: 1 jogo de maples em pele MICL, no valor de 35.000$00; 4º: Uma máquina de lavar-roupa RUTON e 1 televisor RADIOLA, com o valor total de 31.738$00. A lista de prémios continua até ao 377º lugar e incluia prémios diversos como 1 máquina de costura BERNINA, 1 máquina de tricotar, 1 bicicleta motorizada, 1 máquina de escrever, 1 fogão JUNEX, 1 rádio-gravador, 1 mala de senhora, 1 relógio de cozinha, etc, etc.

As caricaturas têm uma excelente qualidade artística, reproduzindo na perfeição as características físicas dos respectivos retratados. Na caderneta não é indicado o nome do autor, sendo que pela assinatura com as inicias ZM, que surge nalguns cromos, se supõe serem do excelente artista Zé Manel.

Tendo em conta a qualidade das caricaturas e pela importância dessas figuras no período histórico e conturbado do pós-25 de Abril de 1974, iremos publicando os respectivos cromos em futuros posts.
Acrescente-se que este tipo de concursos, baseados no preenchimento de cadernetas com estampas publicadas pelos jornais diários, conheceu vários exemplos. Recordo-me particularmente de uma colecção relacionada com ciclismo, pelo JORNAL DE NOTÍCIAS e  de uma outra  com a temática de provérbios populares, pelo jornal O COMÉRCIO DO PORTO. Num dia destes procurarei trazer mais detalhadamente o assunto à memória dando a conhecer as respectivas cadernetas que na época coleccionei.

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5/11/2009

Crónica Feminina - Números 482, 483, 488, 489

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Nº 482 - 17 de Fevereiro de 1966

cronica feminina capa 483

Nº 483 - 24 de Fevereiro de 1966

cronica feminina capa 488

Nº 488 - 31 de Março de 1966

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Nº 489 - 7 de Abril de 1966

Aqui ficam mais quatro capas da revista "Crónica Feminina", de meados dos anos 60. Comparativamente com as revistas actuais, atente-se na simplicidade dos temas de capa, onde as crianças e as noivas tinham lugar de preferência. Os títulos ou manchetes  são inexistentes, tendência que se alterou ligeiramente nas edições dos anos 80.

4/27/2009

Crónica Feminina – Nºs 336 e 344 de 1963

 

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Dois simpáticos “marinheiros” a ilustrar as capas da revista Crónica Feminina, referentes aos números 336 e 344, de 1963.

Como fiz o serviço militar na Marinha de Guerra Portuguesa, ainda devo ter, algures numa gaveta, a minha farda, nas versões, branca, de Verão, e azul, de Inverno, incluindo o característico chapéu, o “panamá”. Um destes dias vou ter que ver em que estado se encontram.

 

*****SN*****

1/15/2009

As calças de ganga Lois


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Em Outubro de 2008, a imprensa dava-nos conta da falência do grupo grupo Sáez Merino, detentor da marca de jeans (calças de ganga) LOIS.
A empresa espanhola, com sede em Valência, não resistia às dificuldades do mercado, um pouco à semelhança de muitas outras empresas ligadas ao sector têxtil, não sendo alheia a esta crise, a proliferação e aumento das exportações da China.

Mais recentemente, já este ano, li na revista Sábado que ainda estavam a ser estudadas algumas possibilidades de salvação, que não da empresa, pelo menos da mítica marca. Uma hipótese poderia residir na aquisição por parte do grupo Inditex que detém a cadeia de vestuário Zara. Estão em aberto várias hipóteses. O certo é que a marca ganhou mais prestígio e em alguns sites de leilões e vendas, as calças da LOIS têm vindo a ser transaccionadas a preços elevados.

A Lois era a marca emblemática do grupo Sáez Merino, nascida em 1962. A marca sempre teve muito prestígio, nomeadamente nos anos 70, com campanhas publicitárias protagonizadas pelo grupo musical sueco Abba, o cantor Rod Stewart e o tenista sueco  Bjorn Borg.

As calças de ganga LOIS eram conhecidas pelo símbolo inconfundível de um touro preto, com um grafismo estilizado. Também ficaram famosas as casacas (jackets) exportadas para França que saíram com o defeito das mangas compridas. O defeito tornou-se feitio pois tornou-se moda usar as casacas com parte da manga arregaçada. Ainda hoje é frequente ver esta situação.

Em adolescente recordo-me de possuir pelo menos dois pares de calças desta marca. Eram de facto excelentes, quase sempre ajustadas ao corpo. Tinham tanta fama e prestígio quanto as Levi´s, as Lee ou as portuguesas Número 1. Era das minhas calças preferidas e era com orgulho e vaidade que ostentava o touro. Claro que custavam uma pipa de massa, muito acima do custo de um par de calças de qualquer outra marca inferior.

As calças de ganga, hoje designam-se popularmente de jeans e estão universalizadas. De um vestuário grosseiro, fundamentalmente de trabalho, passou a fazer parte da indumentária do dia-a-dia, tanto na aldeia como na cidade, tanto no campo como no escritório, em ocasiões informais ou até em cerimónias.
Apesar do conceito do corte e do estilo não ter alterado substancialmente ao longo da sua história, actualmente as calças de ganga estão mais diversificadas, vendendo-se, inclusive, já com rasgões, coçadas, esfarrapadas e quase sem cinta, em contraponto aos anos 70 em que as cintas eram demasiado altas e as pernas demasiado largas, chamadas de boca-de-sino. Neste aspecto, apesar do estilo inconfundível, as calças de ganga, ou jeans, não deixaram de se adaptar às modas e às tendências.
Por tudo isto, esperemos que a LOIS continue por muitos anos pois faz parte das memórias e nostalgias de várias gerações.

8/20/2008

Crónica Feminina - 433, 434

 

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aqui falámos da revista "Crónica Feminina", mas continuará a ser presença assídua neste nosso espaço de memórias e nostalgias. Estas são as capas dos Nºs 433 e 434, as edições de 11 e 18 de Março de 1965. Atente-se na simplicidade das capas. Agora imagine-se uma das revistas similares do nosso tempo, como as popularuchas e "quase pornográficas"  "Maria" e "Ana", já para não falar das de maior formato. De facto não têm nada a ver. É claro que os meios, as mentalidades e os tempos são outros, mas convenhamos que de um excesso de discrição e bons costumes passamos para uma situação de total indecoro e "à vontadex". No nosso tempo, se queríamos ter acesso à pornografia líamos às escondidas a GINA (falaremos oportunamente desta revista) ou entrávamos pela porta-do-cavalo no cinema da vila. Agora, mesmo crianças de 13 a 15 anos têm fácil acesso a essas revistas, caracterizadas por uma forte componente de conteúdo erótico a extravasar pró-pornografico, quer ao nível dos textos quer na profusão das imagens.

Esta realidade é boa, é má? Questionável, certamente, mas isso seria assunto para outros espaços, que não este.

4/22/2008

Crónica Feminina


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A revista "Crónica Feminina" é um dos grandes ícones dos anos 60 e um marco editorial da já extinta Agência Portuguesa de Revistas, de Aguiar e Dias. O primeiro número foi publicado a 29 de Novembro de 1956, sendo dirigida por Milai Bensabat (directora e editora) e como chefe de redacção a Maria Carlota Álvares da Guerra.

A revista, em formato de bolso, 16,7x12 cm, apresentava a capa colorida, litografada, e o interior num característico tom de sépia. A cor extendia-se também por algumas páginas de anúncios, quase sempre em papel de melhor qualidade.

A revista, virada essencialmente para a classe média,  vivia fundamentalmente de temas queridos às mulheres de então, nomeadamente assuntos de sociedade, do espectáculo, do cinema, da rádio e TV, culinária, moda, lavores, o correio sentimental e mais tarde a popular fotonovela, que se acompanhava avidamente semana após semana.

Para além de tudo quanto se possa dizer sobre a "Crónica Feminina", apesar das restrições conservadoras e próprias do estado do regime, foi sem dúvida um meio de comunicação que chegou a milhares e milhares de mulheres portuguesas, da cidade e aldeias e até no ultramar, às quais ajudou a transmitir e a moldar todo um espírito de conhecimento e mentalidade de abertura e modernidade tão característico dos anos 60.

A revista conheceu os seus tempos áureos na década de 60 mas prolongou-se pelos anos 70. Depois de já ter terminado, ainda houve uma tentativa de retomar o título, creio que no início dos anos 80, mas, já inserida num mercado forte e diversificado, teve pouco êxito, não conseguindo impôr-se, pelo que terminou pouco depois. Não tendo informação da data rigorosa do seu último número, das várias dezenas, mesmo centenas, de exemplares que conservo, as edições mais recentes correspondem aos nº 1546, edição de 10 de Julho de 1986, na qual era dado destaque às novelas brasileiras"Corpo a Corpo" e "Vereda Tropical" e nº 1561 de 23 de Outubro de 1986 na qual, para além dos destaques às novelas referidas (que ainda duravam) se informa que a então popular Valentina Torres aguardava bébé, A revista Crónica Feminina tinha nesse final do ano de 1986 um preço de capa de  40$00.

A Agência Portuguesa de Revistas, depois de altos e baixos foi à falência, com esta a ser decretada em 7 de Abril de 1988, sendo que a componente editorial e gráfica já havia sido suspensa há vários meses. Neste contexto, mesmo que sem data e números rigorosos e documentados, será de supor que a embelmática revista "Crónica Feminina" tenha conhecido o fim do seu longo percurso editorial lá pelo ano de 1987.

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